circo voador Archive

quinta-feira

8

novembro 2012

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O telefonema da Feist para Kevin Drew (Broken Social Scene)

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foto: I Hate Flash

Do palco do Circo Voador, a Feist ligou pro Kevin Drew, Broken Social Scene, só pra dizer que estava no mesmo lugar que o BSS fez o último show da carreira, também pelo Queremos!

http://youtu.be/Zg4RUu4SmhE

Feist <3 Queremos!

http://youtu.be/PFXiWaf_ldM

quinta-feira

25

outubro 2012

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sábado

29

setembro 2012

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O HC família do Planet Hemp

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Sentado numa cadeira de praia logo a frente da bateria, vestindo uma camiseta do Dinosaur Jr, Marcelo D2 recuperava o fôlego entre cada música – por vezes até durante as músicas. Quem apostou nos atrasos do Circo Voador perdeu o início do show. Iniciado 0h30, apenas 30 minutos após o horário marcado. O tempo passou e não foi só para os integrantes do Planet Hemp.

O show de lançamento da turnê de reunião do enfumaçado grupo (planet é um anagrama de plante, nunca tinha percebido até digitar errado), após “dez anos longe dos palcos” (numa incompreensível insistência em ignorar o show de 2004, no Humaitá pra Peixe, sem falar na apresentação na comemoração dos 20 anos da MTV), reuniu fãs das antigas, prontos para pogar e revisitar a banda. A atmosfera era de túnel do tempo.

O impacto da Esquadrilha da Fumaça na cena cultura carioca e nacional pode ser medida também pela quantidade de talentos com quem trabalharam durante os anos: FleshBeck Crew, Apavoramento, Motilla/Cara de Cavalo, Matias Maxx, Pepa Filmes e tantos outros. Vários desses personagens da história do Planet estavam assistindo da lateral do palco ou trabalhando – filmando, fotografando, fazendo o telão.

Ainda que possa se chamar o quinteto no palco de formação clássica, fizeram muita falta Black Alien (focado no lançamento do seu próximo disco) e o DJ Zé Gonzales. Autor de vários versos memoráveis da banda, Black Alien foi a ausência mais sentida. Já Zégon poderia ter trazido mais groove pro som, que na sua ausência ficou mais focado no hardcore.

Não se pode esperar do Planet Hemp, mesmo com toda produção, com telão de LED e os muitos roadies, nada que não seja podreira. Apuro técnico não é o foco da banda, eles sobem no palco pra fazer barulho e promover anarquia. Para que as letras e o som mantenham esse caráter, é importante que a banda não deixe os anos de experiência interferirem e rebuscar demais.

Afinal, trata-se de uma visita, de um resgate de algo que aconteceu mais de uma década atrás e não teve continuidade. Portanto, seria até paradoxal se a banda tivesse ido além dos cinco ensaios, citados por D2 no palco, para incrementar a herança de Beastie Boys e Cypress Hill via Garage e Rua Ceará. Bom que as coisas tenham se mantido como são.

Olhando o público lá de cima, D2 e BNegão se divertiam com as invasões autorizadas do palco, até ajudando gente a subir para poder pular. Alguns desses aproveitaram para fazer manifestações. Meninas beijavam D2, marmanjos davam berros antes de saltar, partidários abraçavam BNegão enquanto mostravam o dedo do meio para D2, mostrando de que lado estavam nas eternas disputas internas da banda.

Mesmo que a pista do Circo tenha se tornado uma grande roda de pogo durante todo o show, a maior parte do público regulava em idade com a banda, com alguns moleques assistindo o Planet pela primeira vez. Se os quarentões já não tem a mesma energia, o público quicou sem parar, mandou incontáveis mosh (incluindo meninas) e não faltou soco, cotovelada, empurrão, pisão no pé e bico na canela durante as duas horas de show. Até pezada na cara sobrou vinda de gente caindo do céu.

No lugar do Sonrisal e água de coco, a ressaca de sábado foi regada a Dorflex. O tempo passa, para todos.

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As músicas:


foto: Ramon Moreira

1º ato – Usuário

Não compre, plante!
Legalize Já!
Deisdazseis
Dig dig dig (hempa)
Planet Hemp
Fazendo a cabeça
Futuro do país
Phunky Buddha
Bala perdida

2º Ato – Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Para

Zerovinteum
Queimando Tudo
Quem tem seda?
Gorilla Grip
Seus Amigos
Nega do cabelo duro
Hip Hop Rio
Adoled (Ocean)
100% hardcore

3º Ato- A Invasão do Sagaz Homem Fumaça

Ex-quadrilha da fumaça
Raprockandrollpsicodeliahardcoreragga
Stab
Contexto
Procedência C.D.

4º Ato – “O que vocês quiserem”

A culpa é de quem?
Samba Makossa (Chico Science & Nação Zumbi)
Mantenha o Respeito

Bis:

Medley com músicas dos 1º e 2º atos
Legalize Já!
Dig dig dig (hempa)

quinta-feira

16

agosto 2012

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sexta-feira

20

julho 2012

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Do B ao A: entendendo os lados d’O Rappa

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O público do Rappa é um dos mais heterogêneos do Brasil. Da gatinha de brilhos cheirando lança à de chinelo fumando um; do rapaz de regata vomitando cerveja ao de boné balançando a cabeça; do esquerdista comentando que a banda se vendeu por um baseado (por citar FHC diversas vezes) ao playboy curtindo o “exotismo” das imagens da favela no telão, tem de tudo. Muito disso se deve aos caminhos sonoros que a banda tomou.

