baile funk Archive

terça-feira

4

fevereiro 2014

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Transcultura #132: Sango // Primavera

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Texto na da semana passada da “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo:

O retorno de Sango
Produtor americano surpreende com o disco independente ‘Da Rocinha 2’, repleto de citações ao som dos bailes funks (onde ele jamais esteve), que conheceu num videogame
por Bruno Natal

Quem ouve “Da Rocinha 2” dificilmente pensa que Kai Asasavon Wright é um americano que nunca esteve no Brasil. Sob o nome artístico Sango, o produtor mescla baile funk com trap e soul/r&b. Lançado nesta semana, o disco é uma expansão de um EP divulgado em setembro de 2012, chamado apenas “Da Rocinha”, que o autor considera “um estudo musical experimental do baile funk brasileiro”.

O encontro de Sango — nascido em Michigan e atualmente radicado em Seattle, no estado de Washington — com o funk se deu on-line. Primeiro jogando a fase chamada “favela” do game “Call of Duty”, depois em conversas.

— Descobri o funk, depois do game, através do meu amigo Alisson “Kojack” Lopes (produtor de “Prepara a sacanagem”, que cruza uma versão pornográfica de “Show das Poderosas”, de Anitta, e “Sou foda”, dos Avassaladores) — conta Sango. — Ele produz músicas incríveis com samples de funk carioca. Nos conhecemos no Twitter e no Soundcloud, começamos a compartilhar músicas e a trocar sons para nossas batidas. Ele me deu alguns loops e vocais para usar e comecei a produzir “Da Rocinha”.

Lançado pelo selo independente Soulection, de Los Angeles, “Da Rocinha 2” tem samples de “Passinho do volante” (MC Federado e os Lelek’s), “Quero te dar” (Gaiola das Popuzadas), “Sento rebolando chamando teu nome” (MC Pocahontas), “Joga a bunda pra cima” (MC Davi,), “I don’t mind” (Immature), além de outras músicas menos óbvias. Apenas a Gaiola das Popozudas e a MC Taty Terremoto, parte da cena de funk ostentação paulistana, foram creditadas como participação especial nos títulos de “Me dê amor” e “Especial”, respectivamente.

As produções juntam vocais, tamborzão e o estilo de cortar samples sincopados, característico do funk, ao grave do bumbo 808 do rap dirty south, caixas filtradas, contratempos voando freneticamente sobre camadas densas de teclados, como nos traps de TNGHT e Bauer.
Aos 22 anos, Sango diz que, assim que se formar na faculdade, quer ter mais tempo para aprofundar sua relação com a cultura do Brasil.

— Amo a cultura brasileira. Sou fã de Sérgio Mendes e Seu Jorge. Também sou um fã de MC Beyoncé e outros artistas do funk. Conheci melhor o som através de uma compilação, “Rio Baile Funk: Favela booty beats”. Amei as batidas, mas as letras eram muito vulgares para mim. Quero me aproximar de alguns artistas do Rio. É a hora.

Utilizar a Rocinha no título do disco é, portanto, uma homenagem, fruto de uma confusão em suas pesquisas. Sango aprendeu, equivocadamente, que os bailes funk começaram na comunidade, e não nos bailes de black music dos clubes do subúrbio nos anos 1980. Valeu a intenção.

— Soube que muitos artistas que começaram a fazer funk nos anos 1980 e 1990 viajavam para Miami para comprar discos de Miami Bass, samplear e usar nas música que tocavam nos bailes — arrisca Sango.

O respeito com o funk é transmitido no disco. Diferente da abordagem de colônia de exploração de produtores como Diplo, cuja boa parte da produção simplesmente copia o som dos bailes, muitas vezes sem creditá-lo (há quem diga que isso é justo, já que o início do funk deve muito às produções feitas nos EUA). Sango usa o funk com criatividade.

— Experimentar outros sons é uma ótima maneira de se expandir como artista. É ótimo ver pessoas como Diplo e M.I.A. integrarem seu som e estilo a outras partes do mundo. É uma coisa natural. Ao criar música, você fica viciado em uma determinada sonoridade e deixa que ela assuma seu trabalho por um tempo. É como Timbaland e seus samples de Bollywood ou Madlib com suas fontes — explica.

