festivais Archive

quarta-feira

3

abril 2019

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RESUMIDO #7: Patinetes e telas

Written by , Posted in Digital, Urbanidades

O RESUMIDO (versão em áudio do URBe) chega ao cabalístico 7º episódio. O podcast está disponível em todas as plataformas, incluindo Spotify e Apple Podcasts.

Tabata Amaral

De Harvard ao Congresso: quem é a jovem deputada que deu lição em Vélez
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Discurso da deputada estreante durante participação na Comissão de Educação da Câmara viralizou nas redes sociais

A simplicidade do discurso direto une AOC e Tabata Amaral.

Reforma da previdência

Confira a versão resumida da palestra de Eduardo Moreira no Facebook.

Bolsoland

Ernesto Araújo volta a defender que nazismo foi um 'fenômeno de esquerda'
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Chanceler brasileiro publicou texto sobre o assunto em seu blog. Teoria é contestada por historiadores e repercutiu mal na Alemanha

No Memorial do Holocausto, Bolsonaro diz que nazismo era de esquerda
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Em resposta a críticas do Hamas, o senador Flávio Bolsonaro, que também viajou para Israel, publicou em uma rede social: ‘Quero que vocês se explodam’. Depois apagou a publicação.

Nazismo é de direita, define Museu do Holocausto visitado por Bolsonaro em Israel
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Patinetes

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Reclamações de usuários são por condução em calçadas em alta velocidade e desrespeito ao trânsito

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Are scooters a dangerous nuisance or an environmentally friendly form of transportation? Or both? Watch Follow This on Netflix.

Assista o episódio “Scooter Wars” da série Follow This, produzida pelo BuzzFeed, no Netflix.

Horário de verão

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Ministro de Minas e Energia diz que relatório já está pronto para análise do presidente

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A economia foi possível porque não foi preciso adicionar mais energia de usinas termelétricas para garantir o abastecimento do país

Germans Invented Daylight Saving Time—Now They're Going to Kill It
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R.I.P. DST

Tempo de tela

Groundbreaking study examines effects of screen time on kids
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60 Minutes goes inside a landmark government study of young minds to see if phones, tablets and other screens are impacting adolescent brain development

Lute como uma garota
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Há uma década, Lola é alvo de grupos de ódio e não deixa barato: levou para a cadeia seus agressores

Variadas

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The home-rental start-up says it’s cracking down on hosts who record guests. Is it doing enough?

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Smart TVs have never been more affordable. Turns out there’s a reason for that.

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Doc and Genre Films Are Booming at the Box Office
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Genre films can be found throughout the SXSW 2019 program. But what led to the rise in popularity? Find out in these SXSW sessions!

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“Live-coding” parties are the latest phenomenon in underground electronic music culture.

Cultura

Colonel Sanders at the Rave: Kentucky Fried Chicken’s Presence at Ultra Music Festival Was Disturbing | Pitchfork
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JFC, KFC

RESUMIDO tracks

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terça-feira

7

junho 2016

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Tapas, sol e concreto: Primavera Sound 2016

Written by , Posted in Música

fotos: @urbe
ilustrações: Ben Rubin (Upstate, New York) / @bwrubin

Finamente, Primavera. Após adiar por anos, fui conhecer o tão comentado festival espanhol. Fiz também uma cobertura para O Globo (dando uma geral no evento) e para o Ponto Eletrônico (contextualizando o festival entre seus pares) – e você pensando que isso aqui é só lazer).

As três resenhas são complementares, bem diferentes uma da outra,. Confira os textos “Porque é primavera” e “Primavera Sound: um festival de música”. Vou manter a introdução curta por aqui e cair nos comentários sobre os shows.

No Primavera Sound Barcelona não tem muito espaço para fru-fruzice. É show em cima de show, muitos palcos simultâneos, caminhadas gigantes, incluindo escadarias de respeito. O Parc del Fórum é um concreto só e, mesmo estando na beira da praia da Barceloneta, não é fotogênico.

Com certeza isso espanta aquela parte do púbico (cada vez maior, dependendo do festival) mais preocupada com o Instagram do que com as bandas e isso ajuda a assistir os shows. E quem quer passear, tem toda cidade e seus muitos bares de tapas pra curtir. O público é majoritariamente composto por trintões, a imensa maioria de homens.

Por outro lado, os shows começam e acabam tarde pra burro e a falta de espaço de convivência além da praça de alimentação tornam a experiência bastante cansativa. Afinal, deitar no cimento sujo não é exatamente convidativo.

