segunda-feira

15

maio 2006

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Transbordou

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LCD_Skol Beats 2006.jpg
LCD Sound System
foto: divulgação (Cláudia Assef/Felício Marmo)

O Skol Beats vai caminhando rumo a conquista do título de “maior festival de música eletrônica do mundo” (tamanho é documento?), custe o que custar. A sétima edição do principal evento de música eletrônica do Brasil sofreu com o excesso de público no Anhembi, o exagero de 57 mil pessoas, numa noite gelada de São Paulo. Ainda bem que a boa música, apesar de tudo, continua conseguindo dominar as atenções.

Ficou difícil circular. Não bastasse as grandes distâncias entre o palco e as tendas, não estava fácil atraveassar a massa humana, compacta em toda parte, tornando impossível um simples passeio e desanimando quem queria assistir mais atrações. O empurra-empurra na hora do show do Prodigy foi tão grande que, segundo relatos, lotou o pronto socorro e foi descrito por alguns frequentadores como “um dos piores momentos da vida”.

A organização do evento precisa tomar uma decisão urgente: ou segue o exemplo do Coachella e diminui a lotação, proporcionando conforto pra quem está do lado de dentro ou; melhor ainda, muda de lugar. Com a força que o Skol Beats tem hoje em dia, a mudança para um lugar mais aprazível — como uma fazenda no interior, grama no chão — provavelmente não abalaria o que já se tornou uma verdadeira peregrinação anual dos amantes da música eletrônica de todo país.

Tocando num horário ingrato (21h30), quando grande parte do público ainda está começando a chegar, Tiga fez um set honesto na tenda The End. Misturando breaks, electro, remixes de Bloc Party (Banquet”) e LCD Soundsystem (“Tribulations”), o maior desafio do canadense foi vencer o som baixo.

Enquanto isso, no trio Pepsi “Eletric” (assim mesmo, faltando a letra “c” do inglês electric; o “o” de eletrio ou o acento agudo de elétrico), o DJ Marlboro, depois de rodar o mundo 35 vezes, finalmente ganhava sua chance de mostrar a música eletrônica genuinamente brasileira no Skol Beats.

Foi um sucesso. Como foi bem observado por um amigo, os sorrisos e animação das pessoas — dançando e rebolando, com direito a um “chão, chão, chão” — contrastava com o visual geralmente posudo da cena eletrônica. Marlboro foi na certa e disparou hit atrás de hit: “Elas estão descontroladas”, “Malha funk”, Tati Quebra-Barraco (“fama de putona só porque como teu macho”) e o sucesso do verão, “Se ela dança, eu danço”, do MC Leozinho. Isso tudo com o trio em movimento e milhares de pessoas seguindo. Sensacional.

Perto do final da apresentação de Marlboro, o LCD Soundsystem de preparava pra entrar em cena, praticamente obrigando parte do público a abandonar o trio. Antes dos americanos, Gil Barbara fez um bom set.

A banda de James Murphy, uma das atrações mais aguardadas do evento, começou morna e demorou um pouco pra empolgar. Bastou a sequência matadora de “Daft Punk is playing in my house”, “Tribulations” e, um pouco depois, “Yeah” para mudar o cenário.

O bom vocal e presença de palco (e atuação na percussão) de Murphy ajudaram bastante o LCD, que acabou sim conquistando o público, embora este ainda fosse pequeno. O show teve também “Beat connection” e “Losing my edge”.

Garantindo-se no sucesso de um passado nem tão distante, o grande nome do Skol Beats 2006 era mesmo o Prodigy. Entre o show deles e do LCD, o DJ Vitor Lima tocou e agradou com um remix bacana de “Dani California”, do Red Hot Chilli Peppers.

O Prodigy entrou avassalador e não demorou nada para tocar hits como “Breathe” e “Firestarter”. Enquanto o grupo tocava, o público, crescente, continuavam tentando entrar na arena do palco, causando confusão e transtornos. Enquanto isso, do lado esquerdo do palco, onde ninguém conseguia chegar, estava tudo calmo.

Após um tempo, as batidas se tornaram um pouco repetitivas e cansaram. A falta de variações justifica, talvez, o motivodo Prodigy ter sumido do mapa. Pra resolver, mais sucessos.

“Smack my bitch up” arrancou o povo do chão e o encerramento com “Out of space”, com o sample de “Chase de devil” (pérola produzida por Lee Perry eternizada na voz de Max Romeo) sendo cantado por todos, foi melhor do que se esperava. Pra acalmar a galera, depois do show tocou “Love is in the air”, do Paul Young.

O Cansei de Ser Sexy, acompanhado por Camilo Rocha, fechou a tampa do trio Eletric, fazendo um show de verdade, com bateria, baixo e guitarra. Os destaques foram o sucesso underground “Super afim” e a versão rock de “Sexy boy”, do Air.

Depois da decepção de 2005, o Skol Beats reconquista sua credibilidade musical com uma boa edição. Resta agora, resolver questões organizacionais.

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  1. Polla
  2. pedro

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