A atitude de Sango se aproxima mais do trabalho de reinterpretação do selo alemão Man Recordings (não por acaso, fundado por Daniel Haaksman, responsável pela coletânea que apresentou o estilo a Sango).

— Amo o que a Man Recordings está fazendo no momento. Minha inspiração para a música em geral são histórias interessantes da minha vida ou de outras pessoas — explica Sango. — Baile funk é simplesmente um experimento com o meu som, que, ao longo dos anos, lentamente, tornou-se outra faceta da minha produção. Tento tirar o que puder e adaptar de maneira nova tudo o que cruza meu caminho, seja uma batida ou uma progressão de acordes.

Num futuro próximo, o produtor quer conhecer o país que o inspira à distância.

— Quero visitar o Rio e finalmente conhecer meu amigo Kojack — diz ele. — Tenho certeza de que ele pode me apresentar a outros artistas.

Tchequirau

O festival espanhol Primavera Sound, em Barcelona, inovou ao anunciar as atrações da edição desse ano: produziu um curta de mais de 20 minutos em que as bandas são apresentadas através de comentários, cartazes, camisetas e na trilha. Dá pra assistir “Line Up” aqui:bit.ly/LineUpPrimavera

quarta-feira

29

janeiro 2014

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Doc curta: "Mc Magalhães, uma lenda viva do funk"

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Mc Magalhaes uma lenda viva do funk

 

Um curta sobre o “Rap do Trabalhador”, um dos funks mais conhecidos e celebrados. Pena que um monte de gente divaga sobre a importância da música – menos o Magalhães, que não fala nada – e pouco se conta a história, como, quando, onde essa faixa foi gravada.

Em todo caso, fica o registro da figura que até hoje não viu um tostão furado do seu hit. Tchurunarublaze.

segunda-feira

27

janeiro 2014

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terça-feira

14

janeiro 2014

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A importância da "A Batalha do Passinho"

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Acompanho o Passinho do Menor da Favela desde 2009, um ano após ter surgido ainda sem nome, chamado Passinho Foda ou Passinho do Jacaré. O lance cresceu e foi muito além do que seus criadores imaginavam, tornando-se primeiro uma febre nos bailes, depois um dos símbolos mais forte da cultura funk.

É um história e tanto. Por isso foi com imensa felicidade que finalmente assisti “A Batalha do Passinho – Os Muleque São Sinistro”, graças a um link enviado como presente de aniversário pelo diretor Emílio Domingos (muito obrigado, presentão! – mas ele pediu um link pra assistir o “Dub Echoes”, no que foi prontamente atendido). Que alegria ver que mais esse capítulo da cultura do funk está devidamente registrado.

Através de diversos personagens Emílio mostra os bastidores da criação e propagação do Passinho, exatamente no momento em que cruzava do circuito restrito dos bailes funk para grande mídia. É um apanhado geral, que por isso acaba não explorando arcos narrativos mais densos (as dificuldades de Gambá em equilibrar trabalho e dança e sua eventual morte; Baianinho e sua obsessão pelo reconhecimento internacional, por exemplo), como o próprio Emílio já havia feito em parceria com Cavi Borges no excelente “L.A.P.A.” (e como é magistralmente feito em “Spellbound”)

“A Batalha do Passinho” é um filme indispensável para todas as pessoas que batem no peito para dizer que funk não é cultura. Dança, roupa, gírias, música, o Passinho é uma cultura completa e o documentário mostra (principalmente para quem insiste em não ver), que reduzir o funk a proibidões e putaria é pura miopia – ainda que, sim, essas vertentes também sejam manifestações culturais.

Com o assunto rolezinho no shopping em ebulição, um ponto de contato entre as duas coisas, passinho e rolezinho, se faz óbvio. Os jovens dançarinos retratados no filme ou os entrevistados nas recentes matérias sobre o rolezinho falam sobre a mesma coisa: reconhecimento, visibilidade, “ser alguém”. Esse é um dos grandes buracos da sociedade brasileira, natural que o assunto seja onipresente.