Empiezó! #primaverasound #primaveraurbe

A photo posted by URBe (@urbe) on

Entre as 130 atrações, com destaque para o rock e para o pop, apresentaram-se o Radiohead, LCD Soundsystem Tame Impala, Brian Wilson, Sigur Rós, Beach House,The Last Shadow Puppets, LCD Soundsystem, PJ Harvey, Air, Beirut, Goat, Action Bronson, John Carpenter Alex G, Andy Shauf, Nao, Kamasi Washington, Orchestra Baobab, Mbongwana Star, Moses Sumney, Pantha Du Prince, Floating Points, Holly Herndon, DJ Koze e Moderat. Representando o Brasil, os grupos O Terno, Aldo The Band e Inky tocaram num dos palcos secundários, com público diminuto, porém atento.

Segundo a organização, o Primavera Sound reuniu 200 mil pessoas em cinco dias em diversos eventos em Barcelona, com a presença de pessoas de 124 países diferentes. A maior parte do público é de trintões, com ampla maioria de homens (esse sendo um comentário feito por mulheres).

Dividido em cinco dias, as três noites principais são de quinta a sábado no Parc del Fórum e seus oito palcos. Nos outro dias (quarta e domingo) há shows gratuitos em museus e casas de show, como contrapartida para cidade.
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Dia 01
Andy Shauf, Julien Baker, Beak>, O Terno, Kamasi Washington, Suuns, Floating Points, Tame Impala, John Carpenter, Mbogwana Star e LCD Soundsystem

Buenos dias! #primaveraurbe

A photo posted by URBe (@urbe) on

Primeiro dia num festival que você nunca esteve é complicado. Não se sabe ainda onde fica nada, a sinalização não era boa e, pra piorar, o primeiro show do dia era um dos que mais queria ver. Após encontrar o Auditori Rockdelux, que fica fora da parte principal do festival, cheguei a tempo de pegar um lugar na primeira fila e assistir o Andy Shauf.

Acompanhado de um baterista num kit simples, com surdo bem abafado, teclado e baixo, Andy se revezou entre a guitarra e o violão de aço. As primeiras poltronas ficam na mesma altura e bem perto do palco, sem grade de separação, até a fumaça do gelo seco que abraçava os músicas envolvia também parte do púbico. Cenário perfeito para um show delicado, com arranjos lindos e suaves, proporcionando mudanças sutis de dinâmica em seus momentos altos.

O sol rachando lá fora e na escuridão do auditório Andy Shauf optou por formatos diferentes ao vivo. De cara, o clarinete que atravessa o ótimo disco do ano passado sumiu, sendo substituído pelo teclado.

ATUALIZAÇÃO: acabei de descobrir que Andy lançou um novo disco, “The Party”, dia 20 de maio, pouco antes do show, motivo pelo qual havia tantas músicas desconhecidas, outra formação e pouquíssimas do “Bearer of Bad News”.

Mesmo com convenções, os arranjos ficaram um pouco mais previsíveis, as vezes monótonos, perdendo a aspereza ou crueza das versões gravadas. Esquecendo as comparações com o disco, o show é ótimo por si só.

Beak> ajudando Bristol a se adaptar ao sol #primaverasound #primaveraurbe

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Saindo do ar condicionado para caloreira e atravessando a ponte e a escadaria que ligam a parte alta a parte baixa do Parc del Fórum, vi uma música da Julien Baker (chato e só fui parar lá porque confundi com a Julia Holter) e subi novamente para conferir o Beak> no palco Primavera (o único que não leva o nome de um patrocinador).

Honrando a tradição de Bristol, casa do Massive Attack e Portishead, o trio de guitarra, teclado e batera passeou por algumas influências que se espera vindo desse berço: baixo dub, bateria ora jazz, ora disco punk, teclado psicodélico e pegada dançante.

O som é bom mas não diz muito a que veio. Rapidamente se tornou um tanto repetitivo, como se fossem mais temas do que músicas acabadas, cansando.

O Terno ?? Palco escondido mas até que tem uma galerinha #primaveraound #primaveraurbe

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Saindo antes do fim deu tempo de pegar um pedacinho do show dos paulistanos d’O Terno. Tocando num dos palcos secundários o NightPro, já passavam das 20h e o dia seguia claro (ah, a temporada primavera-verão no hemisfério norte…) e os meninos conseguiram reunir umas poucas dezenas de pessoas, entre elas muitos brasileiros.

