domingo

21

Janeiro 2018

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O furacão BaianaSystem (spoiler: não é hype)

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Russo Passapusso extasiado na Fundição, na última sexta (19/jan)
foto: Rodrigo Ferraz (@rodrigoxfr)/@zimel.com.br

“A gente se vê na rodinha!”, disse uma atriz global para amiga blogueira de moda na porta Fundição Progresso, na entrada do show do BaianaSystem.

Juntos entravam moleques de boné, meninas de camiseta e chinelo, quarentões, DJs, público de música eletrônica, gente do carnaval, playboys… Tudo muito misturado, num show que aconteceu apenas um mês após um show lotado no Circo Voador.

A cena e a frase resumem a febre que se tornou os shows do grupo baiano, constantemente apontado como “melhor show do Brasil”, algo repetido nas rodinhas e legendas do Instagram pós show. O BaianaSystem rompeu a bolha e conseguiu se conectar a um público amplo.

Nome manjado no circuito de música há muitos anos, a banda desponta em 2018 como bola da vez, uma banda brasileira capaz de causar um estrago em qualquer festival internacional do mundo.

A pergunta é: por quê?


Vou responder a justa pergunta do @kallebdaniel

O BaianaSystem é a epítome de tudo que uma banda deve ser hoje: num mercado encharcado de lançamentos diários, mais do que música, uma banda precisa oferecer uma experiência catártica, seja através do discurso ou, ainda melhor, de uma apresentação ao vivo transformadora.

Ao cumprir os três pontos, o BaianaSystem conseguiu unir pontos em uma rede por vezes isolados. O fanático por música e produção, os engajados em causas e aqueles – que mal tem? – que só querem pular.

É justamente por atacar em 360º que só há um caminho para entender (e ser cooptado) o fenômeno BaianaSystem: ao vivo.


foto: Rodrigo Ferraz (@rodrigoxfr/@zimel.com.br)

Quase não fui no show de sexta porque estava com preguiça de pular por duas horas e ficar ensopado de suor. Assim como num bloco de carnaval (onde a banda tem bastante experiência), ir ao show do BaianaSystem é se jogar com tudo. Não há meio termo, não há espaço para o observador. Cada pessoa que vai a um show espalha relatos sobre a experiência e assim o público cresce. Não há outra porta de entrada.

Os vídeos da banda ao vivo, postados no Stories em cascata após cada show, são tentativas de encapsular um sentimento, impossível de conseguir através das imagens tremidas e parcas visões do palco.

Os discos da banda não tem metade da pressão dos shows (salve, SekoBass!), soam magros e não fazem jus, então pode esquecer seu Spotify – o que já é uma bela contribuição da banda para resgatar velhos hábitos de se ouvir música (o disco de remixes “Outras Cidades”, com faixas entortadas por Digitaldubs, Omulu, ATTOOXXÁ, Mag Bo e outros, funciona muito melhor).

Olhando o público diverso, suado, arrebentado, saltando e se chocando por duas horas ininterruptas têm-se a certeza de que o BaianaSystem popularizou o pogo. Gente que nunca passou perto de uma rodinha num show, se joga como se tivesse frequentado shows de punk a vida toda.

Instigado pelo vocalista Russo Passapusso e pelo dançarino Elivan Conceição, a movimentação do público lembra a de um trio elétrico, fazendo com que se percorra toda a pista, cada hora assistindo uma música de um ponto diferente da plateia.


foto: @juliana_ncs

O BaianaSystem não é um caso isolado. Faz parte de um movimento em Salvador conhecido como Bahia Bass (inicialmente Axé Bass), envolvendo vários outros coletivos e festas, como Som Peba, A.MA.SSA, Lord Breu, Mauro Telefunksoul. O destaque atual é o ÀTTØØXXÁ (ouça “Rebola Raba” e imagina isso ao vivo), hoje empresariado pela mesma pessoa que ajudou a trazer o BaianaSystem até aqui.

Idealizado pelo guitarrista Roberto Barreto e desde 2009 no corre, o BaianaSystem teve origem explorando as possibilidades da guitarra baiana (dos mestres Dodô & Osmar) num sound system de reggae. A forte influência jamaicana, africana, caribenha (e, citando BNegão no release da banda, ijexá, afoxé, dancehall, pagodão, sambareggae, cumbia, chula, dub, cabula, kuduro, samba duro, cantiga de roda, eletrônica..) e a potência ao vivo remetem a experimentos das melhores fases de nomes como Nação Zumbi e O Rappa.

Como não poderia deixar de ser nos tempos atuais, a banda é conectada a uma vasta rede de colaboradores (a camiseta do Russo dos niteroienses pioneiros online do Quinto Andar não foi à toa). Na Fundição receberam BNegão, Pedro Luis, Leo Justi e Lucy Alves. Nos discos trabalham com nomes como Ícaro Sá (Orquestra Rumpilezz), Japa System (Timbalada) e Márcio Vitor (vocalista e fundador do Psirico), Chico Corrêa, Mahal Pita e João Meirelles, Daniel Ganjaman, Junix, Siba, Lucas Santtana… Tudo isso informa o resultado final.

