quarta-feira

30

novembro 2011

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Quem tem medo do streaming? A TV brasileira na pré-história do video online

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Achei esse texto perdido no computador, escrito no começo do ano, acho.

As televisões brasileiras parecem não ter aprendido absolutamente nada com a derrocada a indústria fotográfica. Quando o Napster surgiu, consolidando a troca de arquivos de MP3 e alterando para sempre a maneira de se consumir música, as gravadoras se uniram na decisão mais equivocada de sua história: combater os arquivos digitais. Em vez de se adaptar, tentaram impedir um processo irrefreável, oferecendo alternativas retrógradas que não mais faziam sentido. O resultado todos conhecem.

Com a vantagem de poder analisar o que aconteceu com a digitalização da música, as principais redes de TV americana foram inteligentes e aceitaram a realidade. Se as pessoas iriam assistir seus programas online, de um jeito ou de outro, melhor que fosse em seus canais oficiais na rede, onde exercem controle.

Hoje, todos os episódios de todas as temporadas de programas de sucesso como Desperate Housewives e Lost (abc.com), 30 Rock, Saturday Night Live, Late Night with Jimmy Fallon (nbc.com), Family Guy, Fringe e Simpsons (fox.com) estão disponíveis para serem assistidos gratuitamente. Mesmo que as caixas de DVD e Blu-Ray continuem sendo vendidas.

Algumas dessas redes se juntaram para criar o Hulu, uma plataforma que exibe o conteúdo de canais de televisão e estúdios americanos, gratuitamente, tendo os custos pagos com publicidade. Na Inglaterra, a rede pública BBC criou o iPlayer, um aplicativo que reúne a programação dos últimos sete dias, para ser assistido quando quiser e hoje está presente na rede do PlayStation 3.

Em comum, todos esses exemplos bloqueiam seu conteúdo para usuários estrangeiros, o acesso está liberado apenas para os que acessam as páginas no país de origem. Ainda assim, é a internet e, logicamente, existem maneiras de burlar essa restrição através de servidores proxy (existem milhares, gratuitos), que mascara a origem do pedido e permite assistir os vídeos. Existem excessões, como o Comedy Central, onde o The Daily Show with Jon Stewart e South Park são transmitidos, independente da origem do acesso.

No Brasil essa realidade ainda está distante. A TV a cabo tem as suas próprias questões, pois cobra por seu acesso e o assunto fica mais complicado, porém, comparado as americanas e inglesas, a TV aberta está muito atrasada. A Globo e a Record oferecem apenas trechos de seus programas e o SBT exibe a íntegra dos capítulos de novelas e programas como De Frente Com Gabi e SBT Repórter, embora não haja um arquivo organizado.

Nada disso impede, no entanto, que todo o conteúdo seja facilmente encontrado na rede. Uma busca no YouTube pelo humorístico Junto e Misturado ou Clandestinos, pra falar de dois lançamentos desse ano, traz vários resultados e até canais inteiramente dedicados aos programa, em HD. Ou seja, o público está assistindo online, mesmo que por canais não-oficiais.

A resistência ao novo paradigma tem um motivo simples. O modelo atual ainda dá lucro e de acordo com o pensamento tradicional de uma empresa, não haverá mudança enquanto não for absolutamente necessário. Se há uma lição que a indústria fonográfica deixou é que aguardar o limite para fazer a transição pode ser fatal. Uma vez que as pessoas se acostumam a encontrar o que querem de outra forma, pode ser tarde demais para reverter o hábito.

Se o telespectador vai assistir comerciais na TV ou no computador, pouco importa. Sem falar que na rede, as reprises são infinitas, a audiência não se encerra em uma hora, se prolongando por meses, anos. Outra grande lição, essa do iTunes, é que o consumidor médio quer facilidade. Ele está disposto a assistir o comercial antes da exibição em troca do simples conforto de não quer ficar vasculhando a rede em busca do conteúdo digital. O empecilho pode ser o fato de que as medições de audiência online são muito mais precisas e, com isso, fica difícil mascarar os números.

As TVs brasileiras deveriam compreender esse comportamento e se adaptar enquanto é tempo, pois assistir conteúdo televisivo na internet é um hábito consolidado no mundo. Nunca o ditado foi tão verdadeiro: só não ver quem não quer.

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