Apesar de não ser um dos palcos de maior destaque, o NightPro fica num ponto estratégico da caminhada entre as duas áreas mais importantes do festival e é também o que tem o visual mais legal, colado na água. Não deu pra ver até o final porque era quase hora de outro dos destaques do festival.

Kamasi Washington, puta que los pares! ??? #primaverasound #primaveraurbe

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De volta ao Auditori, a fila para o Kamasi Washington estava gigantesca. Ainda bem que o auditório é enorme e coube quase todo mundo, pois seria muita injustiça pessoas fazendo fila pra ouvir free jazz num festival predominantemente de rock ficarem sem ouvir o saxofonista. Entra daqui, pergunta de lá, descolei novamente uma cadeira na primeira fila.

Com uma big band incluindo trombonista, tecladista percussionista, vocalista de apoio, dois bateristas e um contrabaixista que arregaçou tudo, Kamasi fez um dos shows do festival. Indo de temas funkeados e acessíveis a esporros experimentais, um Kamasi Washington totalmente relaxado demonstrou controle sobre a banda entrosada. De quebra ainda teve uma canja do próprio pai.

Em apenas dois shows o Auditori já provava seu valor, mas infelizmente não vi nenhum outro show ali.

O trap rock do Suuns faz um clima hein #primaverasound #primaveraurbe

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Já estava escurecendo quando acabou o show e só deu tempo de pegar uma música do Suuns no palco ao lado. Estava animado, gostaria de ter visto mais, mas não deu muito pra sacar o som. A que ouvi parecia uma banda de rock trap (soa desastroso, mas isso é pra ser bom). Fora essa, a trilha dos vídeos com vinhetas que passavam antes de cada show do festival era o trecho de uma música deles.

Floating Points live, só no transe #primaverasound #primaveraurbe

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Descendo a escadaria do anfiteatro (essa é uma segunda escadaria, diferente da primeira), o Floating Points apresentou no palco Rayban (o mais legal deles) sua versão ao vivo, com bateria e todo o resto, num show bem viajante e chapado. Coisa boa. Correria de lá para pegar o Tame Impala no palco H&M, um dos dois principais. E não deu pra ver foi nada.

Os australianos arrastaram quase todo festival para o lugar, provando que apesar da torcida de nariz de alguns fãs, o terceiro disco catapultou mesmo a carreira da banda. Kevin Parker deve saber o que está fazendo.

Um dos grandes defeitos do festival, o som baixo fica ainda mais grave pela falta de torres de repetição no amplo espaço aberto. Some-se a isso que houve um apagão durante o show e calcule o tamanho da saudade de vê-los no Imperator ou no Circo Voador.

John Carpenter aterrorizando a plateia #turumtss #primaverasound #primaveraurbe

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Atravessando o complexo mais uma vez, dei de cara com o diretor cult John Carpenter apresentando algumas trilhas dos seus filmes, fazendo o que era apenas o seu segundo show. Interessante mais para fãs e pela curiosa proposta.

Mbongwana Stars mei careta… ? #primaverasound #primaveraurbe

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Sem muita animação com essa volta do LCD Soundsystem (e satisfeito com a quantidade de shows que já vi da banda), optei por conferir o Mbogwana Star, dos quais conhecia apenas uma música. Ao vivo o lance veio bem careta, uma formação básica que não empolgou o suficiente para afastar o comichão que repetia dentro da minha cabeça: “vai mesmo perder o LCD? vai mesmo perder o LCD?”.

Não vou não. Corri de volta para o palco Heineken, um dos dois principais e… de novo, não dava pra ouvir nada. LCD com som baixo não funciona, então furando a barreira humana cheguei o mais perto que pude do palco, bem perto na verdade, e… nada.

O peso da viagem no dia anterior, o fuso e o cansaço do próprio dia, além do fato de que o LCD parece nunca ter parado, com tudo que há de bom e ruim nisso (show afiado, mas idêntico ao que se viu cinco anos atrás), trouxeram a voz novamente, dessa vez dizendo “quero dormir” e lembrava “o metrô está em greve e vai ser complicada a volta”.

Dei ouvido as vozes novamente e fui pra casa quando já eram 2h15 da manhã e o James Murphy estava na metade do set.

