Monthly Archive: maio 2003

quarta-feira

21

maio 2003

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Trilogias

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Não vou dar detalhes para não estragar a surpresa, podem ficar traquilos. Assisiti Matrix Reloaded ontem e saí sem gostar do filme. Tem ação pacas. Depois de um bom papo percebi que, felizmente, as mensagens nem tão subjetivas assim continuam ali. O final da trilogia, Matrix Revolutions, deve ser fiel ao título e apresentar o resultado da revolução proposta desde o primeiro capítulo.

Lembrei então de indicar uma trilogia que pode ser chamada de “bem-vindo ao mundo real”: os filmes Matrix, Clube da Luta e todos os discos do Rage Against the Machine, uma trilogia dentro da trilogia.

A imagem que ilustra o texto é uma adaptação/tradução da que acompanha o poema do encarte de um disco do RATM, “Renegades”, lançado após o fim da banda, só com versões de músicas que inspiraram a banda, como “Maggie’s farm”, do Bob Dylan, e “Street fighting man”, dos Rolling Stones.

Copie e mande a imagem para quem você achar que precisa desta mensagem.

quarta-feira

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maio 2003

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maio 2003

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Revista Zero, Maio/2003

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Resenha do terceiro disco do Los Hermanos, “Ventura” (BMG), que escrevi para revista Zero.

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O Los Hermanos ainda é — e talvez sempre seja — lembrado pela maior parte das pessoas como a banda da “Anna Júlia”. Isso é praticamente irreversível. O que pode variar é a maneira de interpretar esse fato. Existem duas opções. A mais simplista é tomar a parte pelo todo, acreditar que não passaram de um efêmero sucesso radiofônico e esquecer o assunto. A outra opção é analisar como encararam este sucesso, suas reações e no que isso resultou.

Depois do passeio pelo o que há de mais pop na música, os Hermanos viveram o oposto disso. Programas de auditório e versões do hit (de artistas tão diferentes quanto Frank Aguiar e Jim Capaldi) ficaram para trás. Quem esperava que eles fossem voltar num disco grudento, tentando igualar as 350 mil cópias vendidas pelo primeiro, tomou uma porrada quando ouviu o “Bloco do Eu Sozinho”. Fugindo do caminho mais fácil, optaram por crescer musicalmente e partir em busca da própria identidade.

Considerado difícil de trabalhar por sua gravadora na época, a extinta Abril Music, o “Bloco” quase não saiu. Só que a mudança não foi apenas sonora, foi também de postura. Além de peitar a gravadora e conseguir lançar o disco, o Los Hermanos passou a recusar apresentações de TV que exigissem “Anna Julia”, baniu a música dos shows e não aceitou mais fazer playback. Com isso, trancaram-se do lado de fora do mundo da grande mídia. Mas ficaram com a chave.

O novo disco, “Ventura”, agora pela BMG, é um vôo à meia altura. Após o sucesso de público no primeiro e o de crítica no segundo, pode ser que agora atinjam ambos. Não que esse tenha sido o objetivo, as músicas não refletem este tipo de preocupação e continuam com tanta personalidade quanto a banda.

“Ventura” é o amadurecimento do formato que começou a surgir no segundo disco, como se desse o passo definitivo na direção apontada pelo “Bloco”. As músicas ganharam mais unidade entre si, sonora e esteticamente, o que acaba tornando o disco mais fácil de escutar. Sem perder a qualidade. Público e crítica, olha só.

Esse resultado deve-se muito à decisão de convidar o amigo Kassin (ex-Acabou la Tequila) para produzir e de gravar no clima caseiro de seu estúdio, o Monoaural. De maneira geral as músicas estão mais lentas que no anterior. Como os shows do Los Hermanos geralmente são bem agitados, dá curiosidade de saber como devem ficar ao vivo. As referências musicais, filtradas à maneira da banda, são perceptíveis.