Para ouvir uma obra prima vale fazer concessões e a chance de revisitar um disco histórico como “Lado B, Lado A” ao vivo, mesmo com o Rappa tendo seguido outro rumo nos lançamentos seguintes, era atrativo o suficiente para ir ao Circo Voador. A apresentação especial fez parte das comemorações de 30 anos da casa, onde a banda tocou um bocado de vezes. Mostrando o disco do início ao fim, não tinha como dar errado. Afinal, eram os mesmos músicos. Ou quase isso.

O título do disco é representativo da divisão ocorrida no Rappa, cada um de um lado do que quase virou um baile de corredor. Pouco depois do lançamento de “Lado B, Lado A”, em 1999, o baterista e principal compositor do grupo, Marcelo Yuka, paraplégico após ser baleado num assalto em 2000, saiu da banda.

A separação não foi amigável e até hoje os integrantes não se falam. Yuka montou o F.UR.T.O. e participou de outros projetos e o Rappa seguiu um caminho mais comercial, deixando audíveis as diferenças criativas que provavelmente abalaram a relação – e também sublinhando o quanto, em algum momento, essa diferenças foram complementares, já que nenhuma das partes conseguiu ser sombra do que foram juntas em “Lado B, Lado A”.

Portanto, com tanta história e importância, por mais que musicalmente seja uma situação simples de resolver, é estranho assistir a banda apresentar o disco sem a participação do seu principal compositor. Como um Pink Floyd sem Roger Waters (para efeito de comparação), a ausência de Yuka se fez sentir logo na abertura, em “Tribunal de Rua”, música originalmente cantada por ele e entoada por Falcão.

Mesmo Yuka sendo figura central na concepção do “Lado B, Lado A” – das 12 músicas, 6 foram compostas apenas por Yuka, duas em parceria (“Lado B, Lado A” e “Homem Amarelo”) e apenas quatro sem sua participação (“Se Não Avisar o Bicho Pega”, “Favela”, “Nó de Fumaça” e “Todas Comunidades do Engenho Novo”) – ele foi citado apenas uma vez durante todo o show, quando Falcão contou o causo por trás de “Tribunal de Rua”.

É compreensível. Para a banda, fazer menção a Yuka pode ser como pedir licença para tocar o próprio trabalho. Até porque, como o show iria esclarecer, o que seria mostrado não era exatamente o “Lado B, Lado A” de 1999, e sim uma releitura.

Já de largada, solos de guitarra substituíram a dubzeira original da parte final de “Tribunal de Rua”. O Rappa no palco era o de 2003, pós-“O Silêncio Que Precede o Esporro”, informando que o túnel do tempo não era do presente para o passado como se poderia pensar, mas sim de lá para cá, trazendo as músicas antigas para a sonoridade atual. Simbolicamente, o instrumento onde essa mudança fica mais evidente é exatamente a bateria, com um kit e levada muito mais limpa.

Passado o susto inicial, a esperança que a essência das músicas venceria os novos arranjos afastou a preguiça. Sem lutar contra e aceitando o que vinha, ocorreu algo inesperado. Não se pode esquecer que O Rappa é uma banda que esculacha ao vivo, sempre foi assim. Os caras são bons de palco e tem bons técnicos, que sabem tirar som, o que no Circo é um diferencial tremendo.

Com o som preenchendo todo o ambiente, pesado e com pressão, o efeito foi parecido com aquele que se tem quando se ouve uma banda nova fazendo uma versão. Conhecendo a original, ficam claras as mudanças e, com isso, compreende-se o som da releitura, algo que acontece também em relação a remixes – e um dos grandes motivos para bandas fazerem tanto o primeiro quanto o segundo.

Ao ouvir as música clássicas nos novos arranjos ficaram óbvias as mudanças na sonoridade da banda, com tudo de bom e de ruim. Quase todas as músicas tem o andamento acelerado, a guitarra tomou a frente do baixo (ficando mais rock), a chapação deu lugar ao brilho e o dub a efeitos agudos, resistindo em sua forma original apenas em “Homem Amarelo” (um dos melhores dubs do Rappa). Mesmo com todas as diferença em relação ao passado, foi um showzão.

Tendo como referência a música jamaicana, para ficar próximo das raízes do Rappa, é parecido com a passagem do reggae para o dancehall, com todas as mudanças que acompanharam o processo, as letras rastafári dando lugar a celebração, o grave abrindo espaço para os agudos. No caso do Rappa, como era de se esperar, assim como no dancehall, a nova proposta é muito bem executada. O resto é gosto.

Talvez pela qualidade das originais, talvez pela simples ligação emocional pessoal, a sonoridade atual funciona melhor aplicada nas novas versões das músicas do “Lado B, Lado A” do que nas que foram criadas desde então. O problema não é a embalagem, porque tem muita coisa bacana na nova receita, o que pega mesmo é o conteúdo. Alguma coisa se perdeu.

A banda equalizou o som e transformou em algo com maior apelo popular, atingindo o imenso público descrito lá em cima. Porém, o fato de que os maiores hits da banda vieram justamente do “Lado B, Lado A” demonstra que o disco tinha encontrado a distância perfeita entre o alternativo e o pop, por vezes descrito com o arrogante “sucesso de crítica e público”. Não dá pra evitar pensar que esse poderia ter sido um caminho seguido por mais tempo. O que também não é certeza de nada. Pode ter sido meramente uma conjunção de fatores, que nunca seria repetida, mesmo que a formação original da banda tivesse sido mantida. Talvez não fosse mesmo para acontecer, o disco nasceu para ser único.

Já era bem tarde quando o Rappa terminou a primeira metade do show. Após a volta ao passado, a banda entrou no seu repertório contemporâneo e foi até depois das 3h30 fazendo o Circo Voador quicar. A caminho do Lollapalooza em Chicago, em agosto, teve até “Smoke on the Water”, totalmente desconectada do resto.

Com o túnel do tempo desligado, sem a potência do passado o presente não convidava a ficar.