Carrot Green Archive

quarta-feira

29

novembro 2017

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O melhor do festival Novas Frequências 2017

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Final de ano é época de Novas Frequências, festival mais estranho do calendário musical brasileiro. A primeira leitura qualquer um fica perdido. Primeiro, claro, em função dos artistas mesmo – a maioria completamente desconhecida. E depois pelo formato, bastante amplo, com shows em diversos espaços, o que na minha percepção acaba confundindo um pouco na hora de se programar.

O Novas Frequências pode ser cabeçudo e não é um evento para todos, mesmo que as festas sejam sempre mais descontraídas. Porém, é um festival necessário e saudável para o ecossistema musical brasileiro pra ir de coração e ouvidos abertos (a programação completa da 7ª edição do festival está no final do post).

Com menos atrações em relação ao ano anterior – 18 em vez de 50 – e com vários eventos gratuitos ficou mais fácil assistir a tudo.
Para ajudar na tarefa de se localizar nessa vasta oferta de música avançada, ninguém melhor que o curador, Chico Dub.

Confira as sete dicas que ele separou e apresenta com exclusividade para o URBe:

Igreja da Lapa e William Basinski: A Shadow in Time

Ao visitar festivais fora do país é tão comum assistir shows em igreja que desde que o NF começou em 2011 tentamos fazer algo semelhante. Finalmente conseguimos! Gosto de pensar na ideia de que o empurrãozinho foi dado pelo próprio William Basinski, um artista super acostumado a realizar concertos em igrejas do mundo todo. O reverb natural destes edifícios, sua acústica singular, tornam a experiência de escutar um som como o do Basinski ainda mais sublime. O cara trabalha com o desgaste e a decomposição de fitas de rolo. Sua música, loops de ordem minimalista, acabam ganhando então uma textura onírica, etérea, sombria e majestuosa. Detalhe: uma das obras que será tocadas pelo Basinski é uma peça que ele criou para o David Bowie post mortem.

Instalação sonora no MAM: Nicolas Field & Pontogor

Outro sonho antigo: ocupar o MAM RJ com uma instalação em seu pilotis – um espaço dos mais nobres da cidade tanto em função da sua arquitetura singular quanto em função da importância história do museu para as artes visuais brasileiras. Realizar uma instalação site specific que dura todo o período do festival é das coisas mais difíceis de se fazer. Há de se levar tudo, todo o tipo de equipamento e infra-estrutura, as conversas são muitas e os planos parecem mudar dia após dia. Mas, sem dúvida alguma, é um desafio que vale muito a pena. No caso, Nicolas e Pontogor irão criar uma instalação multicanal que traz elementos visuais como terra, sisal, desenhos de giz, fumaça São várias caixas de som que criarão diferentes perspectivas sonoras em todos os pontos do espaço.

Festa em parceria com a O/NDA

Não é de hoje que as festas são o momento mais descontraído e menos, digamos, “difícil” do NF. Seguimos a fórmula este ano com uma dose extra de capricho: o evento está sendo realizado em parceria com a O/NDA, um dos eventos mais legais da cidade nos últimos meses. O local só será anunciado no dia da festa mas é impossível não saber que será demais. Com os internacionais Acid Arab, Aisha Devi, Stellar OM Source e os brasileiros Carrot Green e grassmass, além de sets dos residentes da O/NDA e do anfitrião DeoJorge, essa festola será épica. Anotem minhas palavras!

Dewi de Vree & Patrizia Ruthensteiner apresentam: Magnetoceptia

Essas artistas, uma da Holanda e outra da Áustria, irão apresentar uma performance em três pontos diferentes da cidade: na mesma igreja onde o Basinski irá se apresentar, no pátio externo do Oi Futuro Flamengo e na Lagoa Rodrigo de Freitas (em local exato a ser divulgado em breve). Em cada uma delas, trajes customizados feitos com antenas captam campos eletromagnéticos e os traduzem em sons eletrônicos. O som é desenvolvido de forma site specific e depende dos campos eletromagnéticos presentes no local; é modulado pelas artistas de acordo com suas posições e movimentos em relação ao espaço e entre si. Ou seja, quem for nas três ouvirá sons bastante diferentes uns dos outros!