“Samba a dois”, logicamente um samba, abre os trabalhos e Marcelo Camelo desafia: “quem se atreve a me dizer/do que é feito o samba”. Os metais de “O vencedor” emulam Beck em fase “Midnite Vultures”. Rodrigo Amarante dá as caras na quarta música, “Último romance”, uma das letras mais legais de “Ventura”.

Os teclados estão menos tímidos e Bruno Medina até sola. Além da sonoridade, hora lembrando João Donato, hora Weezer, tem piano também. Como em “Conversa de botas batidas”, responsável pelo momento Ivan Lins.

É difícil definir um tema para “Ventura”. No entanto alguns se fazem bastante presentes. Televisão aparece em cinco letras, paz em outras três e Deus é citado em seis das quinze músicas, quase sempre por Camelo. Ora duvidando, em “O pouco que sobrou” (Se existe Deus em agonia/manda essa cavalaria/que hoje a fé me abandonou) e “Conversa de botas batidas” (Deus parece às vezes se esquecer), ora acreditando, como em “De onde vem a calma”, que fecha o disco (Deus vai dar aval sim/o mal vai ter fim). Curioso, nada além disso.

Na levada surf music à la The Pop’s de “A outra”, Marcelo canta no feminino. A boa “Cara Estranho” é primeira música de trabalho e também a guitarra mais pesada do disco. Não tem refrão, mas cadê que sai da cabeça? Não mesmo. Amarante volta em “O Velho e o moço”, lembrando “Sentimental”, do “Bloco do Eu Sozinho”. A parte final de “Além do que se vê” traz o arranjo de metais mais bonito do disco e a guitarra de “Um par”, novamente com Amarante, não nega a influência Strokes.

O caminho traçado pelo Los Hermanos parece uma conseqüência lógica, uma evolução proporcionada pelo tempo de estrada e convivência. Num mercado em que músicos têm cada vez menos tempo e chance de evoluir, o fato do de chegar ao terceiro disco é uma vitória. O Los Hermanos não foi engolido pelo mercado fonográfico. Pelo contrário, está caminhando para fazer justamente o inverso. Questão de tempo.

A porta está trancada, mas lembre-se: a chave está com eles.

terça-feira

20

maio 2003

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Sensacional

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Clique aqui e leia uma versão do URBe traduzida para o inglês.

Trata-se de uma ferramenta de tradução automática oferecida pelo Google. O resultado acaba sendo mais engraçado do que útil, meu nome, por exemplo, passa a ser Native Bruno. No fim das contas, até que ajuda a dar pelo menos uma idéia do que se passa por aqui para os que não falam português.

terça-feira

20

maio 2003

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Esquerda magnética

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O trânsito é uma das coisas mais estressantes do Rio. Primeiro, claro, porque é no carro que a grande parte dos casos de violência urbana tem acontecido. Segundo porque os motoristas cariocas desenvolveram uma estranha atração pela faixa da esquerda. Atração não, compulsão.

Pode ser a emoção de estar na pista de velocidade. Pode ser a adrenalina de ver uma Ranger desenfreada no retrovisor, piscando farol, coladinha na traseira do seu carro. Ou somente a falsa sensação de que seu Gol 1.0 realmente é capaz de correr. O fato é que essa esquizofrenia está transformando as ruas do Rio numa Londres tupiniquim.

Existem lugares que a qualquer hora do dia que se passar por ali, não precisa nem pensar, a pista da direita vai estar andando mais rápido. Elevado do Joá, Avenida das Américas e Borges de Medeiros são casos clássicos, padrão. Se existem os idiotas de plantão, correndo a 120km/h e exigindo que você ou saia da frente ou acelere junto, existe também uma turma que abusa da lerdeza. Adoram passear a 50km/h (40km/h se forem táxis, ah, os táxis…) em vias com velocidade máxima de 90km/h, engarrafando o trânsito e prejudicando todo mundo.

Pouca gente sabe, mas o Código Nacional de Trânsito prevê multas pra quem dirige a menos da metade da velocidade máxima: infração grave, menos 7 pontos na carteira por trafegar em velocidade inferior a permitida. Essa eu estou pra ver.