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julho 2006

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O Globo, 28/07/2006

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Materia sobre o novo disco do De Leve, “Manifesto 1/2 171”, que escrevi para o Rio Fanzine.

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De Leve, de novo.

Pancada. Uma atrás da outra, vindas de todos os lados. Essa foi a rotina do rapper De Leve após a alegria inicial que seguiu o lançamento de “O estilo foda-se” (Segundo Mundo), em 2004, quando foi o assunto da vez, apontado como sucesso certo.

A estréia oficial não atingiu o resultado esperado, De Leve se desentendeu com sua gravadora por conta do lançamento do disco do Quinto Andar e, pra fechar a tampa, em abril do ano passado, o lendário coletivo de Niterói encerrou as atividades. Sem falar na briga com o ex-parceiro Marechal, pouco antes do disco sair.

Dois anos depois, De Leve está mudado. Aos 24 anos, acredite, está amadurecendo. A procura da parada mal feita (como canta em “Cão fudido”), o rapper lança seu segundo disco, “Manifesto ½ 171” (independente e já baixado mais de 1.000 vezes em seu saite, www.deleve.com.br).

— Essas merdas, de repente, tinham que acontecer mesmo. Eu era muito novo, não tinha noção do que era sair na capa de um jornal. Aprendi muito. A gente só aprende fazendo.

No disco, De Leve conseguiu equilibrar os escrachos da sua carreira solo com o perfil mais consciente que apresentava no Quinto Andar. Em “México” ele brinca (“mulher, você quer um papo cabeça, liga pro Pedro Bial / não me formei na PUC, fugi da federal”), em “Diploma” dá um recado para os jornalistas e em “Pode queimar” faz uma justa homenagem aos nossos honrados homens públicos.

Como se pode perceber, o estilo continua o mesmo, voando estilhaço pra todo lado. De Leve não poupa ninguém. E essa é uma crítica recorrente a seu trabalho, de que é muito fácil chamar atenção espinafrando grandes nomes.

— Nesse disco nem falo tanto nominalmente, mas é mais fácil mesmo falar das pessoas, vão querer te ouvir. Mas acaba que tem muita gente querendo falar isso também e ninguém fala, sei lá porque.

Se ele aliviou a carga, certamente Marcelo D2 não vai concordar. O homem-fumaça é alvo constante, do título do disco (uma paródia com sua marca de roupas, a Manifesto 33 e 1/3) às letras.

— Conheço ele muito pouco, encontrei algumas vezes, mas não sou inimigo dele não. Só acho que tem umas paradas que pedem uma zoação. O D2 pode receber de dois jeitos: ou não vai dar a mínima ou vai ficar puto. Ou então pode achar graça também.

Vai ver não achou. No seu último disco, na faixa “That’s what I got”, D2 cita o “Pra bombar no seu estéreo”, música do De Leve, e canta: “é que vagabundo é foda / deixa eu ganhar o meu din / é pra bombar no seu estéreo / eu vou botando de leve / ri não, fala sério / que vem da selva essa febre”

— Não sei se ele tá querendo me zoar, que tá botando em mim de leve… Eu achei graça e fiquei felizão. O cara famosão no mundo inteiro, falando meu nome? Pra mim é uma honra.

Há tempos atrás, essa resposta era inimaginável. Hoje, no entanto, De Leve está de olho numa fatia maior do bolo musical.

— Não vou dizer pra você que eu não espero que minha música toque na rádio, essas viadagens do underground. Esse disco está mais animado, mais dançante, mais pop mesmo, de propósito. Não quero fazer música pra meia dúzia.

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  1. baiano

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