segunda-feira

5

dezembro 2005

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Suspeito

Written by , Posted in Resenhas

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Eddie Vedder
foto: Xpress/Terra

Foram 15 anos de espera e, depois do massacre presenciado na Apoteose, pode-se dizer que valeu cada minuto. Tudo bem, a banda está longe do auge, os discos estão cada vez piores. Entretanto, com o repertório construído nesses anos, com a qualidade técnica e com a cancha de palco adquirida, não deu outra: o Pearl Jam fez um dos shows do ano.

Cantando como se o tempo não tivesse passado — a voz intacta — e falando com o público em português, entornando garrafas e mais garrafas de vinho, Eddie Veder parecia uma espécie de Jim Morrison domesticado, a rebeldia contida pela índole de bom moço.

Disse o quanto estava feliz de finalmente estar no Brasil, beijou e se enrolou na bandeira verde-e-amarela, deu bordoadas em George Bush (“da próxima vez que viermos aqui o mundo será um lugar melhor, pois Bush não será mais presidente dos EUA”), pediu para a platéia cuidar um dos outros durante o show e puxou um corinho ramônico adaptado, cantando “hey, ho, Rio!”.

O resto da banda reproduziu exatamente o que se ouve nos discos, nem mais, nem menos. O baixo de Jeff Ament estalando, a segurança de Stone Gossard na guitarra base e as eventuais presepadas de Mike McCready na guitarra solo. O Pearl Jam disparou hits atrás de hits, músicas obscuras e covers, mostrando que a geléia da vovó Pearl não perdeu o ponto.

Lembro quando ouvi “Alive” pela primeira vez, chegando da praia, com 14 ou 15 anos, tocando na MTV. Era época pré-internet, pré lojas de discos importados decentes até. Fiquei fissurado, queria ouvir aquela música de novo, queria saber como era o resto do disco.

Passei dias ouvindo “Mother’s Milk”, do Red Hot, forçando semelhanças onde não havia porque — sabe-se lá por quais associações livres de idéias ou puro desespero — era a fitinha com sonoridade mais próxima daquilo que tinha na minha coleção de TDKs. Demorou um bocado até uma amiga que morava fora fazer uma cópia e me mandar pelo correio.

Por isso foi engraçado ver adolescentes, com a mesma idade que eu tinha na época que conheci o Pearl Jam, lotando a Apoteose. Uma geração que nasceu junto com o PJ e que hoje pode baixar a discografia completa de qualquer banda do planeta em meia dúzia de cliques, estavam lá, entregues aos coroas. O que não é a força do rádio, que toca a mesmíssima “Alive” até hoje, como se fosse novidade.

Pearl Jam foi a banda da minha adolescência, daquelas de acompanhar de perto mesmo, assinar zine do fã clube oficial. Sou totalmente suspeito pra fazer uma análise distanciada do show. Mesmo atrasado, era uma apresentação que eu não queria passar a vida sem ver, então o que viesse, pra mim estava bom.

Cheguei a assisti-los em 1994, em São Francisco, num mini show acústico, seis músicas apenas, quando a banda participou do tributo anual organizado por Neil Young pra arrecar fundos pra escola do seu filho, deficiente mental, o Bridge School Benefit. No final do evento, no show do Neil Young, Eddie Vedder ainda voltou ao palco pra cantar “Keep on rocking on the free world”. Tava de bom tamanho, mas faltava um show inteiro, longo, plugado.

A apresentação privilegiou músicas do primeiro (“Ten”) e segundo disco (“Vs.”), além de uma ou outra canção de todos os outros, como os ótimos “Vitalogy”, “Yield” e “Binaural”. Os discos podem ter ficado para trás, porém, pelo que se viu, as músicas continuam com a mesma força, assim como as boas letras e melodias bacanas.

Como todo show do Pearl Jam, muita coisa boa ficou de fora, notadamente “Rearview mirror” e “Wishlist”. Entre os covers, além dos já clássicos “I Believe in miracles” (Ramones), “Kick out the jams” (MC5, com Mark Arm, do Mudhoney, que abriu o show, nos vocais) e “Baba O Riley” (The Who), que encerrou o show, teve ainda um medley juntando “Betterman” e “I wanna be your boyfriend (novamente dos Ramones).

Demorou, mas veio. Antes tarde do que nunca.

——-

As músicas:

Last exit
Do the evolution
Save you
Animal
Insignificance
Corduroy
Dissident
Even flow
Leatherman
Given to fly
Daughter
Don´t gimme no lip
Not for you
Elderly woman behind the counter in a small town
Down
Once
Go
Soon forget
Better man / I wanna be your boyfriend
I believe in miracles
Blood
Kick out the jams
Alive
Last kiss
Black
Jeremy
Yellow led better
Baba O’Riley

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