Otomo Yoshihide & Felipe Zenicola & Renato Godoy

Taí uma oportunidade única de conferir um dos maiores nomes da improvisação mundial, o japonês Otomo Yoshihide. Dono de um currículo invejável e capaz de tocar diversos instrumentos, Otomo irá fazer um set duplo no NF. Primeiro ele vai tocar discos tal qual um turntablist de hip-hop mas com um approach diferente. Sai a técnica do scratch e entra a técnica dos discos e vitrolas “preparadas”. Melhor do que explicar, só vendo o vídeo acima. Daí além de um set solo, Otomo também vai tocar guitarra junto com os improvisadores locais Felipe Zenícola e Renato Godoy, respectivamente baixo e bateria do combo de rock-funk-noise Chinese Cookie Poets.

Phantom Chips

Residências artísticas com objetivos meramente processuais ou de criação de um resultado ou produto final certamente trazem um elemento de risco para um evento. É o famoso “vai que não dá certo?” Mas aí é que está! Exatamente por esse motivo que as residências são tão interessantes; elas abrem inúmeras possibilidades criativas e oferecem ferramentas muitas vezes ainda não utilizadas por artistas – seja em função de uma instalação site specific, seja, sei lá, por conta de uma colaboração com algum artista local, seja pela inspiração trazida por uma temporada em uma cidade ainda não visitada…

Pelos motivos levantados acima estou super curioso para acompanhar o que a artista Phantom Chips irá desenvolver. Em residência por 4 semanas no Rio com o apoio da PRS Foundation e do British Council, a artista, que passeia pela cultura hacker e a cena de noise e power electronics, vai desenvolver um novo “instrumento musical vestível” (sim, isso mesmo!).

ensemBle baBel plays Christian Marclay

Christian Marclay é um dos meus artistas favoritos. Mistura artes visuais e som como ninguém em mídias das mais variadas. Além disso, experimenta e compõe com discos de vinil e toca-discos, ressignificando suas funções originais. Daí que no encerramento do NF no Theatro Municipal, mais especificamente na Sala Mário Tavares, o quinteto suiço ensemBle baBel (sax, guitarra, clarinete, contrabaixo e bateria) vai tocar algumas das partituras escritas por esse artista suiço-americano – todas elas gráficas, com formatos bem incomuns (tem até história em quadrinhos!).

Confira a agenda do Novas Frequências 2017:

terça-feira

15

julho 2014

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Dazed, "Dazed BRA14" (mixtape por Chico Dub)

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Dazed_ChicoDub_Lianne Milton
foto: Lianne Milton

Durante a Copa, Chico Dub organizou uma mixtape só de artistas brasileiros fora do quadrado para Dazed e recebeu a revista (estilo Caras) para assistir um jogo do Brasil na Copa e falar sobre os sons.

As músicas:

1. DJ Tide – “Deixa acontecer (Eletropagode)”
2. Thiaguinho – “Caraca, Muleke! (João Brasil Remix)”
3. Omulu feat. Mr. Catra – “Cobra Cega (Test) (Unreleased)”
4. Mundo Tigre – Esquinas em movimento”
5. Carrot Green – “Ponto gira”
6. Lord Breu – “Nagô Squad”
7. Psilosamples – “Simsalabim (Unreleased)”
8. Fatnotronic – “Margarida”
9. Filipe Mustache – “Nina na roda (Unreleased)”
10. Manara – “Organisme”
11. Bruno Real – “Invitation to step on the path”
12. Gorilla Brutality – “Astronauta-furacão”
13. Lucas Santtana – “Funk dos bromânticos”
14. Rio Shock – “Rio Pump”
15. seixlacK – “Tele-Sexo”
16. Teleseen – “Rainy Season (Ilustradora Carme’n’ Alve’s Remix) (Unreleased)”
17. “Fudisterik – Ê de Aruanda”

segunda-feira

5

maio 2014

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Transcultura #137: Manara // Naofo.de

