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terça-feira

14

fevereiro 2012

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Transcultura #070: Bass // Sun Araw

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Meu texto de sexta passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

A coisa tá grave, viva o grave!
por Bruno Natal

A explosão comercial do dubstep foi um dos fatos mais inesperados da história da música eletrônica. Poucos previram que os graves cavernosos e a atmosfera sombria das batidas quebradas de bpm lento, tocado em festas soturnas no sul e leste de Londres, poderiam chegar ao grande público.

Vampirando o estilo com seu pastiche, ressaltando o que há de pior (como as torrentes de wobble bass, um grave modulado, distorcido e oscilante), Skrillex atingiu o status de super DJ, saiu na capa da Billboard e passou a régua no dubstep. Skrillex, no entanto, apenas cristaliza o fim de um processo longo de pasteurização do gênero, uma metamorfose que se deu aos poucos, com elemento do dubstep sendo emprestados e misturado a outras correntes musicais.

O fato da produção de seus elementos “essenciais” serem ensinados em tutoriais no YouTube era um indicativo de que havia virado uma fórmula, o que é o fim para relevância de qualquer gênero. Era preciso fazer uma curva. O que poderia ser uma má notícia se gerando algo positivo, incentivando mudanças de direção por produtores mais preocupados com os sons que saem das caixas do que o tilintar das caixas registradoras.

Desde os idos de 2007 produtores fiéis aos conceitos independentes do dubstep, como Burial e Kode 9 (dono do essencial selo Hyperdub), buscaram fugir da mesmice para qual tudo sem encaminhou, inaugurando o que que ficou conhecido como pós-dubstep, re-aproximando o estilo do clima experimental de onde surgiu. Essa fase 2 criou o ambiente para nomes como James Blake ou sua versão mais radifônica, Jamie Woon, despontarem, trazendo outros elementos para equação, notoriamente o R&B, outro gênero que sofreu com a comercialização, esse nos anos 90.

O principal legado do dubstep e, principalmente, sua viabilidade comercial, foi bem além dos novos gêneros que surgiram a partir dessa problemática (UK Funky, o próprio pós-dubstep): sua ascensão deu coragem para produtores colocarem o grave novamente no centro das atenções. No atual estado de DavidGuetização da música eletrônica, com sirenes por toda parte e o agudo tomando conta até onde menos se espera (o show de horrores proporcionado pelo Major Lazer é um exemplo), isso por si só é um alento. Mais grave é sempre um alegria, mesmo em música ruim. O grave é o alho sônico, deixa qualquer coisa melhor.

Conversando com o pesquisador Chico Dub, curador do festival Novas Frequências, ele observou: o grave se tornou o denominador comum da música urbana contemporânea. Seja em artistas tendendo ao r&b (The Weeknd), hip hop (A$AP Rocky), ao house (Lone), techno (Martyn), breakbeat (Mosca), drum n bass (Joy Orbison), 2-Step e Garage (Redinho, Julio Bashmore) ou até mesmo a um pós-pós-dubstep de olho no grande público (SBTRKT).

A impossibilidade de rotular cada um dessas misturas (uma prateleira para cada artista iria ficar complicado…) fez surgir mais um gênero, a bass music, um guarda chuva pra lá de bobo, por ser demasiadamente abrangente. Atendendo essa demanda, dois selos despontam: o escocês Numbers (por onde até Kieran “Four Tet” Hebden e o Modeselektor andam ciscando), nascido a partir de uma festa, e o inglês Night Slugs.

A coisa tá grave. E isso é ótimo.

Tchequirau

Muito influenciado pelo dub, ano passado o Sun Araw (que recentemente esteve no Rio para participar do festival Novas Frequências) foi a Jamaica atrás do The Congos, do clássico “Heart of the Congos”, produzido por Lee Perry e tido em algumas listas como o melhor disco da história do reggae, para produzirem material juntos. Enquanto o disco não vem, tem um vídeo mostrando um pouco da viagem.

sexta-feira

20

novembro 2009

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segunda-feira

18

setembro 2006

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Os opostos se atraem em SP

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Franz Ferdinand: “This fire” (vídeo: Lúcio Ribeiro)

Quando a produção de um evento sequer responde ao pedido de credenciamento, pode apostar que não vem algo muito organizado pela frente. Com o Motomix, nesse final de semana em São Paulo, não foi diferente. Como aliás, já não havia sido a edição carioca, em 2005.

