segunda-feira

26

abril 2004

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Redondamente enganados

Written by , Posted in Resenhas

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Se esse ano o sucesso do Skol Beats dependesse do nível da organização, com certeza teria sido um fracasso. Além de faltar água (problema recorrente em todas as edições do evento) e cerveja, o público ainda teve que enfrentar filas de até 2 horas pra entrar por conta da revista rigorosa da polícia, que não impediu ninguém de entrar com o produto que fosse.

Apesar da campanha “som redondo”, um abaixo assinado online que pedia melhor qualidade e mais potência, o som era baixo em todas as tendas e no palco, estando talvez um pouco melhor na Movement. Pra completar, mantiveram a tendência de a cada ano aumentar a quantidade de ingressos vendidos, elevando para 50 mil (dados da assessoria de imprensa) o número de pessoas no sambódromo. Não coube. Era difícil encontrar espaço para dançar nas tendas e quase impossível assistir os djs um pouco mais de perto.

Lembre-se, tudo isso podia ter sido seu por apenas R$55. Existem duas soluções para o ano que vem: ou o festival volta para o Autódromo — de onde, aliás, nunca deveria ter saído — ou diminuem o número de entradas. Se os produtores da festa estão pensando que o nome está consolidado e que isso basta, é bom pensar de novo. Do jeito que está não pode ficar.

Só a música salva

Felizmente, as grandes atrações do festival não são as cervejas quentes, as garrafas d’água ou as yabadabadu girls circulando pelo sambódromo na tentativa de justificar o tema proposto esse ano (Flinstones? Sinceramente, não pesquei). O que faz o Skol Beats imperdível, ano após ano, ainda é a música.

Mesmo nesse aspecto, o evento começou morno, é verdade. Logo na entrada, uma surpresa desagradável: o dj Sasha cancelou sua apresentação alegando “motivos pessoais”. Isso matou a programação de muita gente, já que ele iria tocar durante três horas. O jeito foi arranjar um tapa buraco e continuar dançando.

O hypado Beni Benassi bem que tentou mostrar que seu som é mais do que a chicletuda “Satisfaction”. Não é. O dj mandou versões de “The way she moves” (Neptunes) e “Satisfaction” (a do Rolling Stones), mas seu set foi baseado mesmo no seu único hit, num remix extendido que parecia não acabar mais.

Ainda pior do que se podia imaginar, o show do Fisherspooner não passou de um telão interessante e dançarinas toscas no palco, emoldurados por uma chuva de papel picado. Tiveram algumas músicas muito parecidas com “Emerge”, o sucesso do grupo, cada uma com um elemento da original, mas nenhuma tão boa quanto. O vocalista, que afirmou “ter muitos fãs por aqui”, deve ter se surpreendido quando, no meio de “Emerge”, teve que parar pra dizer “vocês vão ter que fazer muito mais se que quiserem ouvir essa música”.

Até que enfim

Depois dessas chatices, o Skol Beats finalmente começou. E parece que até os organizadores sabiam disso. Antes do Basement Jaxx entrar no palco, houve uma queima de fogos, parecendo anunciar “agora é pra valer”. A dupla inglesa, formada por Felix Burton e Simon Ratcliffe, se apresentou com uma banda completinha, no que talvez tenha sido o melhor live pa de todas as edições do evento, pelo menos no mesmo nível do Groove Armada em 2002.

A apresentação começou com um sambinha eletrônico “pra gringo ver” e uma mulata sambando sozinha no palco. Cheio de referências orientais — na sonoridade e no telão, mostrando dançarinas indianas — o house rock ou rock house do Jaxx, na falta de uma definição melhor, sacudiu todo mundo. Destaque para “Where’s you head at”, “Kish Kash”, “Red Alert” e “Good Luck”. Até a péssima “Romeo” funcionou no show.

Mais para o final, rolou um remix de “Seven Nation Army” (White Stripes) com um sample de “Get ya dub on” (Switch) ordenando: “Get your club on!”. Matador. Simplesmente não deu pra sair antes do final e por isso o Roni Size ficou para uma outra vez.

Como o Sasha deu o bolo, o negócio foi conferir o Derrick Carter, nome fundamental da house music. Seu set regular só foi atrapalhado pela quantidade de gente que invadiu a tenda para fugir da chuva, o que junto com o som baixo, acabou cortando o clima. O VJ Spetto, que arrebentou no telão da Movement ano passado, não deixou a bola cair. Entre um bombardeio de imagens e outro, lá estavam frases como “os politicos são nossos piores inimigos” e “sexo e canja de galinha podiam ter nos poupado de tanta destruição…”. A melhor delas era essa aqui: “Políticos não sabem o que fazem”, seguida por “Nem você”. Na lata, sem dó.

A confusão era tanta que pouca gente ficou sabendo que o Basement Jaxx estava fazendo um dj set para substituir o Sasha. Por causa disso e da dificuldade de ir de uma tenda para outra — ainda mais chovendo — não deu tempo de conferir. Uma pena.

Restava o Scratch Perverts. E eles não decepcionaram. O set começou quente, lotado de colagens. Teve de tudo: “Intergalatic” (Beastie Boys), “Hey ya” (Outkast) e “Firestarter” (Prodigy). De longe, o trio debruçado sobre as pick ups parecia um grupo de cientistas malucos dissecando um corpo numa mesa de operação. Como o hip hop não estava agradando tanto, eles tomaram outro rumo e desceram a porrada com muito db e jungle.

Lá pelas 4 da manhã ainda deu pra escutar um pouco do X Press 2, mas o frio já estava espantando. Segundo relatos, o Darren Emerson arrebentou. Ano que vem tenho que lembrar de levar um casaco.

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