mc lapa Archive

segunda-feira

2

fevereiro 2015

0

COMMENTS

Lançamento: Aori, "Anaga" (EP, 2015)

Written by , Posted in Destaque, Música

Aori_Anaga_ JonasMartinsPuga
foto: Jonatas Martins Puga

Eis primero lançamento de 2015 da caprichada lista de lançamentos exclusivos do URBe: dessa vez o rapper carioca Aori, da lendária dupla Inumanos, coloca seu EP pra rodar.

Como sempre, o próprio artista apresenta o disco:

AoriAnaga

“Esse EP é uma celebração, uma dedicatória a cultura de rua e a amizade. O nome que assina o disco pode ser o meu, mas sem os amigos e a família ele não existiria. Considero esse trabalho uma obra composta a muitas mãos e corações . Foram os amigos, os colegas de trabalho, as famílias que me tiraram da zona de conforto e me desafiaram a voltar a escrever rimas regularmente. Nunca deixei de ser um MC na minha mente, mas foi preciso energia extra pra organizar essas histórias.

“Rewind: meu amigo Remier sempre me disse que um MC tem que ter vivência ­ e a vida me deu nesses últimos tempos muitas estórias pra contar. Histórias diferentes do afro futurismo cyber punk lapa dos Inumanos, por isso essa assinatura solo. O processo de criação ­ orgânico, sem pressa mas consistente, colaborativo, intimista, acabou refletindo nas rimas e batidas e na pós-produção dos meus manos Berna e Babz.

“O EP abre com ‘Anaga’. Viajo nessa track como se ela fosse a trilha de abertura de um sitcom, aqueles minutos que introduzem o personagem e seu ambiente. Inumanos = Akira, ghost in the shell, Company flow . Anaga = boondocks, Childish Gambino, quadrinho underground… Esse refrão foi totalmente improvisado e a faixa título exemplifica bem a onda naturalista dos raps desse EP.

“O Marcão baixada disse após escutar a versão final do EP que tudo era meio crônica, e de certo modo, as faixas são pequenos contos mesmo, às vezes meio “about nothing”, como ‘Clima’ que é um monte de divagações rimadas durante um dia muito quente de verão no rio. Quem é daqui ou já passou um dia desses entende e sente o que rola no seu cérebro quando o termômetro bate 40 graus, rs. Temos que andar sempre na batida, senão…

“Por falar em batidas, amizade e organicidade foi uma experiência muito legal fazer música com DJ martins a quilômetros de distância. O DJ foi meu primeiro colaborador nesse projeto, o que levou a mais uma parceria: ter o Maomé na “Levadas Esqueléticas”, que acabou virando uma homenagem ao grande Speedy Freaks, executada via o scratches do meu irmão DJ Babz ­(peraí, mais uma colaboração?)

“Essa vibração atraiu uma joia ao nosso garimpo de batidas: DJ Nuts me perguntou sobre o que eu iria escrever, e me respondeu com “Disciplina”, um hino b-boy sobre o qual eu tive a honra de equilibrar ritmo e poesia. Obrigado, DJ ! Muito funk! Na boa ter uma batida do Dj Nuts é uma honra. Acho que aí o projeto ganhou ainda mais força.

“Tudo foi se costurando, se tramando silenciosamente e o que eram apenas algumas horas de gravação oferecidas pelo nosso generoso amigo Bernardo Pauleira se tornaram um o trabalho em corrente de um time inter / estadual / nacional entre Rio, SP , Porto Alegre e Chicago, cidade do amigo Ibrahem que trouxe o beat do “Posse Cut”

“Em “Salve o Som”, onde recebo 2 dos meus MCs favoritos para uma jam, Marcão Baixada e Nacho Garcia, o MC Bacon. Nossa amiga BB Milla empresta sua doce voz ao refrão, que criamos a 8 mãos inspirados em a Tribe Called Quest. Meu verso nessa música fecha o álbum de certa maneira, e acho que resume a vibe do projeto: eu falo um pouco da paixão pela música através da busca dos vinis e como a gente faz música em gratidão a tudo que o hip hop nos dá.

