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quinta-feira

31

janeiro 2008

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Terra em transe

Written by , Posted in Música, Resenhas

Há uma grande diferença entre ver uma banda num lugar fechado ou ao ar livre. Estranhamente, apesar do nome, o Explosions in the sky funcionou melhor expremido entre paredes e teto.

Provavelmente o show no Coachella 2007, sob um sol cruel, salpicado por uma chuva de garrafas, não serva como parâmetro. Fosse um belo final de tarde, tudo poderia ter sido diferente.

Ouvindo qualquer um dos discos, é fácil acreditar que um ambiente intimista e, principalmente, sem distrações visuais, privilegie o transe provocado pelas guitarras da banda texana.

Nesse ponto, o Astoria foi uma ótima escolha. Relativamente pequeno, para duas mil pessoas, a casa não tem frescuras. As opções são assistir ao show da pequena pista ou na arquibancada, sem assentos, assemelhando-se a um conjunto de varandas.

De qualquer um dos lugares, a visão era escura, as poucas luzes do palco sendo o único ponto de referência, numa noite sem pulos, sem gritos, de apenas algumas palmas no final das músicas. A platéia havia sido abduzida.

A hipnose coletiva começou com a apresentação do Eluvium, uma das bandas indicadas pelo guitarrista do EITS, Mark Smith, em sua entrevista para o URBe, em 2007.

Acompanhando-se por uma guitarra e um teclado, Matthew Cooper é o único integrante da banda. Sobrepondo camadas e mais camadas sonoras, deixando o ar suficientemente denso para ser cortado pelo instrumental do EITS.

Como boa parte de suas músicas, o Explosions in the Sky fez um show crescente. O início foi calmo e melódico, com muitas notas de guitarra conduzindo o passeio. Com o passar do tempo, foram gradualmente pesando o som, até culminar num final esporrento e catártico.

A banda é, literalmente, de poucas palavras. O único microfone de voz no palco foi utilizado somente no ínicio, antes de começarem a tocar, quando um dos integrantes pediu palmas para o Eluvium antes de se apresentar: “nós somos o Explosions in the Sky, do Texas, EUA”.

A bandeira do Estado fica pendurada em um dos amplificadores. Após anos de Bush, a banda parece querer resistir a idéia de que o Texas seja pra sempre relacionado ao presidente. As coisas não são tão simples quanto parecem. Nunca são.

A tontura persistente, quase uma vertigem, horas após um show do EITS é uma ótima prova disso.

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