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sexta-feira

25

abril 2014

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Transcultura #135: Axé Bass // Coisas Que Eu Achava Quando Era Criança

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Versão integral e sem edição do texto de março da “Transcultura” (coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo) e esqueci de republicar aqui:

A hora do axé bass
União de hip hop, dubstep, trap e outros ritmos eletrônicos começa a formar uma cena eletrônica em Salvador e arredores

por Bruno Natal

É o novo som de Salvador, é o novo som de Salvador. Mundialmente conhecido por seu carnaval, axé e também pela forte influência da cultura africana nas tradições locais, a Bahia tem adentrado também outro terreno fortemente relacionado a diáspora negra: a bass music.

Do reggae e dub ao hip hop, onde você escutar um grave pulsando e uma batida conduzindo o transe, pode ter certeza que África está ali. Portanto era de se esperar que o som eletrônico que carrega o grave no nome e que é a base do recente sucesso do dubstep e do trap encontrasse ecos em Salvador.

Formado por Mahal Pita, 26, e Rafa Dias, 24, o A.MA.SSA tem como objetivo conectar Salvador e a Bahia ao restante do mundo e o mundo a Salvador e a Bahia. “A música é uma das ferramentas”, dizem eles. Para eles o bass sempre esteve presente em Salvador, de uma forma ou de outra.

– Esse conceito bass, que de certa forma se aplica a um recorte recente, para nós foi sempre uma experiência bastante familiar. Ouvimos reverberar pela cidade essa sensação de potência, carros com paredões de som tocando pagodão, muitas vezes distorcido pela obsessão pelo grave, festas de largo com as tropas de percussionistas tocando nos surdos, de samba duro à samba reggae e, no topo da cadeia do poder sonoro, o carnaval, a cada ano maiores e mais potentes trios elétricos empurrando a massa – explica Mahal.

Grupos como A.MA.SSA, Som Peba, Bemba Trio, Mauro Telefunksoul, os DJs Hashta, Lucas Brasil, Kongo, Toshiro, Murilo Lobo e festas como Bass Down Low, Quintas Dancehall do Ministereo Público SoundSystem, as produzidas pelo Da A.Ma.ssa e pelo Coletivo Crokant, Sexxxta Bass (em Ilhéus), e Groove and Bass (em Vitória da Conquista). Recentemente parte dos artistas foram reunidos na coletânea “Bass Culture Bahia”, lançada pela governo do Estado, que serviu como catalisador da cena bass baiana e incluiu nomes já conhecidos como Baiana System e Lucas Santtana.

O DJ e produtor Mauro Telefunksoul, 37, parte dos coletivos Pragatecno, Crokant e do Naxapa Controle de Som, acredita que a “mandinga, percussão forte, suínge, calor humano e a musicalidade” do baiano são um fator diferencial no som produzido na boa terra.

– Cheguei a bass music através do Miami bass dos anos 90. Depois passei a tocar hip hop, digital hardcore, jungle, drum n bass, breakbeat, UK garage, grime até a a cultura do grave – conta Mauro, um dos pioneiros da música eletrônica na Bahia.

Para Mahal, uma revolução na concepção musical vem acontecendo em diversos guetos do planeta e em Salvador não é diferente.

– É música de periferia, baseada na tecnologia, ligada ao regional, mas sendo pensada mundialmente. Essas ressignificações não estão presentes apenas no contexto musical, estão em todo o entorno sociocultural. O pagodão atual possui em sua gênese a fusão de elementos da cultura urbana a sua própria referência de raiz: a chula, o samba duro, o lundu, o semba, o candomblé. Isso tornou sua rítmica inédita. Ao absorver influências contemporâneas, tornou-se um buraco negro, consumindo tudo que se põe ao seu alcance.

Pedro Marighella, 34, nome por trás do Som Peba e do OMÃ (esse com Thiago Felix), focado no pagodão e no arrocha, também enxerga um posicionamento político no som.

– Apesar da música de periferia ter a produção mais popular e instigante da Bahia, o estado ainda sofre muito com as diferenças sociais e o racismo. A parte da população que atua nessa produção não é diretamente atendida pelos benefícios que ela gera. Canibalizar essas referências é também uma ação política, um manifesto pela transformação necessária.
As referência estrangeiras pela qual são filtrados os sons locais seriam uma consequência inevitável.

