sexta-feira

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outubro 2004

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O Globo, 15/10/2004

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Matéria sobre o disco de remixes do Queen feito pelo Kleptones que escrevi para o Rio Fanzine (O Globo).

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O hip hop subverte a ópera do Queen

Bruno Natal – Especial para O GLOBO

Logo na abertura, um locutor debocha: “essa gravação digital é um oferecimento da EMI, a maior empresa musical do mundo”. Na seqüência, a voz de Peter Jennings, apresentador da rede de TV norte-americana ABC, confirma: “é mais um pesadelo de direitos autorais para a indústria da música”. E é mesmo.

Dessa vez, o motivo da dor de cabeça é o Kleptones. Todas as bases do seu novo lançamento, “A night at the hip hopera”, foram feitas utilizando samples de músicas do Queen, misturadas a vocais de nomes conhecidos da música pop e do rap. Como o nome indica, o Kleptones (algo como “cleptomaníacos sonoros”) não é estreante no assunto. O Flaming Lips, entre outros, também já assistiu aos “robôs rosas” do seu disco transformarem-se em manos cibernéticos em “Yoshimi battles the hip hop robots”.

A lista de convidados de “A night at the hip hopera” é extensa: KRS-One, Afrika Bambaataa, Electric 6, Justin Timberlake, Grand Master Flash, Kelis, Dilated Peoples, Beastie Boys, Eminem, até Vanilla Ice e Iggy Pop se revezam no papel de Fred Mercury, além de diálogos retirados de filmes como “O grande Lebowski” e “Curtindo a vida adoidado”.

As músicas já sumiram da página do Kleptones (www.kleptones.com), provavelmente fugindo de processos, mas se espalharam pela rede e podem ser baixadas em sites-espelho, como o Waxi.org, por exemplo.

Pouco tempo depois do barulho causado pelo DJ Danger Mouse e seu “Grey album” (que sampleava os Beatles e Jay Z), a EMI, detentora dos direitos das músicas dos Beatles e do Queen, toma outro golpe. E justamente no mês em que uma corte dos EUA determinou que os artistas devem pagar por qualquer sample utilizado, o disco está circulando freneticamente na internet. Fina ironia.

Talvez fizesse bem aos executivos das grandes gravadoras escutar o recado da faixa que encerra o disco, “Question”, um manifesto contra as atuais leis de direito autoral. Utilizando “Who wants to live forever?” como base, a música é ao mesmo tempo uma pergunta e um alerta dos novos tempos. Está claro que o atual formato da indústria não vai viver para sempre.

BRUNO NATAL faz o zine eletrônico URBe e sabe das coisas

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