“O último ato da produção desse EP foi a criação da capa com o brother Hayala, artista e curador do blog Moro na Rua. O Hayala tem um olhar super fino e rapidinho sacou do que a gente tava falando: um lance de identidade bem própria e que fosse universalmente fresh! Um glitch no hip hop. Obrigado Man, ficou foda.

“Espero que esse texto aguce a curiosidade de quem ainda não escutou e sacie algumas questões de quem já começou a ouvir. Ainda tem muita história pra contar, vamos nos falando via anagamusic.tumblr.com

Ouça o disco:

quarta-feira

30

maio 2012

0

COMMENTS

segunda-feira

14

fevereiro 2011

1

COMMENTS

URBe, 7 anos: a festa

Written by , Posted in Resenhas


fotos: Party Busters e I Hate Flash (tem bem mais aqui e aqui)

A festa de 7 anos do URBe (e 10 meses) foi mesmo de ventar a peruca. Aprontada as pressas, quase emendando no aniversário de oito anos do saite, foi uma ação entre amigos e para os amigos, pra data não passar em branco.

urbe7anos_exponhozias
Expo Nhozias

As coisas andam tão corridas por esses lados, que como em um dos quadros da exposição que o Leonardo “Nhozias” Uzai montou especialmente para ocasião, as vezes a cabeça vira o pé.

A mistura da escalação dessa edição da festa foi uma das mais abrangentes em termos de estilo, e por isso também uma das mais interessantes. O início da noite foi pura transgressão.


mariomaria

Passavava de meia-noite quando o mario maria começou o seu show. Sozinho com o violão, iluminado por um abajur, o clima era tão intimista que Mario queria que desligassem o ar-condicionado do salão para diminuir o ruído (o que transformaria o resto da noite numa sauna, impossibilitando o pedido ser atendido).

O 00 estava enchendo, as pessoas buscando a pista de dança e, do lado de dentro, o público e o músico pediam silêncio para executar as delicadas canções lo-fi. Dadas circunstâncias, contra todos os prognósticos, o show ficou cheio e agradou.

urbe7anos_joaobrasil_aori
João Brasil e Aori

Do clima banquinho e violão, o público foi lançado para a primeira apresentação conjunta de João Brasil com MC Aori, executando ao vivo alguns dos mashups de rap nacional com pop brasileiro do projeto 365 Mashups do João, com um foco nas que já tinham a participação de Aori.

A química entre os dois foi boa. A cancha de Aori como MC, no mais amplo sentido do termo, combinou perfeitamente com a farra das produções do João. O MC falou a beça entre as músicas, sintonizando a pista com o que acontecia no palco, facilitando o entendimento.

urbe7anos_BrunoNatal

Abri a pista propriamente dita logo depois. Fui pego de surpresa – achava que começaria dali a 20 minutos – e tomando uma rasteira, uma vez que antes de terminarem o set deles, a dupla largou “Like a G6” tocando, exatamente o que tinha pensado em usar pra fazer a transição.

urbe7anos_pista

Corre daqui, corre dali, fui apelando pra um hit atrás do outro, a turma foi gostando e fui indo por esse caminho mesmo. Divertido.

urbe7anos_GustavoMM_FilipeRaposo
Filipe Raposo e Gustavo MM

Coube a Filipe Raposo e Gustavo MM cozinhar a pista com o Ajax e seu set de disco africana. Belezura de set desse projeto inesperado, filhote da Cheetah, que promete.

urbe7anos_Nepal
DJ Nepal

Fechando a noite, o Nepal aprontou mais um dos seus bailes, tocando de revival 90 à uma sequência de quatro reggaes sem perder a pista. Não é mole não, ver o Nepal tocar é lembrar da grande diferença entre DJ e bota som.

A essa altura da noite, já estava tudo borrado e rodando. Bela comemoração, que não podia deixar de acontecer. Daqui a dois meses tem mais, na festa de 8 anos.