Videograma Archive

sexta-feira

22

outubro 2010

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Registros da Vanessa da Mata em "Bicicletas, Bolos & Outras Alegrias"

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Vanessa & Gilberto Gil

A leva completa da versão web dos registros que fiz das gravações do quarto disco da Vanessa da Mata está online.

São cinco webclipes – não são clipes, apenasedições de imagens feitas estúdio para ilustrar as músicas no YouTube: “Vá”, “Te Amo”, “As Palavras”, “Bicicletas, Bolos & Outras Alegrias” e “Meu Aniversário”.

E oito pílulas, retiradas de trechos do documentário completo, em que Vanessa fala sobre a formação da sua humilde banda (Kassin, Gustavo Ruiz, Donatinho e Stephane San Juan), da relação com eles, com o Kassin, da inspiração para um disco novo, dos ensaios, da gravação ao vivo, do seu processo para escrever as letras e sobre compor com Gil.

O documentário completo ficou para o final do ano.


“Vá”

segunda-feira

13

setembro 2010

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Vanessa da Mata, "O Tal Casal"

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Mais uma vez registrei as gravações de um disco da Vanessa da Mata para um documentário encomendado pela própria, com fotografia do Tiago Lins, edição da Lívia Serpa e artes da Hardcuore.

O filme só deve sair numa edição especial de “Bicicletas, Bolos e Outra Alegrias”, no final do ano. Enquanto isso, a gravadora encomendou uma série de webclipes. Não são clipes, pois as imagens não foram feitas com essa intenção, apenas edições de imagens do estúdio para acompanhar as músicas no YouTube.

“O Tal Casal” é o primeiro deles.

quarta-feira

7

outubro 2009

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“Nós 3” (Multishow)

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Chamada do programa

Nessa quarta, as 22h, estréia no Multishow o “Nós 3”, programa que criei com o Tiago Lins e Beta Mellin e está sendo produzido pela Mellin Videos, com design em movimento da Brabo.

Divido a direção e as imagens com o Tiago, que também é o diretor de fotografia enquanto eu sou um dos produtores executivos (acúmulo de funções é ou não é a marca dessa geração?).

Trata-se de um reality que acompanha o cotidiano de três meninas na faixa dos 22 anos, Cix, Dinha e Yasmin, mostrando a entrada na vida adulta e suas responsabilidades através do dia-a-dia da amizade, faculdade, estágios, primeiros empregos, namoros e as noitadas e mais noitadas típicas dessa idade.

Todas elas já expunham suas vidas em fotologs, twitters, perfis no Facebook e no Orkut. A forte presença online é responsável pelo trio já possuir bastante fãs e detratatores. Uma busca no Orkut por seus nomes apresenta como resultado dezenas de perfis falsos e comunidades dedicadas a cada uma delas.

Porém, foi uma série de vídeos caseiros postados no YouTube em 2007 que as transformaram em potenciais personagens para um programa. Desde que o Lins me mostrou essa imagens (foi ele quem editou) essa idéia ficou na cabeça. O que as tornou atraentes para um projeto nesse formato foi justamente o acesso a intimidade do seus universos particulares.

Falando com naturalidade na frente das câmeras sobre questões pessoais comuns a jovens da Zona Sul carioca, escancaram detalhes de uma camada social que normalmente não se abre publicamente.

Com isso possibilitam um corte geracional e comportamental interessante, esse foi o objetivo desde o início. Indo além das fofocada e picuinhas, a graça do registro está nos detalhes, no linguajar, nas atitudes, mostrando um pouco a maneira que essa geração enxerga as coisas.

Longe da música e do formato de filme documentário, campo onde tenho mais experiência no áudio-visual, fazer televisão tem sido um desafio. A principal dificuldade a ser contornada foi o bom e velho clichê da velocidade. Em televisão tudo acontece muito rápido, é sempre pra ontem.

É muito difícil gerar uma relação de confiança natural com os personagens dessa forma, especialmente no início. E num programa em que os acontecimentos não são roteirizados isso é um ponto bastante delicado, não se pode simplesmente impor que pessoas reais, sem uma persona artística para usar como escudo, abaixem a guarda. Isso tem que ser conquistado.

Sem falar na inversão na relação do volume do material gerado e do finalizado. Enquanto em documentários estou acostumado a filmar 50 horas para gerar um filme de 60 minutos, num programa desses é preciso tirar 24 minutos editados de cada 5 horas de material produzido.

Trecho do primeiro episódio

Bom que o canal abraçou o projeto e possibilitou liberdade criativa. A temporada tem 16 episódios e está sendo filmada com duas câmeras (Panasonic HVX-200), dando mais possibilidades de edição, com um visual mais bem acabado do que o usual câmera na mão da linguagem documental. A confusão entre realidade e ficção é proposital e as referências também ficam claras.

Dramatização é essencial na linguagem cinematográfica. Mais ainda se for televisão. O que importa é que o que se vê na tela seja verdadeiro, não exatamente uma verdade absoluta. Afinal, se tem uma coisa que aprendi filmando nos últimos anos, é que isso sequer existe.

quinta-feira

19

março 2009

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“Dub Echoes” (independente)

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Ao transformar o estúdio de gravação em um instrumento musical, o dub jamaicano abriu caminho para todo tipo de experimentos sônicos e acabou influenciando o nascimento da eletrônica ao hip-hop.

Através de entrevistas com mais de 40 nomes chave — tanto do universo reggae, quanto da eletrônica e do hip-hop — “Dub Echoes” fala do nascimento do dub, de como essa invenção ajudou a mudar a maneira como percebemos a música e como sua presença pode ser na música contemporânea.

