quinta-feira

24

abril 2014

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Transcultura #134: Neguimbeats // Pastor Arnaldo

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Versão integral e sem edição de um texto de fevereiro da “Transcultura” (coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo) e esqueci de republicar aqui:

O voo de Neguimbeats
Produtor musical radicado em Goiânia toca pela primeira vez no Rio, mostrando o som do seu EP de estreia
por Bruno Natal

Natural do Ceará e vivendo em Goiânia há 14 anos, José Higo Pereira é um rapaz de 21 anos que essa semana andou de avião pela primeira vez. O fato surpreende quem conhece seu trabalho como NeguimBeats pela rede. Lançado por um selo internacional e tendo suas músicas incluídas em sets de DJs de diferentes partes, seria de se imaginar que José estivesse viajando bastante.

Como se sabe, no mundo digital as músicas viajam muito mais rápido que as pessoas e só agora NeguimBeats voa para chegar ao Rio e tocar na festa Doom, essa sexta na boate Cave [já tocou], dedicada ao hip hop e suas vertentes.

Seu EP “Sweet Life”, uma coleção de batidas chapadas fritas por sintetizadores emulados num teclado, foi lançado pela Darker Than Wax. O selo é baseado em Singapura dedicado ao deep soul, house, hip hop instrumental e outras viagens pela black music e que reúne artistas de lugares tão distantes quanto França, Austrália, Estados Unidos, Brasil e outros países.

– Meu primeiro contato com a DTW foi através de uma mensagem no Soundcloud quando o Dean, fundador do selo, me convidou para fazer uma colaboração. No mesmo dia ele já me chamou para fazer parte da família, aceitei e fizemos minha entrada, com uma música chamada “Hallelujah”.

A sonoridade o aproxima de outros brasileiros, como CESRV e Sants (ambos já passaram aqui pela Transcultura), também chamando atenção internacionalmente, mesmo que ainda de maneira tímida. O contato de José com o universo da produção musical se deu através de um outro tipo de viagem, espiritual, na igreja.

– Na virada de 2005 para 2006 fui para igreja evangélica e lá aprendi a tocar bateria e violão, comecei andar de skate, até que em 2010 um amigo me mostrou o programa Fruity Loops para fazer batidas e fiquei louco pra aprender. Eu trabalhava como auxiliar administrativo em uma metalúrgica, quando comprei meu primeiro e atual computador, instalei os programas e fui me virando sozinho e seguindo dicas. Logo conheci o Victor Beats e o Kolombiano, que me ajudaram muito. Hoje esse time se chama MeiaDoisBeats.

A sonoridade do NeguimBeats não é tropical, mesmo porque suas referências são outras.

– Minhas influências são gospel, black music, bossa nova, jazz-fusion, soul, funky. Gosto de escutar trap, rap dos anos 90, future bass, future beats, deep house, neo soul, r&b. Tem um produtor dos EUA chamado Sango (que também já foi assunto aqui na Transcultura) que tem um EP só com samples de funk carioca que me dá vontade de escutar sempre.

Tímido nas respostas, José credita o reconhecimento inicial das suas batidas ao fato de fazer música que “chegue com amor aos ouvidos das pessoa”.

– Acho que gostam do sentimento. Nesses três anos o que mais me emocionou foi ter conquistado o 2º lugar na Battle Beats 2012, em São Paulo, e agora tocar no Rio. Tem rolado convites de outros selos do exterior para produzir, fazer colaborações e até mesmo lançar outros EPs.

Agora que começou, os planos.

– Quero fazer meu segundo EP ainda esse ano. Esse tipo de música é meio novo no Brasil,não são todos que gostam.Lá fora acho que o contato é um pouco mais fácil, mas também não deixa de ser saturado.

Tchequirau

Ultimamente tenho encontrado paz momentânea nas palavras do Pastor Arnaldo, sempre tocando a real, mesmo quando o assunto é delicado.

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