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segunda-feira

21

março 2011

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Transcultura #041 (O Globo): CALMA, mais YouTube

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Texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Muita Calma nessa hora
Depois de pintar uma cidade inteira, artista prepara exposição em NY e curta
Por Bruno Natal

Entre 2006 e 2008, Stephan Doitschinoff, mais conhecido com Calma, se mudou para Lençois, na Bahia, com o objetivo de pintar a cidade inteira. O processo, documentado no livro “Calma” (publicado pela respeitada editora alemã de livros de artes visuais Gestalten) e no documentário “Temporal”, de Bruno Mitih. Inspirado pelo folclore afro-brasileiro, utlizando elementos sagrados e pagãos, Stephan pintou murais, lápides e até uma capela com elementos religiosos. Com participação direta da população e artistas locais, juntou duas escolas distante: a contemporaneidade urbana do grafite e a tradição arte sacra, consolidando um caminho artístico para Stephan. Agora ele prepara sua primeira exposição solo em Nova York, e também um curta de um de seus trabalhos.

– Expus em Nova York, mas era na sala de projetos da Jonathan LeVine Gallery. Dessa fez será na galeria principal. Vou trabalhar 2011 inteiro numa série de sete telas bem grandes, a menor vai ter 2m x 1,5m, uma escultura e uma série de gravuras e desenhos – conta o artista.

O codinome de Stehpan, Calma, pode ser lido também como a contração de “com alma”, o que faz ainda mais sentido. A inspiração para os novos trabalhos continua sendo os motivos religiosos, explorando e misturando traços de diversas crenças, realizando a tão sonhada coexistência ao menos com tinta.

– Tenho ido cada vez mais a fundo na pesquisa, fazendo também instalações nessa linha. Minha base, até porque é o que tenho mais experiência a respeito, é a arte sacra cristã, mas também pego emprestado de outras religiões que tem a mesma base do cristianismo, do oriente médio, traços do islamismo, símbolos judaicos… Gosto de estudar. Minha vontade é fazer templos ecumênicos – diz Stephan.

A Igreja tem uma longa de ligação com o mundo das artes, comissionando trabalhos de alguns dos principais pintores e escultores ao longo dos séculos para enfeitar seus templos. Engana-se porém quem pensa que Stephan pode um dia ser visto embelezando as paredes da Santa Sé. A crítica social, base do grafite, é o motor da arte de Stephan.

– Conceitualmente, meu trabalho é um comentário contra a corrupção das instituições. Uso a Igreja como um símbolo de uma instituição corrupta, como tantas outras como o governo ou a mídia. Em algumas obras isso é mais sutil, em outras está mais explícito. Não gostaria de me envolver com essa instituição. A capela que pintei em Lençóis já havia sido abandonada pela diocese, era pobre, não interessava. Estava abandonada, mas ainda era usada pelo povo, então fui lá e pintei porque estava a serviço da fé. Como as pessoas vão lá pra rezar para Santa Luzia e Santa Bárbara, não coloquei temas agressivos e não distorci as imagens das santas, porque não queria incomodar os moradores e a fé deles. Guardo minha crítica para meu trabalho pessoal – explica.

Para Stephan existem diferenças cruciais entre o grafite, sua porta de entrada nas artes há mais de dez anos, e seu trabalho atual, principalmente na questão do tempo que cada um demanda.

– Desde o momento que passei a me interessar pelo folclore, arte sacra, em pensar e projetar cada obra, não me considero mais grafiteiro e sim um artista plástico. Meu direcionamento é outro. Não faço trabalhos ilegais, até porque não conseguiria, demoro uma semana por mural. Em Lençois conversava com os moradores, pra saber o santo protetor, a história de vida de cada um, antes de pintar suas casas.

A escultura, como “A Mão”, “feita para Bienal de São Paulo e exposta no parque do Ibirapuera, é outra faceta que Stephan pretende explorar. Nos próximos meses ele tem uma mostra de gravuras agendada na galeria Choque Cultural, em São Paulo, e pretende lançar seu primeiro filme.

– Estou terminando meu primeiro curta, em parceria com as produtoras da Dínamo e Movie Art. Terá 3 minutos e meio, retratando uma performance que fiz e se chama “Tudo é Vaidade”. Fiz uma procissão, com quatro atrizes (Tainá Müller, Carolina Manica, Kika Martinez e a Marina Diaz), numa rua na zona oeste de São Paulo. Já está pronto, estão terminando a tipografia, efeitos. Será lançado daqui um mês, primeiro em um cinema e depois na minha página.

—

Tchequirau

Um vídeo com um passo a passo completo ensina o que fazer quando o YouTube suspende a sua conta por acusações indevidas de quebra de direito autoral. Segui e salvei a minha conta.

quinta-feira

17

março 2011

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A URBeTV está de volta!

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Foi uma pequena saga, curta, porém sofrida. Do cancelamento da minha conta no YouTube devido (e agora encho a boca pra falar) suposta quebra de direitos autoriais até ver meus 240 vídeos de volta a rede não se passou muito tempo, porém aprendi muito no processo.

Muito bom ter conseguido resolver isso. Pra comemorar, republico o primeiro vídeo que subi na URBeTV: Nego Moçambique ao vivo, em 2005. Quando eu falo que o conteúdo é histórico… Veja lá.

quinta-feira

3

março 2011

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Transcultura #038 (O Globo): YouTube, Likke Li

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Texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Nuvens carregadas no YouTube
por Bruno Natal

“Sua conta foi finalizada devido a múltiplas notificações de infração de direitos autorais”. Com essa mensagem seca fui avisado pelo YouTube que mais de 200 vídeos, upados desde fevereiro de 2005, primeiro mês de funcionamento do serviço, haviam ido para o vinagre. Sem aviso prévio, sem conversa, sem recurso. E não foram deletados apenas os vídeos com “problemas”. Foram todos, mesmo os meus próprios, inclusive aqueles sobre os quais tenho os direitos.

