Na terça-feira, 27, vai rolar a etapa carioca do Info Sessions, parte do Red Bull Music Academy. Estarei presente na mesa de discussão, sobre os novos papéis que um músico tem que assumir para se estabelecer no mercado hoje.
Rio Scenarium (Rua do Lavradio, 20 – Centro) Red Bull Music Academy – Info Sessions
Palestrantes: Marechal, Marcelo Lobato (O Rappa), Dr. Nehemias Gueiros (direito autoral), Bruno Natal (URBe) e Alexandre Matias (Trabalho Sujo)
+ show da Jam Session (Big Band formada com músicos locais)
27/03 (terça-feira)
19h
Grátis (entrada por ordem de chegada, sujeito a lotação da casa)
No dia 26 de janeiro, surgiu um vídeo no YouTube que supostamente devendava os segredos do Google TV, ainda em versão beta, serviço que transmitiria a programação de três das maiores redes de TV americanas, gratuitamente.
A história estava bem contada e, principalmente, bem montada. Tão bem montada, que gerou desconfianças. Uma das pistas capazes de entregar a farsa do “Infinite Solutions”, ademais do próprio histórico de vídeos absurdos do programa, foi justamente o excesso de zelo com o dizáine.
A Fatal Farm, produtora do vídeo, deve ter se empolgado com a oportunidade de criar um visual tosco, tão em voga atualmente, e exagerou na dose.
Do apresentador, um tipo que lembra um Napoleon Dynamite mais velho e de cabelo alisado, ao logo do programa, o capricho no clima retrô-tosco tem como objetivo criar uma atmosfera caseira e, com isso, imprimir credibilidade.
Essa estética está na moda e mandar um dizáine retrô bem feito assim, tão bom que parece natural, não é brincadeira. É coisa de profissional. O cuidado em cada escolha é perceptível. Ator, locação, objetos de cena, tudo milimetricamente pensado para parecer verdadeiro. Feito para se tornar — atenção, marqueteiros, para a palavra do momento em 10 entre 10 agências — viral.
Alguns incrédulos questionaram, “mas fazer um viral desses pra promover o que, se o serviço (ainda?) não existe?”. Ora, para promover a Fatal Farm, o ator, eles mesmos, enfim, o que não é pouca coisa. Imagina-se que tenha dado certo, um “Tapa na pantera” em proporções maiores.
A fixação com os virais aqueceu após a bem sucedida campanha da Virgin, “Exercise you music muscle, que escondia 75 bandas codificadas numa figura. Segundo consta, a expectativa dos criadores não era que tomasse a proporção que tomou.
Daí pra frente, toda empresa está a trás do seu viral, a ação de marketing perfeita, que se espalha sem fazer força, em alguns casos confundindo o simples ato de despejar propaganda na rede com a troca espontânea de um bom vídeo entre os usuários.
Converse com algum publicitário ou gente de departamento de marketing de alguma empresa grande e é só isso que você vai ouvir. Trazendo o exemplo pra perto, do ano passado pra cá, absolutamente todos os vídeos que venho produzindo vêm com a observação para “prestar atenção nos possíveis virais escondidos no material”.
Essa obsessão tem consequências que merecem ser discutidas. Tateando o novo caminho, agências especializadas no chamado marketing de guerrilha, vem alternando boas idéias com outras péssimas.
Os virais começaram a se tornar um festival de pegadinhas, apontada para os desavisados e, em alguns casos, abusando da boa fé das pessoas. Parte deles, hoje, consistem em mentiras bem contadas, sem um fundo de verdade sequer.
O assunto está presente também no cinema, muito antes do sucesso de Borat. De “Vérités et mensonges”, de Orson Wells, também conhecido como “F for fake – verdades e mentiras” (1974), à “Mera coincidência” (1997), o poder das verdades midiáticas é constantemente debatido.
É cedo pra dizer se o uso desses atalhos, pra não dizer trapaças, pode diminuir o mérito do sucesso de algumas dessas campanhas ou mesma fazê-las ter efeito contrário: repulsão no público alvo, seja por questionamentos éticos ou por sentir-se enganado.
Enquanto o Google TV não vem pra valer (se é que já não veio), o SopCast, apoiando-se nas redes P2P, faz suas transmissões.
Complicado é conseguir alguma informação concreta sobre o saite. Na Wikipedia, por algum motivo, o verbete referente ao SopCast foi deletado pela administração do saite, que aproveitou pra imperdir que ele seja recriado.
Apesar do sucesso do YouTube, TV na internet continua um mistério.
Lista, de qualquer coisa, definitivamente, não é comigo. Em dezembro sempre tento fazer uma com os melhores do ano que passou e acabo confundindo ano de lançamento de disco, esqueço uma pancada de coisas, não dá certo. Mesmo porque, não consigo muito hierarquizar música.
Enquanto isso não acontece, por afinidade, indico a lista do Matias. E também por possibilitar, via podcast, a audição de quase tudo que lá está. Vai que é quente.
Podcast, pra quem não sabe, são programas de áudio (como os de rádio) distribuídos em formato MP3 pela internet.
Esses programas podem ser “assinados” e atualizados automaticamente no seu computador utilizando agregadores de conteúdo (como o iTunes, no caso de áudio), através de um código RSS. Ferramentas da tal Web 2.0, cada vez menos restrita aos geeks.
Simplificando: programas de rádio, geralmente caseiros, que podem ser baixados e escutados no computador, tocadores de MP3 ou mesmo on line. O termo vem da junção das palavras iPod e broadcast (transmissão de rádio e TV).
A tecnologia também serve para textos. Caso você nunca tenha notado, há um botão laranja escrito “RSS” na caixinha de busca ao lado. Copie o link (botão direito em cima da caixinha / copiar atalho), adicione a um agregador de textos (o del.icio.us é um bom exemplo) e assine o URBe.
O assunto está longe de ser novidade e (fora a propaganda do RSS do saite) a explicação foi só pra acompanhar uma listinha de alguns bons podcasts que deveria estar por aqui faz tempo.
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XLR8R – Novidades da música eletrônica direto da redação da revista. Tem o formato mais legal. Curto e sem locução, semanalmente apresenta quatro músicas, oferecidas pra baixar na íntegra no saite.
Vida Fodona – O grande Matias e sua verborragia cultural, acompanhada por grandes músicas e bons papos.
Discofonia – Sem periodicidade definida, a cada programa Guilherme Werneck explora temas como “Instrumental brasileiro”, “Música abstrata” ou recebe convidados.
rraurl – Eclético, não tem um responsável apenas e é feito por diversos colaboradores do saite.
URBe – Qualquer hora vem, preciso de um microfone…
Cultura digital, música, urbanidades, documentários e jornalismo.
Não foi exatamente assim que começou, lá em 2003, e ainda deve mudar muito. A graça é essa.