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sexta-feira

27

julho 2012

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Transcultura #89: DJ Marky // Bicicletas

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Meu texto de hoje da coluna “Transcultura”, publicada todas as sextas no jornal O Globo:

O retorno do rei
Mestre do drum and bass, eleito várias vezes o melhor DJ do mundo, Marky toca nesta sexta na Wobble, no Rio

por Bruno Natal

No fim dos anos 1990, o drum and bass vivia seu auge. Tido como a vertente mais inovadora da música eletrônica, numa época pré-compartilhamento de arquivos e de infinitos subgêneros digitais, o d&b tinha um rei, e esse rei era brasileiro: DJ Marky.

Considerado várias vezes o melhor do mundo por diversas publicações (scratches em BPMs acima de 160 não são mesmo pra qualquer um).Um astro com residência fixa em boates de Londres (Bar Rumba), São Paulo (Lov.e), Rio (as saudosas quartas da Bunker), Tóquio (Womb) e onde mais quisesse, presença em festivais como Coachella e Glastonbury, anualmente Marky celebrava seu domínio no Skol Beats, como atração principal da tenda Movement, focada nas batidas quebradas e no grave.
O tempo seguiu, outros estilos tomaram a ponta e, de repente, ouvir Marky no Rio passou a ser menos recorrente, deixando desemparados fãs que o viram em festas como a Loud! e a pioneira Febre.

Mas nesta sexta Marky visita a cidade, capitaneando a edição da festa Wobble, no Fosfobox, dedicada aos sons graves e que vem atraindo uma galera mais nova atrás do dubstep, apresentado em suas diversas formas (pro bem e pro mal). Mesmo com o resgate dos anos 1990 se ensaiando, ele não acredita nessa anunciada “volta do drum and bass”. Para Marky, nada mudou. Ou melhor, mudou pra melhor.

— Não existe volta do d&b porque ele nunca foi embora. Não é por que a música saiu da mídia brasileira que ela morreu. O jazz morreu? Não, está mais vivo do que nunca! Minha carreira está melhor do que nunca! Continuo tocando nos principais festivais e clubes do mundo; sou residente do Fabric, em Londres, e do Womb, em Tóquio, dois dos melhores do planeta; minha gravadora, Innerground Records, está bombando — diz.

A Wobble vai além do dubstep que a fez conhecida, com espaço para o garage, house, até techno. Pelos toca-discos já passaram DJs como Roots Rock Revolution, Nedu Lopes e Tamenpi. Um dos responsáveis pela festa, Rodrigo S. é fã de Marky e acha sua presença algo natural.

– Ele é o preferido de quase todos os envolvidos na Wobble. Sua residência na Bunker foi uma escola. Drum and bass é um dos pilares da bass music e foi fundamental na construção do que é o dubstep hoje. O que o jungle é para o drum and bass, o drum and bass é para o dubstep.

Dia 10 de agosto, em SP, Marky toca no projeto Technostalgia, em que DJs fazem as vezes de maestro. Regendo duas bandas simultaneamente no palco, como se fossem dois toca-discos, clássicos da música eletrônica ganharão roupagem analógica. Sem deixar o estilo que o consagrou — e que ele revolucionou, ao trazer o sol para um som tradicionalmente sombrio — Marky também toca outras coisas.

— Continuo fazendo sets só de d&b, às vezes toco em festas de deep house, além de ter a minha noite, DJ Marky — Influences, em que toco as músicas que me influenciaram, do soul ao d&b, passando por funk, rock, jazz, disco, boogie, house, techno e por aí vai. Adoro as músicas de artistas como Boddika, Julio Bashmore e Breach, assim como Dramatic & DB Audio, Total Recall, T.I., Decimal Bass, que estão arrebentando no drum and bass. Na Wobble vou tocar drum and bass e algumas dessas coisas — conta Marky.

A onda do dubstep

Mesmo rodando o mundo, Marky continua ligado nos sons daqui. Da produção brasileira, ele destaca Level 2, Unreal, Critycal Dub e o carioca BTK, hoje morando na Suíça, “arrebentando”, segundo o DJ. Apesar da proximidade apontada por Rodrigo, Marky não vê tanta relação entre a atual ascensão do dubstep e o que aconteceu com o d&b no passado. Ele enxerga um exagero nessa percepção.