Devido a falta de um alvará do Espaço das Américas, local dos shows, na sexta-feira o Motomix chegou a ser cancelado pela Prefeitura. Até as 14h de sábado, dia do evento, ainda não se sabia o que iria acontecer, apesar do saite informar que as 13h haveria um comunicado oficial.

Horas depois definiu-se que a programação original seria mantida, com todas as apresentações acontecendo no Espaço das Américas no próprio sábado. Mais tarde, nova mudança, dessa vez definitiva. As atrações foram divididas entre sábado e domingo, a primeira noite priorizando o rock e a segunda a eletrônica.

Como consequência, bastante gente que viajou apenas para assistir o evento, gastou dinheiro com ingressos, passagens e hotel, não pôde assistir metade do que estava programado. A solução? O que ouvi de um dos envolvidos na produção dantesca foi um “que pena”. E só.

Por sorte, restou a boa música.

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Chico Buarque
foto: divulgação/Patrícia Cecatti

Antes do Motomix, Chico Buarque no Tom Brasil, porque até essa turnê chegar ao Rio, falta um bocado. A temporada de “Carioca” em São Paulo está em sua terceira semana de casa lotada e a banda, já quente (Wilson das Neves virando nos pratos e o escambau), se prepara pra gravação do DVD.

Além das músicas do novo disco, Chico revisita seu repertório (“João e Maria”, “Futuros amantes”, “Bye, bye Brasil”, “Quem te viu, quem te vê”), algumas tocadas por ele pela primeira vez ao vivo.

O público se mantém sentado e em silêncio, respeitoso, o máximo de tempo possível. Na segunda metade do show, Chico se levanta e essa é a deixa pro pessoal começar a se soltar, terminando com a casa toda em pé. Clássico.

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Franz

O Franz Ferdinand, encerrando sua turnê mundial, deu aos paulistas um gostinho do que o Rio havia visto no Circo Voador, no início do ano. Se não teve o mesmo clima intimista, obviamente por se tratar de um lugar muito maior, a energia da banda estava bem parecida.

“Do you want to” foi a primeira música a levantar a platéia e “Take me out” fez o estrago de sempre. A temperatura foi subindo gradativamente durante a apresentação. Em “Outsiders”, integrantes do Radio 4, a DJ Annie e outros participaram tocando bateria com Paul Thomson e em peças avulsas do instrumento.

No encerramento, com “This fire”, o vocalista Alex Kapranos, sem camisa, incorporou Jim Morrison e balbuciava as letras como um poema, enquanto o teclado era entregue para galera destroçar e a bateria destruída no palco, como há muito tempo não via. Sensacional.

O show foi gravado para um especial da MTV que, se for feito com as mesmas imagens em preto e branco e documentais exibidas no telão, será um belo programa.

Aos nova-iorquinos do Radio 4 coube a ingrate tarefa de suceder o FF no palco. Não deu. Enquanto o vocalista forçava um patético sotaque britânico e o percussionista enganava (mal) nos atabaques, o baixo sofria distorções bizarras que só podia ser algum defeito, não estilo, porque sempre tentava-se corrigir.

Soando como pastiche do The Clash (com direito até a uma incursão sarapa pelo dub, com cara de Sublime), a banda renegou o sucesso que nunca veio e não tocou sua única música conhecida, “Party crashers”. O show fraco serviu de requiém do festival, já que a maior parte do público resolveu ir embora.

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Modeselektor

Os alemães do Modeselektor conseguiram, as 5h da manhã, fazer os presentes quicarem ao som do seu gélido dancehall robótico. Os graves vinham com força e a quebradeira também, enfeitados pelo telão bacana do grupo.

Uns 40 minutos depois, o som caminhou para um tech-house pesado, o produtor que estava com uma camisa da Underground Resistance ficou só de camiseta e a coisa toda deu uma certa farofada. Tudo certo, já era hora de ir pra casa.

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