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segunda-feira

28

novembro 2011

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Transcultura # 065: Pipo Perogaro, Bixiga 70 // Julio Bashmore

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Retomando a coluna depois de uma breve pausa, meu texto da sexta passada da “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Intercessões: Pipo Pegoraro e Bixiga 70
por Bruno Natal

Envolvido com música desde cedo, trabalhando em estúdios e compondo, Pipo Perogaro fez tudo sozinho em seu primeiro disco, gravando todos os instrumentos. Trabalho solo levado ao pé da letra,”Intro” teve pouca repercussão. No segundo disco, optou por outra estética, buscando uma sonoridade coletiva, tendo como referência Gilberto Gil, Itamar Assumpção e – muito importante, você já saberá porque – Fela Kuti. Co-produzido por Bruno Morais (músico paulista do bom “A Vontade Superstar”), o segundo disco, “Taxi Imã” teve o efeito que o primeiro disco não teve: colocou o groove-bossa-afro-dub do Pipo no mapa.

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Para além das composições e da produção, muito do apelo do disco está nos instrumentais. Sem saber, Pipo montou um grupo tão bom que pouco depois das gravações esse músicos formaram uma das bandas mais comentadas de 2011, o Bixiga 70, dedicado ao afrobeat (olha a presença do Fela Kuti aí).

– Eu já tocava com Marcelo Dworecki, Décio7, Cris Scabello (baixo, bateria e guitarra, respectivamente) e Daniel a mais ou menos um ano e meio antes das gravações. Quando começamos a pré-produzir o disco, eu e Bruno começamos a pensar nas pessoas que poderiam expressar o som que gostaríamos para as canções. Então, foi espontâneo que a banda “matriz” continuasse e outros músicos que admirávamos, como o Maurício Fleury, Cuca Teixeira, entre outros que hoje formam o Bixiga 70, chegassem para fazer o disco – explica Pipo.

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O tecladista do Bixiga 70, Mauricio Fleury, complementa.

– A partir das composições do Pipo, começamos a conversar sobre as influências que transpareciam no trabalho, música latina, africana, brasileira, psicodelia anos 70. O diálogo seguiu após o fim das gravações. Foi quando surgiu o primeiro tema que fiz inspirado nessas conversas, “Grito de Paz”, que já apontava pra essas influências. Convidei o Décio 7 pra gravar baterias e percussão na gravação dessa faixa e ele teve o estalo: “temos que montar uma banda pra tocar esses sons”

A intercessão entre músicos de uma mesma cidade ou circuito em diferentes projetos dá a ideia de uma cena em andamento. Para Pipo, isso é mera consequência das trocas entre os artistas.

– Todos precisamos muito uns dos outros para estabelecer nossas movimentações, aprimorar idéias e para haver um amadurecimento dos trabalhos. Creio ser a troca a grande “moeda” que possuímos. Na maioria das vezes faço a mesa de som dos shows do Bixiga e o Cris, guitarrista, deles, também faz nos meus shows.

Mauricio complementa, destacando que o que importa é criar um contexto para um som instrumental, dançante para o qual ainda não tem referências diretas.

– Estamos num momento muito bom de troca entre os músicos de São Paulo e de fora e é muito legal ver como estamos conectando diferentes estilos. A cada combinação diferente de músicos, uma nova situação vai surgir. É um processo caleidoscópico, que se transforma a cada movimento.

O afrobeat tem surgido como influência forte em algumas novas bandas, tendo inspirado a criação inclusive de projetos dedicados exclusivamente ao som nigeriano, como a Abayomy Afrobeat Orquestra e o Afrika Gumbe, no Rio.

– O nosso interesse não é tocar só afrobeat, menos ainda de maneira ‘tradicional’, o que nós fazemos é seguir o hibridismo inerente ao afrobeat, a fusão de ritmos tradicionais com instrumentos elétricos e a linguagem ocidental do jazz, da música latina, etc. O afrobeat já vem sendo trabalhado de forma subliminar na música brasileira há muitos e muitos anos, no disco Refavela de Gilberto Gil ou no movimento pernambucano manguebit dos anos 90. Nos útimos anos aparece também no trabalho de artistas como Céu, Kiko Dinucci e Criolo. A poliritmia africana está muito presente no Brasil, acaba sendo natural para os artistas aliar essas influências às que nós já temos por aqui – avalia Mauricio.

Pipo concorda e amplia a zona de influência.

– Nessa caldeira musical trasbordante que nosso país possui, grandes mestres, maestros da composição que nos mostram caminhos lindos de percurso e paisagem para desfrutar a atenção à música, não consigo ficar pacato ao ouvir uma música de Gilberto Gil, Pedro Luís, Dorival Caymmi ou Luiz Gonzaga. É nessas pinturas musicais multi dimensionais que humildemente tento caminhar e apreciar a paisagem.

