segunda-feira

29

agosto 2011

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Transcultura # 059: The Rapture, George Harrison doc

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Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

As novas ondas surfadas pelo Rapture
Após cinco anos sem gravar, o grupo The Rapture está de volta com o disco “In the grace of your love”
por Bruno Natal

“Navegar, navegar pra longe, sem nunca olhar pra trás”. O verso da música que abre “In The Grace Of Your Love”, terceiro disco do The Rapture, “Sail Away”, descreve o que aconteceu com a banda fez nos últimos anos: sumiu, sem olhar pra trás. Durante o sumiço, o baixista e vocalista Mattie Safer saiu e houve rumores de que seria o fim.

Cinco anos após o lançamento de “Pieces of the People We Love”, no mesmo ano que James Murphy decidiu tirar o LCD Soundsystem de cena, um das principais bandas lançadas pelo seu selo DFA, o The Rapture está de volta – e de volta também ao selo, com o qual rompeu após o primeiro disco, “Echoes”.

Muita coisa mudou de lá pra cá, foi bastante tempo. Agora um trio, com Luke Jenner assumindo os vocais sozinho, o The Rapture mudou também. O disco-punk sujo do primeiro disco e o groove do segundo dão lugar a uma sonoridade mais orgânica, menos editada, mais espacial. Aos 36 anos, Jenner está mais contemplativo, tanto nas letras quanto na sonoridade.

Produzido por Philippe Zdar (integrante do Cassius e também produtor de discos do Phoenix) e com lançamento marcado para 6 de setembro, “In The Grace Of Your Love” já está na rede, em diversos formatos. O lançamento do disco num show no último dia 16 no Brooklyn, casa da banda, foi seguida de uma transmissão de vídeo direto dos escritórios da DFA, conhecida como White Out Sessions, em que as músicas foram tocadas a partir do vinil teste do disco, impossibilitando a extração de MP3 de qualidade. Mesmo assim, logo eles surgiram.

Pode ser difícil identificar traços do The Rapture de 2006 em “Roller Coaster” e “Blue Bird”, porém o balanço conhecido da banda dá as caras na primeira música a ser lançada, “How Deep Is Your Love” e também “Never Die Again”. Na faixa título, com o vocal enxarcado de reverb enquanto Jenner repete a frase “In The Grace Of Your Love” tal qual um pastor, nota-se o que ele se esforça para cantar mais e gritar menos. Numa banda que se tornou conhecida muito mais pela atitude do que pelo refinamento técnico (basta ouvir “House of Jealous Lover”), é uma grande mudança.

Fugindo a qualquer parâmetro proposto pela banda, até mesmo nesse disco, a excelente balada “It Takes Time To Be a Man” encerra o disco. Recado dado: para virar homem, leva tempo. Adaptando-se a passagem dos anos, é por esses mares que o The Rapture andou navegando.

Tchequirau

Caçula dos Beatles, George Harrison foi retratado em um documentário por Martin Scorcese. Essa semana surgiu o trailer de “George Harrison: Living In The Material World”.

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