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maio 2003

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JB Online, 22/05/03

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Colorama – “Jungle jam acústico”

O Colorama é um projeto conjunto do trio de produtores do Bossacucanova, Marcelinho da Lua, Alexandre Moreira e Marcio Menescal, aliados ao arranjador e guitarrista Leonardo Tuch. A proposta é parecida com a do Bossacucanova, com uma diferença: ao invés de recriar clássicos da bossa nova, o Colorama faz versões de sucessos da música mundial. De Chico Buarque a Bobby Hebb, passando por Villa-Lobos e Sivuca.

Estréia na produção do DJ Marcelinho da Lua – figura fácil das noites cariocas de drum ‘n’ bass, downtempo e grooves em geral – Jungle jam acústico foi gravado ao vivo, deixando transparecer o clima de improvisação que o título sugere. São oito músicas no total, duas inéditas e seis versões, contando com as participações do saxofonista e flautista Rodrigo Sha, dos percussionistas Laudir de Oliveira e Leg, além do baterista Ali Z.

As inéditas são as melhores músicas do disco e é justamente uma delas que abre o disco, Le Blom, um db acústico, cheio de interferências de guitarra, muitos scratches e sax. Na seqüência vem a versão da classudona Moanin’, de Timmons e Hendricks. Não é aquele Hendrix, esse daqui é um jazzista.

Prelúdio No 4 para Violão, de Villa-Lobos, troca o violão por uma guitarra e o acompanhamento de outros instrumentos, mas não convence. A original é um dedilhado grosseiro, impossível de ser transposto para uma guitarra sem perder em qualidade. O maestro e arranjador Moacir Santos diz presente em Nanã, também tocada pelo Bossacucanova, aqui mais acelerada e pontuada pelo sax.

Destoando completamente da unidade sonora presente nas demais faixas – alegres e pra cima – Construção, de Chico Buarque aparece em versão chapada. Os vocais de Fábio Kalunga são tão sombrios quanto as bases e não remetem em nada ao original, a não ser, lógico, pela letra. Não que parecer com a matriz seja o objetivo de uma versão, mas a música de Chico tem um ritmo e melodia crescentes, que casam perfeitamente com a tensão do jogo de palavras da letra. Aqui isso se perde.

Em Canto de Mangaio a sanfona de Sivuca é substituída por uma bonita combinação entre guitarra, flauta e sax, na leitura mais cool já feita para esse clássico da música nordestina. A última releitura do disco, Sunny, de Bobby Hebb, já ganhou uma versão tarada/pornográfica de Léo Jaime nos anos 80, chamada Sônia. Com batidas mais aceleradas, a flauta de Rodrigo Sha substitui os vocais da versão original.

O disco fecha como abriu, com uma música de autoria do grupo, El Pancadon, na mesma linha das outras das músicas, com destaque para os teclados. Em seu primeiro trabalho o Colorama desperta duas vontades. A primeira é de ouvir mais composições originais da banda. A segunda é de conferir a jam como uma jam deve ser: ao vivo.

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