– É muito difícil um jovem de Salvador não ter as influências do mundo nos dias de hoje. Nos anos 80, com a inclusão da região na cena global de world music, começamos a ouvir ainda mais música de diversas origens. No mesmo período a lambada, coupé decalé, zouk, pop africano influenciaram muito a música da Bahia. Influência estrangeira não são apenas músicas e bandas. Quando falamos em música eletrônica, o fato dos softwares não serem feitos no Brasil também conta, porque os bancos de samples, a linguagem empregada, os timbres dos synths deixam as sonoridades mais próximas. Começamos a ser musicalmente educados por tutoriais do Youtube – Pedro.

Ainda assim, não é fácil encontrar espaço para o som dessa bandas.

– Todo e qualquer som mais alternativo é complicado de se trabalhar por aqui. Apesar de Salvador ser a terra da música grave, como reggae e samba reggae, temos poucos lugares apropriados pra se ouvir um bom soundsystem, apenas trios elétricos nas ruas – diz Mauro.

Mahal aponta ainda o preconceito como fator dificultador.

– Ao mesmo tempo que temos um grande acervo, vasta matéria prima musical, carecemos de elementos extremamente básicos, de ordem estruturais e técnicas que acabam dificultando um progresso mais rápido e contundente. No caso específico da A.MA.SSA, que pertencemos ao universo do pagodão, ainda temos o agravante cultural e social, que é o preconceito e a resistência de quase todas as esferas da sociedade – Mahal.

Seu parceiro enxerga ainda outro empecilhos que impediriam até mesmo se falar em um cena local.

– Hoje não vejo uma cena, pois não há diálogo entre os produtores, as festas e o público, tudo é distinto – analisa Rafa.

Pedro rejeita a referência do “bass”.

– Me parece como a ironia pejorativa do “music” de “axé music”. Interessante é que o histórico do eletrônico na música pop baiana remonta ao axé mesmo. É frequente encontrar os nomes do argentino Ramiro Mussoto em créditos de disco dos 80 e 90 citado como “arranjo, samplers, programação MIDI e efeitos” ou simplesmente Carlinhos Brown tocando clap eletrônico na clássica “Fricote” de Luiz Caldas de 1985. Encontro meu “grave simbólico” nos três tipos de surdos dos blocos afro, mas estou numa boa com o “bass” cosmopolita. Amando-o e deixando-o.

Mahal é otimista na expansão do movimento grave que vem acontecendo.

– A Bahia vem assumindo cada vez mais o legado tropicalista de passear pelo mundo sem sair de casa. Já podemos observar o início dessas movimentações em outras cidades fora de Salvador. Mesmo que ainda bem tímido já é um sinal de amplitude.

Tchequirau

coisasqueeuachavaqdoeracrianca

“Eu achava que existia um ‘mundo das drogas’, e toda hora que a minha mãe dizia ‘ele se perdeu no mundo das drogas’, me perguntava por que as pessoas insistiam em continuar indo pra lá”. Esse é um exemplo dos depoimentos que você encontra no “Coisas Que Eu Achava Quando Era Criança”.

terça-feira

18

fevereiro 2014

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quarta-feira

5

fevereiro 2014

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Axé bass

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foto tungada do perfil do Som Peba

Salvador está sendo dominada pela ditadura do trap, mais um dos reinos do império da 808 – claro, com seu tempero particular (putz, foi mal, foi ruim essa). O Omulu me apresentou o que chamou de Axé Bass, feito pelo Amassa, Som Peba e Rafa Dias, entre outros.

Juntei alguns nessa mixtape curtinha abaixo:

sexta-feira

28

junho 2013

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Lançamento: Do Amor, "Piracema" (2013)

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Pré-produzido por Gabriel Mayall (guitarra e voz), Ricardo Dias Gomes (baixo e voz), Gustavo Benjão (guitarra e voz) e Marcelo Callado (bateria e voz) num sítio em Três Rios, inteirior do Rio, em 2011, “Piracema” é uma coleção de 18 músicas selecionadas entre cerca de 40 outras compostas nesse retiro (“Mindigo” tinha pintado em versão acústica na coletânea “OViolão” aqui d’OEsquema).

Gravado e produzido por Daniel Carvalho em 2013, o disco traz todas as referências conhecidas Do Amor: rock, carimbó, guitarrada, axé, baião, cumbia e lambada. São tantas referências entre uma quantidade de músicas fora do usual para os padrões atuais que chega a ser desorientador. Ao contrário de tantos outros discos imediatamente descartáveis, “Piracema” exige atenção, tempo pra digerir. Vai melhorando a cada audição.

O disco já saiu em CD, no iTunes, Amazon e Rdio, porém o streaming oficial é aqui no URBe.

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