Tchequirau

Nascido e criado em Bristol, na Inglaterra, terra do Massive Attack e de uma cena de graves pesadíssima, o produtor Julio Bashmore faz house filtrado por influências de 2step e UK garage e funky.

segunda-feira

24

outubro 2011

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Transcultura # 063: SILVA // Wado

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Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

O doce embalo do SILVA
por Bruno Natal

Esses dias, um EP surgiu na rede e logo chamou atenção. Entitulado apenas “SILVA”, assim mesmo, com tudo em maiúsculas, o link se espalhou pelas redes sociais e a notícia estava dada: tem um artista novo na praça. O nome por trás das faixas é o capixaba Lúcio Souza, 23, terminando a faculdade de violino. As referências eruditas param por aí. As sonoridade mais próximas do lo-fi feito por bandas como Youth Lagoon, Toro Y Moi e El Guincho, música contemplativa, de batidas eletrônicas discretas, pra espreguiçar, e letras em português remetendo a Los Hermanos e Moreno Veloso.

Latest tracks by SILVΑ

– Inicialmente queria um som seco e orgânico, mas aos poucos fui descobrindo um movimento eletrônico com vocal que me agradou bastante. Estava ouvindo o que está rolando na música de vários lugares e quis contextualizar minha música, fazer um som que escapasse um pouco do que eu estava acostumado a ouvir em português. Nessa era da internet não é muito fácil citar todas as influências. Ultimamente tenho ouvido muito os lançamentos da Hemlock, sou fã do Kanye West, gosto de El Guincho, Andrew Bird, gosto da Céu. Gosto de ouvir tantas coisas que não conseguiria apontar uma raíz – explica o Lúcio.

Produzido pelo amigo Lucas Paiva, o disco levou 5 meses pra ficar pronto e todos os instrumentos foram gravados pelo próprio Lúcio, tirando algumas participações. A masterização foi feita por Matt Colton, responsável pelo disco do James Blake.

– Gravei com os instrumentos que tinha em casa: violino, piano, piano elétrico, guitarra, surdo, caixa, sintetizador. O Paiva criou um dos riffs de “Cansei” e em “Acidental”, criou vários elementos e aquele clima embaçado da música. Também convidei um trompetista para gravar as linhas de sopro de “12 de maio”. O EP foi gravado em três lugares diferentes, no Visom, na minha casa e no Costa Brava (casa do Paiva, que co-produziu e mixou o trabalho). Eu toquei o que podia, o Paiva tocou uns synths e só. Eu e o Paiva já gostávamos do trabalho do Matt Colton com o Sandwell District, Frozen Border, Horizontal Ground e alguns trabalhos da cena eletrônica da Europa. O Matt trabalha muito bem com o grave e a intenção era fazer o disco soar assim – lista.

Antes desse projeto, Lúcio já havia tido outras bandas, claro. A experiência mais marcante foi como músico nas ruas da Irlanda, em 2009.

– Cheguei em Dublin no auge da crise econômica e aquele foi o trabalho que apareceu e me sustentou. As pessoas de lá conheciam a banda que tocava na Grafton Street todos os dias. Depois vieram os pubs e os festivais de música independente que acontecem por lá. Acho que isso mudou bastante a minha cabeça musical, antes eu nem pensava em usar meu violino no meu som. A banda tocava uma mistura de blues, r&b, disco e cada um era de um país diferente.

A experiência de gravar sozinho foi produtiva, porém Lúcio está montando uma banda para poder levar o SILVA para os palcos e finalmente interagir com parceiros musicais.

– Fazer sozinho é bem solitário, mas foi a forma que arrumei de fazer o som que me vinha à cabeça. Não consegui achar pessoas próximas a mim que estivessem dispostas a gastar tempo com as músicas. Meus amigos da faculdade são daqueles que lêem partituras como ninguém, mas não conseguem criar um riff de guitarra sequer. Também tenho amigos que tocam muito bem seus instrumentos, mas não têm paciência de investir na idéia. Para fazer todos os arranjos do disco no palco, teria que chamar pelo menos umas seis pessoas. Quero fechar com quatro, mudar alguma coisa ou outra e deixar tudo bem verdadeiro. Estou tentando preencher os vazios com pessoas que tenho conhecido ao longo do caminho.

Tchequirau

Nasceu o disco do Wado. “Samba 808” passa muito bem, tem dez músicas e participações de Marcelo Camelo, Curumin, entre outros, e pode ser visitado (e adotado) em wado.com.br

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