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setembro 2010

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Transcultura #018 (O Globo): Clipes no século 21, "B1"

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Texto da semana passada da coluna coletiva “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

A renascença do clipe
Vídeos de música ganham fôlego com ótimas experiências interativas online
por Bruno Natal

Quando em 2006 a MTV brasileira decretou que os clipes deixariam de ser exibidos nos principais horários da sua programação, para muitos o formato parecia estar vivendo seus últimos dias. O simples fato dos vídeos de música serem responsáveis por uma imensa parcela dos acessos ao YouTube serve para mostrar que, não apenas o formato continua vivo, como vem tomando outros caminhos.

Tanto é que existem bandas atualmente que sobrevivem mais pelos vídeos interessantes do que pela própria música, caso do Ok Go. Ao se decretar o fim do clipe, o principal erro (além da própria noção de se decretar o fim de qualquer coisa) foi não pensar além. O clipe on-line lançado pelo grupo canadense Arcade Fire no início dessa semana provou que o momento é de transição, não de encerramento.

As super produções resistem, vide os clipes recentes da Lady Gaga e do Black Eyed Peas, porém a tendência de se realizar pequenos filmes para cada música anda em baixa. Grande parte dos vídeos serve mesmo para preencher a tela enquanto se houve música no computador e cada vez mais tem sido feitos pelos próprios artistas, as vezes de maneira caseira

Com um alto investimento numa ideia simples, o Arcade Fire inovou com o clipe de The “Wilderness Downtown”. Devido ao formato inédito, o vídeo só pode ser assistido no saite criado em parceria com o Google e chamado de um “experimento Chrome”, nome do navegador do gigante das buscas.

Antes de assistir o clipe o vídeo é preciso preencher um campo com o nome da rua onde você cresceu. De posse dessa informação, o vídeo, focado num personagem encapuzado correndo por uma rua, acessa o Google Maps para localizar a rua em questão e inserir imagens captadas através das câmeras do o Google Street View. Diversas janelas começam a abrir simultaneamente, combinando as imagens do clipe com as da sua rua, criando uma experiência íntima. Isso, claro, se sua rua já tiver sido mapeada pelo serviço – e no Brasil poucas foram.

No final, pede-se que escreva uma mensagem para o seu “eu do passado” (ah, o Arcade Fire…) e você pode enviar o seu vídeo por e-mail para amigos. Haverá uma segunda fase, com detalhes ainda sem segredo, em que cartões postais digitais se materializarão no mundo físico na forma de sementes de árvore (não estou dizendo?).

O projeto serve também como um portifólio das capacidades do HTML5, linguagem de programação que vem ganhando o espaço antes ocupado pelo Flash, padrão até ser bloqueado pela Apple, em favor da sua própria linguagem iOS, motivo pelo qual o Google deve ter se interessado tanto por isso. Isso explica a aparência rústica das muitas janelas que se abrem, com abas aparentes, ainda que seja válida pela experiência com novos formatos de exibição, além dos tradicionais 4:3 e 16:9 (modo cinema, widescreen).

Há outras tentativas. Dirigido pelo mesmo Chris Milk, o “The Johnny Cash Project” convida fãs para criarem o clipe de “Ain’t No Grave” criando desenhos e ilustrações em cima de fotografas originais de Cash ,utilizando ferramentas disponibilidades na próprio página. Foram mais de 5 mil contribuições. Os resultados são então classificados como “abstrato”, “desenho”, “realista” ou “pontilismo”. Dá pra assistir diferentes versões do vídeo, baseadas – em cada uma dessas categorias – pelas colaborações mais recentes ou pelos fotogramas mais bem votados por outros usuários.

A banda Cold War Kids optou por ago mais funtional, além de muito bem executado, para o clipe de “I’ve Seen Enough”. Na página www.coldwarkids.toolprototype.com você enxerga os quatro membros da banda e pode selecionar quais instrumentos entram e saem da faixa, mixando a música em tempo real. Outro fenómeno foi “Soy Tu Aire”, da espanhola Labuat. Mesmo com a breguice, espalhou-se pela web por conta da força do clipe, que é uma pintura, literalmente, permitindo o usário criar desenhos baseados em pinceladas enquanto escuta a música.

O vídeolipe morreu. Viva longa ao vídeoclipe.

Tchequirau

Após vários festivais, incluindo o prestigiado canadense HotDocs, o documentário “B1, Tenório em Pequim”, de Felipe Braga e Eduardo Hunter Moura, finalmente estreia no Brasil, hoje. A jornada do tetracampeão paraolímpico de judô, cego, em busca da sua quarta medalha é uma aula de vida: b1ofilme.com.br

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