—- Os melhores artistas de dubstep, como Pearson Sound, Addison Groove e Joy Orbison, não fazem mais dubstep. Estão muito mais próximos do house e do techno. Devido à mídia em torno do Skrillex, parece que a música dele é gigante, mas, como estou lá fora direto e vejo com meus próprios olhos, as coisas não são o que parecem.
Mais do que matar saudades de uma das melhores fases da música eletrônica brasileira e da noite carioca, esta vai ser uma noite para celebrar o presente. Enquanto o disco gira, o tempo não para. Como diz o MC: “Reeeeeewind, my selectah!

Tchequirau

Com bicicletas começando a ser levadas a sério como meio de transporte – mais por parte dos usuários do que do poder público, ainda – comunidades para discutir o assunto começam a se formar. Sai da Ciclovia, Bike Anjo, Transporte Ativo e Eu Vou de Bike são algumas delas.

segunda-feira

23

julho 2012

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Transcultura #88: Discos do 2º semestre // Strausz

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Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Ouvido atento para alguns dos discos mais esperados do segundo semestre
Transcultura chama atenção para músicas de trabalho de álbuns recém-lançados ou que ainda vêm por aí
por Bruno Natal

1. Tame Impala — “Apocalypse dreams”: Se a “síndrome do segundo disco” já é uma fonte de pressão, imagina a responsabilidade de gravar o sucessor de um dos melhores discos de 2010. Os australianos do Tame Impala parecem ter sobrevivido ao teste, com sobras. Antes de “Elephant”, música oficial de lançamento do novo álbum, “Lonerism”, eles soltaram esse sonho apocalíptico que mostra que a psicodelia continua.

2. Frank Ocean — “Thinking about you”: O integrante do Odd Future dedicado ao R&B tem tido dias agitados desde que tornou pública sua orientação sexual num texto no Tumblr e, mesmo em meio à fofocada que se formou, Frank Ocean colocou seu disco para audição por alguns dias e arrancou declarações de “disco do ano” por toda rede. Essa “Thinking about you” saiu no fim do ano passado e é um hit.

3. The Xx — “Angels”: Demorando à beça para dar um gosto do aguardado segundo disco, o trio inglês mostrou mais do mesmo. Só que mais do mesmo do The Xx é mais do muito bom. Frases de guitarra delicadas cantando sobre uma programação de bateria minimalista, apoiadas em $ções do baixo e cobertas por sussuros.

4. Dirty Projectors — “Gun has no trigger”: Abre-alas do “Swing Lo Magellan”, disco que acabou de sair, os vocais de soul e os vocais de apoio de coral têm como base apenas numa batida funkeada e uma linha de baixo dançando pra lá e pra cá. É basicamente isso e não precisa de muito mais. Vindo do Dirty Projectors estranheza é qualidade, e eles não decepcionam.

5. Ariel Pink’s Haunted Graffiti — “Only in my dreams”: Com os pés nos anos 1960, o Ariel Pink apresenta um lado mais pop e lapidado, coisa rara para uma banda conhecida pelas experimentações lo-fi. Talvez esse seja o caminho do disco novo, “Mature themes”, já que antes eles tinham soltado uma versão de “Baby”, do Donnie & Emerson, nessa onda.

6. Little Dragon — “Sunshine”: Uma receita quase certa para a ruindade é aguardar o resultado de uma música encomendada a uma banda legal por alguma marca. Se for de bebida, então, sai de baixo. Contrariando tudo isso, o Little Dragon atendeu aos desejos de uma vodca e manteve a pose, sem concessões, soando exatamente como o Little Dragon, como se fosse uma sobra do bom disco “Ritual Union”. Mesmo que estejam pensando num drink de frutas.

7. Major Lazer — “Get free”: Do terrível projeto dos produtores Diplo e Switch (que abandonou o barco), Major Lazer, surgiu essa fofura de chapação, com vocais de Amber Coffman (Dirty Projectors), referências orientais e uma lentidão contagiante, forte candidata a música do ano. Diplo enfim conseguiu sua nova “Paper planes”, hit que produziu com M.I.A.

