terça-feira

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janeiro 2006

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Vai tocar o sinal

Written by , Posted in Resenhas

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ForFun
foto: Joca Vidal

Na noite de estréia do Humaitá pra Peixe 2006 o Sergio Porto recebeu uma invasão adolescente, no que pode ter sido o dia mais disputado do evento, mesmo sendo o primeiro. O motivo eram as bandas Besouro Zorah e, principalmente, o ForFun. Mais do que a música em si, a ocasião valia para analisar (e tentar entender) esse fenômeno.

Com um disco produzido por Liminha (lançado pelo seu selo, o Supermusic, com distribuição da Universal) e a música “História de verão” estourada no rádio, o ForFun já conta com uma boa estrutura, tanto de equipamentos, quanto de equipe. Some a isso o tempo de estrada e está explicado porque, durante sua apresentação, a empolgação do público beirou o descontrole.

Foi um dia de aula em plenas férias de Janeiro, com direito a desmaios (de calor, não de emoção), invasões de palco e muitas broncas. A turma deu bastante trabalho para equipe de inspetores, quer dizer, seguranças, além de ter exigido diversas intervenções do diretor, opa, produtor do HPP, Bruno Levinson, pedindo para o público maneirar no empurra-empurra, sob a ameaça de suspender a apresentação. Igualzinho a um recreio de colégio.

O show do Besouro Zorah foi um pouco mais calmo, não apenas nos quesitos quantidade e histeria dos fãs, como também na energia da banda no palco. É que o trio ainda está no princípio de um longo caminho, já trilhado pelo ForFun.

Esse caminho é o que mais interessa observar. Em comum, além do hardcore bubble gum e das letras repletas de gírias adolescentes, ambas as bandas construíram seu público e sua cena através da distribuição de músicas na internet, contato ativo com os fãs através de blogs, flogs e do boca-a-boca do circuito de saraus de colégios, quem vem substituindo a falta crônica de lugares pra tocar no Rio.

Enquanto o Dibob – uma das primeiras crias desse circuito no Rio – conquistou seu público sozinho, mas precisou assinar com uma grande gravadora para tocar no rádio e na TV, o ForFun conseguiu a mesma exposição sem fechar contrato com multinacional. Resta saber quando vai surgir uma banda que vai dar o último (e talvez mais importante) passo à frente: depois de conquistar seu público e emplacar músicas no rádio e na TV, dispensar as grandes gravadoras na hora de partir pra luta e disputar espaço no mercado.

Com as mudanças na indústria da música cada vez mais aceleradas e irreversíveis, esse dia não parece longe. As bandas estão fazendo a sua parte e a imprensa começa a entender o seu papel nesse contexto. Falta apenas um dos fatores para fechar a equação: o público exigir (seja das rádios, TVs ou gravadoras), de verdade, espaço para o que quer ouvir e não apenas aceitar as imposições da mídia.

Independente de se gostar ou não dos nomes em questão, isso não é relevante aqui, o fato é que eles estão conseguindo fazer o que muita banda independente bacanuda não conseguiu: se impor no mercado criando seus próprios caminhos.

Uma molecada bem além do underground está consumindo bandas alternativas, coisa que há muito tempo não se via no Rio. Uma nova geração de público está se formando, indo atrás do próprio gosto (ou o dos amigos), sem os vícios impostos pelos esquemas de mídia e voando abaixo do radar das grandes gravadoras. Isso só pode ser bom.

Ainda na correria, o Besouro Zorah mostrou que não está de bobeira e fez o dever de casa. De olho no futuro, aproveitaram a presença maciça do seu público alvo no Sérgio Porto para distribuir, de graça, seu EP, produzido pelo ex-Legião Urbana Dado Villa-Lobos.

No final, como numa saída de colégio particular, havia uma grande fila de carros para buscar os adolescentes. Passava das 22h, hora de ir pra cama e sonhar em ser estrela do rock. Hoje em dia, isso é possível.

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3 Comments

  1. *juju*

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