Dia 02
Alex G, Moses Sumney, Steve Gunn, NAO, Beirut, Radiohead, Last Shadow Puppets, Animal Collective, Holly Herndon, Beach House, Avalanches e DJ Koze

Anochecer en Barça #primaverasound #primaveraurbe

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Nada como dormir e acordar descansado. A não ser, claro que você tenha passado 1h30 brigando pra tirar uma lente de contato que aparentemente nunca esteve lá e não tenha dormido muito ou mesmo descansado. E logo no dia do sufoco, com 12 shows para ver, chegando bem cedo e saindo bem tarde.

Você pode perguntar: dá pra ver 12 shows em nove horas? Não, não dá. Então cabe a cada artista cativar o coração do ouvinte e conquistar mais minutos. Festival é isso aí, menu degustação ligado e que vença o melhor.

O primeiro derrotado do dia foi o Alex G no palco Adidas. Tenho certa preguiça de folk, porém o que ouvi dele pareceu bem legal. Ao vivo o rapaz abandona o violão, empunha uma guitarra e embarca uma viagem noventista indie experimental que, com essa descrição, não preciso nem dizer o resultado.

Logo ao lado, no palco Pitchfork, começava o Moses Sumney, querido da rádio KCRW. Seu som é muito introspectivo e ao vê-lo no palco acompanhado apenas de três microfones, uma guitarra e uma mesa de efeitos, lutando contra o zum zum zum ao redor parecia o prospecto de mais uma derrota. Mas o carisma não é considerado algo tão forte a toa. Nem a barulheira do Alex G ao lado conseguiu atrapalhar.

Montando bases bom beat box e conversando com o público sem parar, Sumney, visivelmente feliz, botou a platéia no bolso. Cantando num falsete que por vezes faz lembrar o Finley Quaye, o cantor saiu aclamado do palco.

Steve Gunn e o por de sol de concreto #primaverasound #primaveraurbe

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Quicando novamente pro palco Adidas, logo ao lado, Steve Gunn fez um show que teria sido uma trilha ótima para uma espreguiçada, não fosse a falta de um lugar legal pra deitar e curtir o som. Como o Tame Impala na noite anterior, Gunn também sofre com uma pane no som.

De volta ao Pitchfork, a NAO fez o que deve ter sido o show de estética mais pop do festival. Com ótimas músicas gravadas, o show estava chato. E muito longe dali, uma escadaria ou ladeiras depois, o Beirut tocava no H&M.

Beirut #primaverasound #primaveraurbe

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Por algum motivo o curral VIP (não apenas para convidados, mas também para quem pagou por um ingresso ainda mais caro) que fica bem em frente ao palco estava aberto e deu pra ver Zach Condon de perto. O show estava ótimo, final de tarde, mas como já havia visto (e aposto que ele ainda paga essa ida ao Brasil em breve), tive a infeliz ideia de atravessar o complexo inteiro novamente para ver o Freddie Gibbs, apenas para descobrir que o show havia sido cancelado. Fiquei sem um, nem o outro.

Menos mal que com esse tempo de sobra, pude chegar mais cedo para tentar pegar um lugar no Radiohead. Com os problemas de volume da noite anterior e sabendo que ver o Radiohead de longe e baixo não seria exatamente o ideal, estava considerando até mesmo perder o show por falta de disposição de ficar brigando por um lugar. Então resolvi tentar e deu para ao menos ficar num lugar que deu pra ouvir o show direito.

Ao contrário do que pensava, no entanto, o repertório do show não priorizou o disco novo. Como ainda não está no Spotify e tive preguiça de baixar, estava ansioso por essa primeira audição ao vivo que acabou não vindo. O cenário, sempre um ponto alto dos ingleses, também não surpreendeu, parecendo um arremedo do telão da turnê de “In Rainbows”com as luzes de palco do “King of Limbs”.

Num espaço daquele tamanho, as experimentações visuais podiam se manter mais ao palco, fazendo melhor uso do telão, pois para quem estava longe, estava bem difícil de entender o que se passava no palco. Ruim não foi, porque, mesmo assim, chato não é. Mesmo que a adoração messiânica dos fãs (que a banda em sua atitude blasé finge que não gosta) as vezes dê no saco. Mas é aquilo, pra mim foi mais do mesmo – mesmo que o mesmo seja mesmo muito bom.

Holly Herndon entortando as coisa tudo #primaverasound #primaverasound

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No final do show ainda deu pra pegar um pedaço da tiração de onda de Alex Turner a frente do seu Last Shadow Puppets no palco oposto. Depois de mais de duas horas parado no mesmo lugar para ver o Radiohead, a pedida era sentar e dar uma descansada em algum lugar.