O visual da banda é primoroso. Capitaneado por Filipe Cartaxo, as fotos, vídeos e cenografia (o Instagram da banda é muito bem editado),  amarram os vários conceitos da banda, com destaque para as máscaras distribuídas nos shows, unindo o público e ajudando a consolidar o formato de culto em torno da banda.

Quando uma banda tá quente é um coisa, agora, quando fica pelando, começam os questionamentos sobre se não passa tudo de hype. Não é. Hype até pode gerar burburinho além da conta,  mas não consegue causar as reações físicas que o Baiana vem causando nos palcos.

Toda essa teorização vai pro espaço no momento que o show começa e se cai dentro de dos muitos furacões puxados pelo BaianaSystem, girando por toda casa. Para entender o Baiana basta assistir ao vivo. É infalível.

quinta-feira

18

Janeiro 2018

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quarta-feira

17

Janeiro 2018

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Trailer: Lady Bird

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Conhecida pelo excelente “Frances Ha” (de Noah Baumbach) e por “Para Roma com Amor” (de Woody Allen), Greta Gerwig estreia solo na direção em “Lady Bird”, sem participar na tela. Pelo trailer, parece mais coisa boa da vindo musa do mumblecore.

quarta-feira

27

dezembro 2017

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Os bons discos de 2017

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A cada ano as muitas listas de melhores discos tem ficado cada vez menos homogêneas. E isso é muito bom.

O volume de lançamentos atual – e o fácil acesso a praticamente todos eles – torna impossivel dar conta de tudo.

Cada um entra numa viagem pessoal nas diversas plataformas de streaming, 3′ que um disco te leva a outro e a cada curva nesse emaranhado de gravações torna a experiência úmica.

Sim, as unanimidades seguem surgindo e e por mais que alguns discos pareçam onipresentes, isso vai se tornando cada vez mais a excessão do que a regra.

Como venho fazendo há alguns anos, em vez de “melhores”, temos os “bons discos de 2017. Esse ano juntei no mesmo post os brasileiros e de outros lugares do mundo (até onde consegui acompanhar).

Num universo cada vez mais voltado aos singles e repleto de bandas de uma música só, ouvir um disco inteiro é cada vez mais uma experiência especial.

E para o ouvinte, inundado de opções, essas listas talvez sirvam mais como um guia, iluminando o que possa ter passado batido – inclusive discaços de bandas que as vezes parecem de uma música só.

Vamos a turma de 2017. Em cada bloco, destaque para o mais importante na lista, o restante segue sem nenhum ordem especial.

Abaixo, uma playlist com uma música de cada disco escolhido pra facilitar chgar a cada um deles.

Segue a lista!

Brasil

Lucas Santtana, “Modo Avião”

O baiano Lucas inovou em seu sétimo disco. “Modo Avião” é um áudio-filme, termo cunhado por ele para definir a combinação de músicas e literatura em que um formato alimenta o outro para contar uma história. O disco físico é acompanhado de um livro de ilustrações, mas a melhor forma de acompanhar a história é de olhos fechados. Como o título deixa explícito, o disco é um convite a se desplugar e praticar um hábito que parece perdido: parar tudo e ouvir um disco, do início ao fim. Se a proposta soa ousada, quase um desafio nos tempos atuais, torna o bom resultado musical final ainda mais relevante, quase um manifesto.

Rincon Sapiência, “Galanga”

Felipe S, “Cabeça de Felipe”

Domenico Lancelotti, “Serra dos Órgãos”

Castello Branco, “Sintoma”

Mari Romano, “Romance Modelo”

Chico Buarque, “Caravanas”

Baco Exú do Blues, “Esú”

Letrux, “Em Noite de Climão”

Otto, “Ottomatopeia”

Cícero, “Cícero & Albatroz”

Mundo

Kendrick Lamar, “DAMN.”

Kendrick segue dominando o cenário hip hop mesmo quando faz “concessões” em prol de um disco “mais pop” (na definição dlee próprio). Letras, temas, bases, clipes e técnica de divisão e abrangência vocal impresionantes (antes, com uma banda ao vivo, ainda entregava um showzão) colocam Kendrick no topo, mesmo sem liderar a corrida de hits em que se transformou a cena.

Cosmo Pyke, “Just Cosmo”

Thundercat, “Drunk”

Mount Kimbie, “Love What Survives”

War on Drugs, “A deeper understanding”

Chastity Belt, “I Used to Spend So Much Time Alone”

Curtis Harding, “Face Your Fear”

Sampha, “Process”

Moses Sumney, “Aromanticism”

SZA, “Ctrl”

Mac DeMarco, “This Old Dog”

quarta-feira

27

dezembro 2017

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