Assista, sobretudo se você odeia funk.

quinta-feira

9

janeiro 2014

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Os MDs do Sany Pitbull, "Caixa de Pandora Vol. 1" (mixtape de raridades do funk dos anos 90)

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Por email, Sany Pitbull mandou um link com a seguinte explicação:

“Tirei 15 dias de ferias em dezembro e arrumando meu depósito encontrei uma caixa com mais de 500 disquetes de Mini-Disc e meu aparelho leitor de MD. É um material que eu usava pra tocar entre 1992 e 2003, quando o vinil deixou de ser nosso principal formato pra tocar. Era facil de gravar e editar e foi antes da invenção dos gravadores de CD, era prático.

“Durante mais de 10 anos eu gravei muita coisa: shows em favelas, gritos de galeras e etc. Com a chegada do CD esse material ficou praticamente sem valor (que loucura) foi descartado por todos os DJs. Muita gente apagou esse material ou jogou fora. Guardei tudo e confesso que nem me lembrava mais deste material. Enfim, quando dei de cara com toda essa história me emocionei a cada disquete que ouvia.

“Todas as vinhetas das equipes que toquei e também de outras equipes, inclusive as vinhetas dos programas da extinta rádio Imprensa, a primeira FM do Brasil a tocar funk e a principal mídia usada nos anos 80 e 90 pelas equipes, DJs e MCs. Encontrei gravações raríssimas. Postei na minha fan page que tinha encontrado e várias pessoas me pediram pra disponibilizar os sons, teve gente querendo comprar.

“Tá dando um trabalho danado, porque estou digitalizando tudo em tempo real, não da pra simplesmente ‘arrastar’ pra dentro do computador, tenho que ouvir os MDs um a um, gravar música por música e editar individualmente track à track. São mais de 500 horas de gravações. Serão 12 volumes da Caixa de Pandor, um por mês até o final do ano. Esse é o primeiro.”

E ainda tem uma montagem alternativa do “Chatuba de Mesquita”. Ouça o batidão.

As músicas:

01 – Abertura Caixa de Pandora
02 – MC Julayne – “Rap Fazenda de Inhaúma” (1996)
03 – “Montagem Vidigal” (1995
04 – MCs Luis Claudio e Cacau – “Rap da Imaginação (Dendê)” (1993)
05 – “Rap do Morro do Barroso e Morro do Pinto” (1993)
06 – “Montagem Rochelle Fleming (Love Itch)” (1993)
07 – “Montagem Shy-D Mixx” (1995)
08 – “Montagem Disco Dance Cruel” (1996)
09 – “Montagem União da Zona Sul” (1995)
10 – “Montagem Pá Pum ( Mano Brown)” (1997)
11 – “Montagem Morro da Otto” (1994)
12 – MC Mascote – “Rap Daniela Peres” (1997)
13 – Duda do Borel e Mr. Catra – “Uma Casa na Favela” (1999)
14 – “Montagem Disco Dance Poder” (1997)
15 – Mr. Catra – “Se Vier Mandado” (1994)
16 – MC Sapão – “Decepção (Eu sei Cantar)” (2003)
17 – MCs Garrincha e Julinho (1993)
18 – “Montagem Maracanã Praça Ilda” (1995)
19 – “Montagem Sta, Clara, Lido e Rocinha” (1995)
20 – “Montagem Ambulância” (1996)
21 – “Montagem Fadinhas” (1995)
22 – “Montagem Sapatinho” (1995)
23 – “Montagem Juramento” (1997)
24 – “Montagem Chatuba de Mesquita” (1996)
25 – MC Geleia – “Rap da Verdade” (1993)
26 – MCs Kunta e Tião – “Rap da Cruz Vermelha 2” (1996)
27 – “Montagem 5 minutinhos de Alegria” (1994)
28 – “Montagem Bonde da Pavuna” (1995)
29 – “Montagem Neguinho de Austin” (1999)
30 – “Montagem Piratas do Caribe” (1997)
31 – Mr. Catra – “Bonde do Justo” (1994)
32 – Mr. Catra e Duda do Borel – “Intro” (1999)
33 – “Montagem Reta Velha” (1996)
34 – “Montagem Rasteiro” (1996)
35 – “Montagem Pipos Sacode Rio e Niteroi” (1996)
36 – “Brasilian Medley” (1991)
37 – MCs Luis Claudio e Cacau – “Rap da Raquel” (1994)
38 – Força do Rap – “Rap da Traição” (1996)