Tchequirau

O menino Strausz continua sua série de remixes, dessa vez dando uma torcida em “Where Have You Been”, da Rihanna, que já tem pegada pra pista, mas fica mais pesada e levemente quebrada.

segunda-feira

16

julho 2012

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Transcultura #87: DJ Cosmo Baker // Bloc Party

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Olhaê meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

O rap virou pop. DJ americano Cosmo Baker acha essa evolução natural
Ele é a atração da festa de seis anos do blog Só Pedrada Musical, neste sábado
(N.E. já rolou)
por Bruno Natal

Após anos, o hip hop cresceu, mas não exatamente da maneira que os primeiros aficionados imaginavam. O rap virou pop. O DJ americano Cosmo Baker, atração da festa de seis anos do blog Só Pedrada Musical, do DJ Tamenpi, na Comuna nesse sábado, vê essa evolução como algo natural.

– Na época em que Puffy aproximou o hip hop do mercado comercial, era uma época em rap era algo a ser descoberto. Em 2012 é algo onipresente e a molecada cresce ouvindo esses son, então faz todo sentido que o hip hop seja música pop. É interessante ver como a galera mais nova filtra essas influências em seus trabalhos. Um dos que mais gosto é o A$AP Rocky, influenciados pelo rap sulista [dos EUA], mesmo sendo de Nova York, pois esse tem sido o som predominante. Os sons mudam e evoluem, é legal ver elementos da música eletrônica sendo incorporados. Chuck Berry não soava como os Beatles, que não soavam com os Ramones que não soavam como o Queens Of The Stone Age e assim por diante. É uma progressão.

A frente de um dos blogs mais respeitados para se encontrar bons sons, Tamenpi, produtor da festa e aniversariante da noite, está empolgado.

– O Cosmo Baker é uma grande referência pra mim daquele DJ que faz o baile. Toca diversos estilos com uma transição muito bem feita entre o hip-hop, soul, disco, rock e eletrônico, sempre mantendo a qualidade. Fazer o baile só tocando hit é fácil, conseguir se tornar uma referência no mundo tocando sons mais desconhecidos, de pesquisa, é bem diferente. Quem for, verá!

Cosmo concorda, sua onda é mesmo chacoalhar a pista, não interessa com que som.

– É um prazer animar um público aberto tanto aos novos sons quanto aos clássicos ou músicas mais obscuras. O subtexto dos meus sets é tentar desenhar uma linha entre o antigo e o novo. A melhores festas que toquei pelo mundo é para pessoas que topam isso, da The Rub ino Brooklyn à Do Over em Los Angeles, Deep Crates em Dubai, Club Harlem em Tóquio, Juicy na Noruega, Yo Yo em Londres… São fãs da boa música e de bons DJs.

O espírito de Cosmo está alinhado com o da festa. Surgida em São Paulo por causa do blog e a proposta é englobar grooves de todas as épocas e lugares em um mesmo lugar. Acreditando que limitar uma festa a somente um estilo é desperdício, Tamempi também aposta nas misturas.

– O grande diferencial é não ser uma festa de hip-hop em si. O som é um dos carros chefe, mas a idéia é passar por todas as sonoridades que acabaram resultando no hip-hop, como o soul, funk, disco, reggae, afrobeat, além de estilos que vejo como evolução do hip-hop, como o dubstep, glitch e etc.

Cosmo está ansioso em relação ao público e promete um set especial para presentear quem for conferir.

– Muitos amigos já tocaram no Brasil e falam que é uma experiência incrível, então estou bastante empolgado. Conheço um pouco de música brasileira fora do rap e pretendo homenagear esses sons. O país tem muita alma e acho que combina com o que eu toco. Definitivamente não estou encarando como apenas mais uma festa, que é algo que não faço com nenhuma festa. Tento fazer algo especial, que não possa ser duplicado, para agradecer os que vão me ouvir tocar.