A tolerância proposta pelo YouTube de até três infrações antes do cancelamento irrestrito da conta prevê também um aviso prévio a cada uma delas. Não recebi nenhuma. A única informação disponível após o cancelamento era o nome da banda inglesa autoKratz como responsável por uma dessas reclamações. Filmei uma apresentação da banda numa loja de discos, vazia e em vez do vídeo ser tido como um registro capaz de ampliar o alcance daquele show, o resultado foi esse. Tentando iluminar o ocorrido, tuitei o nome dos “culpados” e, no dia seguinte, o empresário da banda escreveu, pedindo desculpas, dizendo que não era culpa deles, que era uma postura do selo que os distribuia e com o qual não tinham mais nenhuma relação (ainda que, ao se associar ao selo, tenham mesmo que indiretamente, concordado com a visão do mesmo).

Se até aqui a história toda já não estivesse suficientemente bizarra, piora. Ao pesquisar, descobri que os outros dois vídeos que receberam reclamações eram trailers de documentários da minha própria produtora, feitos sob encomenda de uma gravadora, que muito provavelmente ataca qualquer vídeo que esteja associado ao seu catálogo. Ou seja, fui punido por divulgar o meu próprio trabalho, sob o qual detenho os direitos autorais.

Em meio as discussões no Ministério da Cultura e da disputa Creative Commons x Ecad, esse caso serve para ilustrar o tamanho da zona cinza da lei de direitos autorais, no Brasil ou no mundo. O jogo mudou e ninguém parece querer, ou conseguir, enxergar. Não se trata de caso isolado, o problema é bem maior. Existem casos de cancelamentos de contas no Facebook e no Flickr, como a de um fotógrafo que publicava imagens de bundas clicadas na praia num álbum chamado “Rio”. Na delicada interpretação do caráter artístico das fotos versus o teor supostamente pornográfico das imagens – uma discussão eterna – prevaleceu o bom senso e a conta foi reativada.

Cada serviço tem os seu termos de uso e em cada um desses casos citados algum deles foi desrespeitado, ao menos em parte. Se está na regra, faz parte do jogo e é necessário estar atento a esses termos. O que não está na regra, e portanto não se sabe onde encaixar no jogo, é o estímulo cada vez maior para que utilizemos as facilidades da nuvem – o armazenamento remoto de nossos textos, fotos, vídeos, mensagens em servidores externos. Sem uma definição mais clara, e sobretudo justa, de direitos e deveres de cada parte (provedores de serviço, usuários e detentores de direitos autorais), fica impossível jogar – como as vezes parece igualmente impossível essas definições. Até lá, espera-se que o bom senso ainda tenha lugar nas decisões finais.

Quem confia na nuvem para salvar seus arquivos pode, de uma hora pra outra, descobrir que devido a esses dados, o acesso a seu próprio conteúdo poderá ser negado. Enquanto nada se resolve, o HD externo é ainda o melhor amigo do usuário.

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Tchequirau

A loirinha Lykke Li deixou de lado a fofura que enfeitava suas letras densas e partiu para um caminho mais sombrio em “Wounded Rhymes”, seu segundo disco, disponibilizado oficialmente na íntegra no Hype Machine, antes do lançamento.

quarta-feira

2

março 2011

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quinta-feira

17

fevereiro 2011

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YouTube manda a URBeTV para o vinagre

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Assim, de uma hora pra outra, sem aviso prévio, notificação ou o que o valha, o YouTube DELETOU a minha conta e acabou com um acervo de mais de 200 vídeos da URBeTV.

O motivo alegado foram “múltiplas reclamações de infração de direito autoral”, sobre as quais jamais fui avisado (pelo Twitter me disseram que bastam três e que é irreversível). Muito provavelmente ao alto número de vídeos de shows que tinha no meu perfil.

Ainda assim, que deletassem os vídeos com problemas. Ao simplesmente acabar com a minha conta, levaram juntos dezenas de vídeos que era meus mesmos: trailers dos meus filmes, doc-curtas e entrevistas que fiz com câmeras digitais, até entrevistas e trechos de shows de artistas brasileiros. Tudo pro vinagre.

Pior é saber, com se vê na imagem acima, que um dos reclamantes foi a bandeca inglesa autoKratz, cujo show na Rough Trade East filmei e postei por postar, porque tinha achado uma bela bosta. Perdi meu tempo no show, subindo o vídeo e agora, perdi minha conta e centenas de registros.

Com a constante troca de máquinas, alguns dos vídeos se foram pra sempre. Vou brigar para ao menos recuperar os meus vídeos, para uso próprio e privado, algo que tenho direito.

Criei minha conta no YouTube no seu primeiro mês de funcionamento, graças a sagacidade do Mateus. Jamais pensaria que uma novidade tão boa pudesse acabar de forma tão drástica.

Fica a lição: confiar demais em qualquer saite como fonte segura de arquivamento pode dar nisso. Vai nessa de nuvem, vai…

ATUALIZAÇÃO: A equipe do autoKratz escreveu pedindo desculpas pelo o que aconteceu, tentando amenizar, explicando que não foi culpa deles, “que são distribuídos por uma major que toma essas atitudes”. Sei. E quem assinou com a major e, a partir daí, concorda com as práticas da indústria falida? A batata quente caiu no meu colo, disso a gente sabe. Sensacional.