Hora de atravessar o Parc inteiro mais uma vez pra tentar o Animal Collective (onde eu estava com a cabeça?). Não deu. Tentar então o Holly Herndon, um pouco mais longe ainda. E estava bem bom, bem doido, interagindo com a plateia através de mensagens escritas no telão, como se fosse um chat (incluindo um alô pro Radiohead).

Beach House, 2:30 da manhã, tocando pra umas 20 mil pessoas #primaverasound #primaveraurbe

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Tarde pra dedéu pra um show com a levada do Beach House, já eram 2h quando Vicotria Legrand e companhia ninaram uma plateia surpreendentemente gigantesca, de umas 20 mil pessoas, num dos palcos principais. Não mudou muito do show que fizeram no Rio, porque nada ali muda muito, mas o cenário novo estava muito bonito e o Beach House é classe.

Um do artistas que mais causaram burburinho no pré-Primavera, o Avalanches era uma das atrações mais aguardadas. Sem lançar disco novo desde 2000, quando lançaram seu único, “Since I Left You”, famoso pelos mais de 350 samples utilizados, a dupla australiana havia anunciado no dia anterior que vem um disco novo por aí (algo que já estavam dando dicas há pelo menos duas semanas em redes sociais). O set do festival foi bem de pista, bastante funk, não dá pra saber o que ali vai estar no novo trabalho, mas foi bem animado.

E fechando a noite, DJ Koze #primaverasound #primaveraurbe

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Quatro y vinte de la matin DJ Koze começou seu set. Estava ansioso para conferi-lo ao vivo. Ele começou na maciota, mas depois descambou pra um tech house reto pra frito ver que não animou ficar. Isso ou estava cansado. Ou as duas coisas. Era hora de partir.

——

Dia 03
Brian Wilson, Pusha T, Orchestra Baobab, Action Bronson, Sigur Rós, Julia Holter, Pantha du Prince e Islam Chipsy & Eek (+ Mudhoney e Black Lips)

Se alguém se deu ao trabalho de fazer as contas (claro que não), o sono estava beirando seis horas por noite, após andar em méida 20km por dia (segundo o gps de um amigo), muito pouco para o pique que um festival desses exige. Por isso, no terceiro dia foi vez de chegar um pouco mais tarde.

20h, “final de tarde”, a noite se aproximando no palco principal e Brian Wilson tocando o clássico “Pet Sounds” na íntegra, comemorando os 50 anos do disco que inspirou os Beatles a compor outro clássico, o disco “Sgt. Peppers”. Terminado o disco, ainda emendou clássicos dos Beach Boys.

PrimaveraSound2016_BrianWilson_Illustration-Ben Rubin
ilustração: @bwrubin

Todo festival desse porte guarda um show que, quando você olhar pra trás, vai te fazer ter certeza que valeu a pena todo o esforço e investimento pra ir. No Primavera Sound 2016 pra mim foi esse.

PrimaveraSound2016_OrchestraBaobab_Illustration-Ben Rubin
ilustração: @bwrubin

Ficou difícil pra todo mundo depois desse show e não ia ser o Pusha T quem ia fazer o trabalho de conquistar atenção depois disso. E não fez mesmo. Show de hip hop apenas com DJ e MC é chato pra dedéu e de lá corri pra Orchestra Baobab.

Animados, suingados, mântricos e até mesmo caribenhos via carnaval de Salvador, os africanos da Baobab botaram pra quebrar e fizeram um showzaço. Transe completo, guitarras cantando, percussão comendo solta e metaleira fervendo, entrou também no topo da lista de melhores do festival.

Action Bronson #primaverasound #primaveraurbe

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Pra você ver como são as coisas, o rapper Action Bronson, mesmo acompanhado apenas pro um DJ e enfrentando mais um apagão no som, estrondou o palco Primavera com uma presença de palco impressionante. Deu vontade de ver mais do que as quatro primeiras músicas, mas tinha Sigur Rós do outro lado do Parc e a caminhada precisava começar.

Num lindo cenário de luzes e projeções, como lhe é característico, com as cores variando entre o azul, vermelho e branco, bem viajante. As fortes luzes de serviço do festival, iluminando a praça de alimentação logo atrás do palco, atrapalharam bastante o efeito.

Em todo caso, como no caso do Radiohead, quando uma banda fica desse tamanho e faz shows dessa magnitude, o entendimento completo dos efeitos não deveriam ficar restritos a quem consegue uma visão frontal do palco.