Tchequirau

http://youtu.be/TkeUFRK4i7w

O Bloc Party, anunciou disco novo, chamado “Four”, e essa semana divulgou o clipe da primeira música, “Octopus”.

segunda-feira

9

julho 2012

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Transcultura #86: Lucas Paiva (People I Know) // Thrillah

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Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

O toque da novidade
Depois de produzir SILVA e Mahmundi, Lucas Paiva lança disco solo

por Bruno Natal

De tempos em tempos aparece um produtor que ajuda a formatar e lapidar algumas bandas, organizando a cena. Não se pode falar isso de Lucas Paiva ainda, porém, no espaço de um ano, o produtor participou de dos lançamentos de dois dos artistas mais elogiados da nova cena, SILVA (já comentado na Transcultura) e Mahmundi. Não satisfeito, agora Lucas lança seus próprios sons, sob o nome People I Know (Pessoas Que Eu Conheço).

– Sempre quis lançar alguma coisa mas por muito tempo não me senti pronto. Fiz várias coisas com voz na verdade e por muito tempo pensei em lançar um album de musicas pop, mas a verdade é que o que eu mais ouço é música eletrônica de quem escuta musica eletrônica mesmo, coisas que pude viver em Londres. Lancei o disco agora porque me senti pronto, para poder dar outra perspectiva da música eletrônica, uma espécie de contraponto ao som mais pop do SILVA e da Mahmundi – conta Lucas.

Antes de trabalhar com SILVA e Mahmundi, Lucio tinha produzido apenas uma banda, Dead Farmers, da Austrálias. Estudou engenharia de som, trabalhou como técnico de PA em Londres e como técnico de gravação no estúdio Visom e produziu muita coisa em casa – mais de 130 faixas, das quais 40 foram finalizadas e apenas seis entraram nesse primeiro EP. Mesmo com as faixas chamadas “Brasil 01” até “Brasil 06”, as influências brasileiras, ao menos as tradicionais, são inaudíveis.

– Não ouço muita coisa brasileira, mas gosto. Acho estranho essa nossa percepção de “música brasileira”. A verdadeira música brasileira é das tribos indígenas, o resto todo foi importado de algum lugar de alguma forma. O samba tem raiz na musica africana, o forró usa a sanfona, que é um instrumento alemão, a bossa nova puxa do jazz e por aí vai. O nome Brasil é para constatar que a música brasileira se define pelo que nós optamos por chamar de música brasileira. Se nós desenvolvermos um som assim no Brasil, esse som passa a ser uma parte da identidade brasileira também – explica.

As influências de Lucas mais claras do EP são todas de eletrônica experimental, minimal techno, juke, glitch, chiptune, ambient, de selos como Night Slugs, Workshop e até jogos de videogame, como “Final Fantasy 7”, “Sonic” e “Panzer Dragoon Saga”.

– 80% do que tenho como influência são sons que comecei a ouvir de uns três anos para cá, sons que descobri na Inglaterra. Sou fascinado pelas batidas quebradas do dubtep e pelo pratos e tons aceleradissimos do juke. O que gosto destes gêneros é que muitas vezes as batidas são feitas com tanto carinho que as musicas não precisam de muito mais. No videogame, gira em torno da escala pentatônica. Quanto aos sintetizadores, gosto mais de sons coloridos e acidos. O Brasil usou muitos timbres de sintetizadores digitais, que é uma coisa que vem sendo usado cada vez mais nos ultimos anos pela galera do Night Slugs e pelo Legowelt. De uma forma geral pode se dizer que eu gosto do som de eletronico europeu – lista Lucas.

Como quase todo novo artista que surge atualmente, os anos 80 marcam presença forte, e normalmente através de referência que na época não eram bem vistas. Nada como o tempo para reavalizar as coisas.

– Os anos 80 tem uma associação muito forte com sintetizadores, então muita música que o tem como instrumento principal acaba remetendo a essa época. Tenho uma ligação muito forte com a música dos anos 80 porque foi o que ouvi na minha infância. Os Beatles faziam as musicas que eles ouviam quando eram moleques, os rappers usam samples de discos que eles tiravam da coleção dos pais. Não estou necessariamente sempre tentando reproduzir esse som, uso o sintetizador porque é o instrumento mais prático, versatil e cheio de timbres que conheço. É questão de qual instrumento vai me dar mais caminhos musicais

Entre seus contemporâneos, Lucas indica o projeto solo do guitarrista do Dorgas, Gabriel Guerra, chamado Finalzinho Chegando (“é animal, ela está num nível que compete com os europeus”, confira em finalzinhochegando.bandcamp.com), e Reark, de Belo Horizonte. Com a agenda tomada, apresentações ao vivo do People I Know não é uma prioridade, até por Lucas não saber se existe um público para isso.