Filmado na Jamaica, Inglaterra, EUA e Brasil, o documentário foi feito de maneira independente pela produtora Videograma, contando com o apoio da American Airlines, Mellin Videos, Mar Design, Lontra Music, 6D Estúdio, Dimáquina e Urban Images.

O filme teve lançamento mundial em DVD através do cultuado selo inglês Soul Jazz Records.

Para saber mais sobre o projeto visite o saite oficial e confira os diversos textos sobre o projeto publicados aqui no URBe.

sexta-feira

5

dezembro 2008

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"Santa Marta e o túnel escuro" (web)

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URBeTV: o curta-documentário “Santa Marta, o túnel escuro”,
filmado com uma câmera fotográfica digital

doc e fotos: Bruno Natal

A notícia de que o tráfico havia sido expulso da comunidade pela polícia era tão boa que só vendo para crer. Aos pés do Santa Marta, o plano inicial sofreu uma pequena modificação.

A idéia era simplesmente chegar e subir as ladeiras, sem pedir autorização a ninguém, exatamente como se faz transitando entre bairros no asfalto da cidade.


Santa Marta

Dado o tamanho da novidade, não custava nada avaliar a situação falando com os policiais na viatura estacionada na subida da ladeira:

– E aí, é só meter o pé mesmo?

– Pode subir, tá na boa. Acabou de subir um monte de jornalistas com o comandante do 2o Batalhão, pelo bondinho.

– Então não tem bandido na área mesmo?

– Olha, subindo pelo bondinho tá tranquilo. Mas deve ter vagabundo escondido na mata ainda.


As iniciais do Comando Vermelho num muro: cicatrizes recentes

O bondinho é um plano inclinado que funciona como um elevador para os moradores da favela mais íngrime do Rio, onde vários repórteres aguardavam para ser levados ao topo do morro pela secretária de educação e pelo comandante da polícia.

A perspectiva de uma visita guiada oficial era desanimadora. Nada podia estar mais distante do objetivo original de simplesmente visitar a favela como quem vai a qualquer outro bairro da cidade. Sem falar na fila de mais de meia-hora pra subir no bondinho.

A grande revolução que pode ser promovida por uma comunidade sem tráfico é justamente possibilitar o encontro de duas realidades cada vez mais distantes.

O Rio de Janeiro precisa se tornar uma cidade só, sem separações, para se reerguer e reestruturar. O que isso pode trazer de bom é a livre circulação de pessoas e idéias.


Pierre Azevedo e dois de seus alunos de percussão

Decidi subir a pé e logo conheci o Pierre Azevedo, diretor da ONG Atitude Social. Baixista e ex-morador da comunidade, ele dá aulas de percussão para criançada na Casa de Cultura Dedé.

Tendo Pierre como guia (mas não uma escolta, pois realmente o morro estava calmo) para não me perder pelas vielas e chegar até o topo, rapidamente comecei a conversar com alguns moradores.

Por ingenuidade, não esperava o tipo de reação e as resposta que ouvi quando comecei a perguntar sobre as primeiras impressões da ocupação policial e a saída do tráfico.

Não ouvi ninguém reclamar da partida dos traficantes, porém a maior parte das pessoas, além da incredulidade, não acredita muito que isso irá durar. Mais do que isso, estão realmente incomodadas com o choque de regras.


Eletricidade no ar

Durante o passeio, ouvi diversas reclamações: que haverá horários para as coisas funcionarem e regras a serem seguidas, as bebedeiras agora vão ser vigiadas, que estouraram a central clandestina de tv a cabo, de que as novas casas e a urbanização impedem as criações de animais e hortas em chácaras… E de como tudo isso altera o ambiente da comunidade como eles a conhecem.

É natural que seja assim. A experiência dessas pessoas com a presença do Estado é, em grande parte, negativa. Além disso, por mais paradoxal que possa soar, existe uma liberdade proporcionada pela ausência do Estado que é difícil de perder.

A frase de um morador, em resposta ao meu argumento de que as melhorias sociais e urbanísticas certamente viram acompanhadas de responsabilidades e deveres, resume bem a questão: “eu não fui criado assim”.

Esse é o ponto central de qualquer projeto que pretenda integrar as favelas ao resto da cidade. Coisa que parecem lógicas e normais no asfalto, são totalmente alienígenas na favela.

Assim como a noção de comunidade desses lugares dá um banho no resto da sociedade, onde vizinhos de porta num mesmo prédio mal se cumprimentam, o que dirá se ajudarem.


A meninada faz pose

Há, claro, também muita desconfiança em relação as reais intenções de um projeto desses.

Da maneira que são hoje, as favelas são em maior parte ocupações ilegais, sem escrituras. Portanto, mesmo algumas delas (as da Zona Sul) estando situadas em áreas nobres, a área não pode ser negociada.

Numa região sem mais um palmo de área livre pra construir, pode ser que estejam preparando o terreno para especulação imobiliária.

Estrutura-se o local e entrega-se as escrituras de posse, para depois deixar o poder aquisitivo falar mais alto, comprar essas propriedades e transformá-las em grandes (e caros) condomínios.

Não é nem um pouco improvável, o condomínio Selva de Pedra, no Leblon, surgiu de maneira até mais agressiva, através de incêndios.

O trabalho nessas comunidades é muito mais difícil do que parece e levanta discussões complexas. Expulsar o tráfico é só o início.

Como disse José Mário, presidente da Associação de Moradores do Santa Marta, estamos entrando num túnel escuro, sem saber o que está do outro lado. Tomara que seja a luz.