Como aconteceu na noite anterior com o Beach House, novamente a combinação de show chapado com altas horas da madrugada não caiu bem. Uma passada pela Julia Holter não convenceu e restava aguardar mais uma hora, até as 3h, para conferir o Pantha du Prince. E eles não decepcionaram.

Vestindo espelhos convexos na cabeça, o trio de batera e dois laptops produziu um efeito visual sombrio, fazendo o clima pro som aguardado. Surpreendentemente, eles vieram forte pra pista, fazendo um som mais acessível do que o esperado e botaram o anfiteatro pra balançar.

Islam Chipsy & Eek (saideira, tá difícil ir embora) #primaverasound #primaveraurbe

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Na saída ainda deu pra dar uma bizoiada no Islam Chipsy & Eek, só que o sujeito martelando a caixa de uma das duas baterias como se pregasse algo na parede não animou a ficar.

No dia seguinte, domingo, foi dia de passear. Mesmo assim acabei topando com o show do Mudhoney e Black Lips no CCCB. Vi mais um pouquinho, mas a cabeça já estava longe. Hora de voltar pra casa.

segunda-feira

27

outubro 2014

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Novas Frequências 2014: programação completa

Written by , Posted in Destaque, Música

festivalnovasfrequencias2014

Cada vez ficando maior, a 4ª edicão do Novas Frequências durará duas semanas. Do dia 01 a 14 de dezembro o festival de música experimental conectada às novas tendências contemporâneas espalhará suas 33 atrações de 11 países diferentes em seis espaços do Rio.

Para saber mais sobre os shows, performances, panoramas, oficinas, festas e discussões do Novas Frequências confira as páginas com a programação e detalhes de cada um dos núcleos: Oi Futuro Ipanema, Audio Rebel, Sérgio Porto, La Paz, POP e Casa Daros.

segunda-feira

21

novembro 2011

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Lobão vs Lollapalooza

Written by , Posted in Destaque, Música

Convidado para tocar no Lollapalooza num horário muito cedo, segundo ele próprio, Lobão descasca os festivais e questiona o porquê dos artistas nacionais não terem o mesmo destaque da atrações internacionais.

O ponto é válido, porém a forma que está sendo debatida é discutível. Só consigo me lembrar de uma vez que a atração internacional tenha aberto para a nacional, o Asian Dub Foundation abrindo para o Rappa no Canecão, sei lá em que ano.

Naquela noite fez sentido, as pessoas estavas lá para ver o Rappa, não ADF. No caso dos festivais, dificilmente esse é o caso.

segunda-feira

10

outubro 2011

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Uma volta pelo Rock in Rio

Written by , Posted in Música, Resenhas

Fui ao Rock in Rio mais pra ver a produção do que para conferir as atrações, praticamente uma obrigação profissional. Não entrei nesse mimimi de reclamar da escalação por um simples motivo: o evento não é feito para mim. É para outro público e, nesse ponto, os ingressos esgotados para todos os dias com meses de antecedência falam por si só.

Nesse sentido, impressiona a magnitude do evento, é uma produção gigantesca em que quase tudo funcionava perfeitamente. O clima de shopping center montado num estacionamento está longe do meu ideal, porém muita gente se esbaldou por ali, como se fosse domingo e as bandas fossem música de fundo.

Seja como for, o ponto principal é ver um evento fortemente voltado para classe B e C feito com cuidado. O alto preço dos ingressos demonstra o aumento do seu poder de compra e, ao realizar algo caprichado para esse público, o Rock in Rio ajuda a educar.

Filas minimante organizadas, pedidos de “licença” e desculpa” por esbarrões involuntários, espaço entre as pessoas para assistir o show, tudo isso parecia potencializado pelo ambiente, ainda que sujeirada no chão etivesse braba e tenha havido muitos assaltos dentro e fora do evento.

Como na contestada teoria das janelas partidas, ao ser tratado com respeito, o público se torna respeitoso. E não custa lembrar, vem Copa e Olímpiadas por aí e precisamos aprender a nos comportar nesses eventos.

Entre os shows, o do Stevie Wonder não foi nada diferente do que assisti em 2008, uma chuva de clássicos, um espetáculo calculado, excelente, mas um pouco engessado.

Janelle Monae não segura a onda, como já não havia segurado na abertura da Amy Winehouse, e a Kesha foi contrangedor de tão ruim. Surpresa foi o Jamiroquai. Com um bandão, fez praticamente um set de disco, com músicas emendadas e balançando. Por essa não esperava.

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