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julho 2004

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O Globo, 02/07/2004

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Resenha do show em homenagem a Coxsone Dodd, que escrevi direto da Jamaica para o Rio Fanzine (O Globo).

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Adeus a ‘Sir’ Coxsone

Bruno Natal – JAMAICA

Qualquer tentativa de resumir a carreira de Clement “Sir” Coxsone Dodd parecerá sempre incompleta. Falar que seu Studio One —- híbrido de estúdio, gravadora e distribuidora — foi um dos principais responsáveis por moldar a música jamaicana nas últimas décadas é pouco. Talvez, acrescentar que foi de lá que saiu “Simmer down” (primeira música do Bob Marley a atingir o topo das paradas de sucessos) e dizer que nomes como Lee Perry, Delroy Wilson e Dennis Brown também começaram por ali ajude a mostrar a dimensão do seu trabalho. Mas isso não é tudo.

A melhor maneira de contar sua trajetória é através da música. E foi exatamente isso que aconteceu no último sábado, no Mas Camp, em Kingston. Morto há menos de dois meses (quatro dias após uma cerimônia oficial que trocou o nome da Brentford Road, rua onde fica o estúdio, para Studio One Boulevard), Coxsone Dodd ganhou um tributo de respeito. Cerca de 30 artistas do seu elenco clássico — praticamente todos que ainda estão vivos, um verdadeiro dream team da velha-guarda jamaicana — reuniram-se para homenagear o saudoso produtor.

O show foi histórico, com as apresentações mostrando um pouco da evolução dos gêneros, indo do ska ao reggae, passeando pelo rocksteady, pelo r&b e pelo dub. O público era formado principalmente por gente que viveu a época, matando as saudades dos bons tempos. Isso porque os jovens na Jamaica só querem saber de uma coisa e de uma coisa apenas: dancehall.

Nem por isso a platéia era menos animada. Quando uma música agradava — e num show desses quase todas agradam — o pessoal apontava as mãos em forma de revólver para o alto, gritando “pou! pou! pou!”. Era a senha para o artista mandar a banda pull up e reiniciar a música, igualzinho ao que alguns DJs fazem hoje em dia.

Alguns dos culpados por esses rewinds acústicos foram Bunny Brown, Prince Jazzbo, Cornell Campbell e Errol Dunkley, com sua “You gonna need me”. As canções de Derrick Harriot tiveram os maiores coros e a dupla Roy & Enid, bem velhinhos, foi quem mais emocionou. Apesar de anunciado em alguns cartazes, Horace Andy não apareceu. No geral, uma noite antológica. Para deixar qualquer Buena Vista roxo de vergonha.

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2 Comments

  1. William
    • Defalt

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