– Não conheço muita gente que ouve os artistas que me influenciam, então talvez meu trabalho não faça sentido para muita gente. Lancei porque quis dar esse meu trabalho mais eletrônica uma chance. Uso uma bateria eletrônica, um sintetizador e meu computador para fazer loops e tocar alguns sons que já estão prontos.

Lucas está produzindo o disco de Felipe Velozzo, baixista da Mahmundi, e prepara o lançamento do selo La Costa Brava, focado em eletrônica, com contribuições de produtores novos e algumas pessoas mais conhecidas que lançarão com pseudônimos.

– O foco vai ser na musica intrumental. Quero usar o Costa Brava para mostrar pro as pessoas que o mundo de Night Slugs, Burial, James Blake, Nicolas Jaar é todo o mesmo. Muita coisa do underground eletrônico vai se popularizando com o passar do tempo.

Tchequirau

Michael Jackson ressuscitou e foi dar uma volta em Kingston. Não é bem isso, mas é a tentativa da Easy Star, que já fez versões dub de discos do Pink Floyd, Beatles e Radiohead, com o autoexplicativo “Thrillah”.

segunda-feira

2

julho 2012

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Transcultura #85: Sun Araw & The Congos // Kitty Pride

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Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Flutuando nas nuvens do dub
Nono lançamento da série Frkwys, o disco ‘Icon give thank’ é o resultado da gravação do Sun Araw e M. Geddes com o The Congos
por Bruno Natal

Nono lançamento da série Frkwys, do selo Rvng Int, juntando influenciados com seus influenciadores, o disco “Icon give thank” é o resultado de sessões de gravação do Sun Araw e M. Geddes com o The Congos (juntos, na capa do CD e ao vivo) realizadas na Jamaica e registradas por Tony Lowe no documentário “Icon Eye”. Trata-se de um respiro de revitalização no dub, longe de um retrô modorrento que busca inutilmente repetir o passado.

Como diz o programa infantil, senta que lá vem a história. Em 1977 foi lançado “Heart of the Congos”, do The Congos, disco que é tido por muitos como o melhor a sair do Black Ark, lendário estúdio do produtor jamaicano Lee “Scratch” Perry (incendiado pelo próprio como maneira de purificar o ambiente). A afirmação é forte, pois foi da arca de Perry que saíram outras tantas faixas fundamentais, como “Police and thieves” (Junior Murvin), “War inna Babylon” e “Chase the devil” (Max Romeo) e “Vibrate on” (Augustus Pablo) — todas parte da coletânea “Arkology”. Não é pouca coisa. A estreia com uma obra-prima aprisionou o The Congos, que nunca mais conseguiram repetir o feito, ainda mais sem Perry. Mesmo assim, por conta do disco, o grupo continuou cultuado.
Corta para 2012. Num tempo em que o dub se tornou pastiche de si próprio, poucos artistas conseguiram dar sequência às experimentações sônicas dos engenheiros de som jamaicano. A tarefa não é fácil, claro, mas também não é impossível. Do trip-hop do Massive Attack ao dubtronic do Mad Professor, dos lançamentos do selo alemão Rhythm and Sound até parte respeitável do dubstep produzido por Kode 9 e Burial no selo Hyperdub, caminhos existem. E um dos mais promissores passa por Sun Araw, de Los Angeles.

Combinando mantras lo-fi, afrobeat e krautrock, imersos em uma ambiência densa e psicodélica, encharcada de efeitos, o Sun Araw faz um som transcendental que tem os dois pés, as duas mãos e, principalmente, a cabeça flutuando nas nuvens do dub. Sem exatamente se propor a evoluir o gênero, em muitos níveis foi o que acabou fazendo, levando o dub para um passeio bem longe. Por isso, a colaboração entre Sun Araw, M. Geddes e The Congos tornou-se um dos lançamentos mais aguardados para os amantes dos sons viajantes.

Tchequirau

Uma menina da Flórida começa a ganhar o mundo após colocar suas músicas confessionais no Tumblr. Kitty Pryde já vê sua “Ok Cupid” tomar proporções que ela não imaginava e anda levando pedrada dos puristas do rap.