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Manara_Transcultura_OGlobo_2014

Versão integral e sem edição do texto de março da “Transcultura” (coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo) e esqueci de republicar aqui:

Os vários caminhos de Manara
por Bruno Natal

Com sua estréia, “Ihnteractions”, o carioca Pedro Manara, 21, foi logo colocado na prateleira techno. Ele próprio diz que não consegue se definir apenas em um estilo e uma audição atenta do disco comprova isso. As batidas 4×4 estão presentes, mas o ritmo quebradosda faixa título que abre o disco, as frequências de grave assombrosas do encerramento com “Man, Mytho”, passando por samples irreconhecíveis de Bjork, Mary J. Blige e Little Dragon, um clima espacial e sombrio mostra que outros caminhos trouxeram Manara até aqui.

– Quem ouve meus DJ sets não acredita que é o mesmo produtor do álbum e vice-versa. Não preciso estar em um só quadrado. A linguagem musical é sem limites – diz Manara.

“Ihnteractions” é o primeiro lançamento do seu próprio selo, Domina, que toca em parceria com Marcelo Mudou. O próximo será “Colorine”, do Kinkid. O Domina conta ainda com Gorilla Brutality e otimoKarater, todos do Rio. Este mês o selo fará uma residência no Comuna durante quatro fins de semana.

– O retorno está sendo legal, estamos nos organizando pra fazer esses lançamentos em formato físico. Já temos também um sub selo no forno, porque a necessidade de saída de material é grande e um selo com um conceito definido como a Domina não comporta – conta ele.

Na página do Domina ele é definido como “um selo que presta atenção no tipo de música que combine com a chuva, com os dias nublados. Nossa influência vem do techno, mas não como forma de restrição”. Entre as influências pessoais, Manara cita compositores do leste europeu e um brasileiro de peso.

– Me inspiro em minimalistas, como Arvo Pärt e Alexander Knaifel, e em Naná Vasconcelos. Tudo que você escuta no meu álbum sempre é eco de minhas influências.

Para Manara, suas reações sonoras são uma resposta ao que ouvia nas pistas. O “jovem revoltado”, como ele próprio se intitula, não aceitava que apenas a mesma linguagem sonora e timbres tivessem espaço. O techno foi apenas a melhor resposta que encontrou.

– É engraçado como acontece essa relação entre expressão pessoal e rótulo no meio da música. Já não tenho a mesma relação com o ambiente externo, a necessidade de desafiar não é a prioridade. O entendimento de que o techno não é só uma timbragem especifica, mas também uma forma de encarar o arranjo da musica 4/4, muda tudo.

Manara diz que não se sente sozinho e produtores que tem começado a se destacar, formando uma cena.

– É inegável a existência de uma cena de produtores no Rio e no Brasil. Tem quem fomente o bonde, como o Chico Dub, e também uns caras como o Carrot Green, Ney Faustini, Sants, Casanova, de Porto Alegre, e L_Cio, de São Paulo. Essa semana haverá o primeiro lançamento do selo Cana, do Pedro Fontes (Wobble), Bruno Queiroz (Manie Dansante), Flavia Machado (Klang) e Marcelo Mudou. Está todo mundo a mil. Há uns anos via alguma dificuldade, hoje só não faz quem tem medo.

E Manara já se prepara para vôos mais distantes.

– Vou viajar para Europa e passo três meses fora, com algumas boas apresentações em vista. Vai ser uma boa porta de entrada e um bom tempo de estudo de pista de dança.

Tchequirau

naofode

O Naofo.de é um um encurtador de links que serva para compartilhar artigos e discutir assuntos sem dar moral para aquele autor que não merece nenhum clique de audiência. Ideal para colunistas de revistas semanais bizarras.

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