quarta-feira

18

janeiro 2006

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A escola independente

Written by , Posted in Resenhas

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Moptop
foto: Joca Vidal

Entrando em sua terceira semana, o festival Humaitá pra Peixe retomou os trabalhos com o Mutreta e a revelação carioca Moptop. O Espaço Cultural Sérgio Porto estava lotado pra conferir as bandas.

Mostrando um rock com influências de Barão Vermelho, Black Crowes e climas viajante, o Mutreta abriu a noite sem inovar. Apoiado por músicos competentes e muito bem ensaiados, o vocalista Fred Entringer, anfitrião do evento Rock na Varanda e figura conhecida da cena carioca, estava em casa. Até música pra mãe ele dedicou. Entretanto, pelo circuito que vem percorrendo, o Mutreta pode estar mirando na faixa etária errada, um pouco abaixo do público-alvo desse tipo som.

O Moptop veio em seguida e parece ter subido no palco com o pé esquerdo. O volume do som oscilava, a guitarra base berrava, abafando o som da guitarra solo e dificultando a audição do vocal e das letras das músicas. Alheios a tudo isso, o pessoal da mesa de som (da equipe da própria banda) sorria, cantava, dançava e tirava fotos, sem parecer muito preocupados com o bolo sonoro que saía dos alto-falantes e prejudicava bastante a performance do quarteto.

Nervosos com o pandemônio em que ia se transformando sua aguardada apresentação no HPP (tanto por eles, quanto pela platéia), o Moptop parecia travado, ansioso pra resolver o problema. Enquanto a situação não melhorava, o telão bacana, produzido pela rapaziada do 6D Estúdio, chamava atenção e distraia.

O rock dançante, de guitarras sujas, bateria marcada e letras espertas do Moptop, de influências contemporâneas como Strokes, Bloc Party, Kings of Leon e Los Hermanos, preenche um espaço até agora vago no cenário brasileiro. A cada show as referências vão ficando menos explícitas e a banda vai encontrando sua sonoridade. É só dar tempo ao tempo. Falta agora abandonar de vez as letras em inglês (que teimam em ressurgir).

Lá pela quarta música — talvez por obra divina — o som deu uma melhorada. Mesmo sem estar no ponto ideal, foi o suficiente pra relaxar a banda e fazer o show crescer. O púlbico veio junto, reagindo melhor as músicas, culminando no hit “O rock acabou”, com coro e palmas da platéia. Atendendo aos pedidos, o Moptop voltou para o bis, tocando a raramente executada “Bem melhor”.

Foi um show abaixo da média do grupo, mas nem por isso ruim. E ensinou uma lição importante: disposição no palco conta mais do que um som impecável, afinal, o show tem que continuar. A vida independente é mesmo a melhor escola.

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  1. Hector Braga

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