Videograma Archive

sexta-feira

22

dezembro 2006

7

COMMENTS

Jota Quest, "20%" (Sony-BMG)

Written by , Posted in Uncategorized

Os 4 leitores regulares deste espaço sabem que quando os textos longos dão lugar a notas curtas e informes de agenda constantemente, é sinal de que algum trabalho grande está em curso, impossibilitando atualizações decentes do URBe.

Logo após o lançamento de “Desconstrução” (documentário sobre as gravações do mais recente disco de Chico Buarque, “Carioca”), fui convidado para um projeto totalmente diferente: dirigir um documentário sobre os 10 anos do Jota Quest.

Ao contrário de outros projetos, a iniciativa não partiu de mim. Fui convidado pela banda, via indicação do Mateus Araújo, do 6D Estúdio, para contar sua história.

Lembro exatamente do dia que o Mateus falou disso pela primeira vez, de como respondi “pode ser” e fui pra casa pensando sobre a furada que ele estava tentando me meter. Afinal, pelo o que você pode acompanhar aqui, pop rock não é exatamente a minha praia.

De cabeça aberta, fui conhecer e conversar com a banda, em maio de 2006, durante um show no Tom Brasil, em São Paulo. De fato, após a apresentação, mudei de idéia em relação a eles quase imediatamente. Vi uma banda de verdade, sem armação, com bons músicos, sem culpas de ser pop e com 6 mil pessoas a seus pés.

Havia uma história pra ser contada. “As pessoas não conhecem o Jota Quest”, foi o que pensei. O desafio de investigar o mainstream brasileiro era instigante. E fazer isso de cabeça limpa, livre de preconceitos, sendo justo com eles e comigo mesmo, era o único caminho possível.

Fiquei satisfeito em saber que a banda não pretendia controlar o que iria ser feito, que estavam buscando uma visão externa, por mais que pudesse não concordar com alguns pontos. Um documentário de verdade, enfim. Ao longo do trabalho, realmente as portas estavam abertas e a banda não fugiu dos assuntos (sim, fala-se do “período Fanta”).

Foi uma decisão corajosa. Sem essa confiança e entrega, seria impossível realizar o que havíamos nos proposto a fazer. Ao todo, acompanhei o Jota Quest por três meses em hotéis, rádios, TVs, camarins e shows em Portugal, São Paulo, Rio de Janeiro, nos ensaios em Belo Horizonte e no show comemorativo dos dez anos de lançamento do primeiro disco, gratuito, para 60 mil pessoas, em Porto Alegre.

capa%20ate%20onde%20vai.jpg

Após dois meses e meio de edição, o resultado é o documentário “20%” (56 minutos), com entrevistas com os integrantes da banda, imagens de arquivo e flagrantes de bastidores. O documentário é parte do DVD “Até onde vai”, que traz também o registro do show de Porto Alegre, da turnê do disco de mesmo nome, produzido pela 6D com uma qualidade poucas vezes vista em gravações de shows nacionais.

Na equipe do doc, os parceiros de sempre: Rafael Mellin e Mellin Videos (co-produção, edição e concepção), Estúdio Lontra (finalização de áudio) e o 6D Estúdio (arte).

No horizonte — sei que parece lenda e ninguém mais aguenta ouvir falar da produção de um filme que não fica termina nunca — parece que em janeiro o “Dub Echoes” fica pronto. Estive na Jamaica outra vez semana passada, para um outro trabalho, e resolvi todas as pendências que seguravam o projeto.

terça-feira

9

maio 2006

3

COMMENTS

Chico Buarque, "Desconstrução" (Biscoito Fino)

Written by , Posted in Música, Urbanidades

“Desconstrução”, documentário que dirigi, produzi e filmei sobre as gravações de “Carioca“, novo disco de Chico Buarque (o primeiro pela gravadora Biscoito Fino) é daqueles projetos que tinha tudo pra não acontecer.

Chico Buarque é conhecido por ser uma pessoa reservada, a possibilidade de aceitar que sua intimidade no estúdio fosse invadida era mínima. Menor ainda se fosse por um completo desconhecido. Pra piorar, com uma câmera na mão.

Ainda bem que as coisas nem sempre seguem a lógica e, contrariando a própria, o projeto aconteceu. Começou com uma proposta ao produtor executivo da BF, Pedro Seiler, amigo desde os tempos de faculdade. Foi ele quem convenceu o empresário do Chico, Vínicius França, a autorizar a gravação, abrindo as portas para iniciar o projeto.

A idéia era filmar o Chico no estúdio. Só isso. No ínicio, não existia a noção de que esse material se tornaria um documentário. Era pra ser um material interno da gravadora, talvez um faixa interativa no CD. O interessante era a chance de acompanhar Chico em estúdio. O que surgiria disso, só se saberia depois.

O combinado era que eu fosse ao estúdio toda sexta-feira para filmar. Na primeira semana, em setembro de 2005, descumprindo o acertado, fui de segunda a sexta. Na semana seguinte, a mesma coisa. Depois de 15 dias, quando o Vinícius comentou “tá gostando de vir aqui, né, Bruno?”, já era tarde. Todos os dias que o Chico esteve em estúdio, eu estava lá também.

Surpreendentemente, Chico, desde o começo, embarcou na idéia. Ignorou a câmera, agia como se não estivesse sendo filmado. Conversava sobre tudo com os amigos, recebia a visita dos netos, compunha. Meu trabalho era ficar quieto e atento para não perder os detalhes, o resto era com ele, que simplemente tinha que ser ele mesmo.

Conversamos pouco sobre o documentário durante as gravações. Na única vez que falei com ele sobre isso, com duas ou três semanas de trabalho, foi para saber se podia fazer uma pergunta por dia, não mais que isso, só quando desse tempo. Ele topou.

Até o dia em que mostrei o primeiro corte do documentário — as edições começaram em dezembro de 2005, pois tinham que terminar junto com o disco, para irem pra fábrica juntos — Chico não tinha se dado conta do que estava sendo feito.

Depois de assistir o quanto havia sido registrado de seus dias no estúdio, a primeira pergunta que ele fez foi sobre a câmera. Ficou impressionado como um câmera daquele tamanho (uma mini dv, a Sony PDX10) podia ter capturado tantos detalhes com a qualidade de som e imagem tão boas.

Isso explica muito do sucesso do projeto. Soubesse ele o quanto se pode conseguir com uma câmera digital ou estivesse ali um diretor conhecido, tudo poderia ter sido diferente. Exatamente por não saber bem o que eu estava fazendo lá dentro, relaxou. E o grande mérito do trabalho é esse: ter flagrado o Chico relaxado.

70 dias de gravação, 42 horas de material bruto e 320 horas de edição depois, o resultado é o documentário “Desconstrução”.

Uma das coisas mais bacanas foi ter podido realizar isso tudo cercado de amigos. Além do Pedro Seiler, produtor executivo do projeto, o editor foi o Rafael Mellin, amigo de PUC e a pessoa que me ensinou a filmar. Mellin se envolveu tanto no projeto que dividimos o crédito de roteiro.

A parte gráfica ficou a cargo do Mateus Araujo e dos parceiros do 6D Estúdio. A correção de cor foi feita pelo Ricardo Rocha, antigo colega de Conspiração Filmes, onde foi feita a correção. A mixagem e finalização de áudio foi feita por João Filho e João Henrique, do Estúdio Lontra, onde fica a minha ilha de edição.

Enfim, estava tudo em casa.

quinta-feira

1

julho 2004

0

COMMENTS