Imprensa Archive

quinta-feira

10

setembro 2015

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Transcultura #170: Daniel Maloso

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danielmaloso

Texto originalmente publicado na “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

Atração da festa Moo, o DJ mexicano Daniel Maloso mostra seus sons preferidos
Ele listou cinco músicas ‘com muito groove’, que deve tocar nesta sexta, na The Week
Por Bruno Natal

Hoje tem mais uma edição da Moo, dessa vez na The Week (Rua Sacadura Cabral, 135). Os DJs Diogo Reis e Badenov vão receber o mexicano Daniel Maloso (pra fazer um live) e o francês Ivan Smagghe. Pra explicar a atmosfera da noite, Maloso listou um top 5 da sua apresentação, será, segundo ele, “rústica, visceral, imperfeita, mas com muito groove”.

1) “Lo Mas” – Daniel Maloso – “Música nova com a qual abrirei meu set. É uma espécie de house punk com elementos ácidos de um Roland 303”.

2) “Clapman” – Daniel Maloso e Thomas Von Party – “Uma colaboração com meu amigo Thomas Von Party, gerente do selo Turbo e irmão de Tiga. É uma sátira ao herói da pista de dança”.

3) “Family stone” – Manueles – “Single do meu novo projeto Manueles, que é uma colaboração com meu irmão Felipe. Baixos inspirados em electro-funk com adições de guitarras espaciais e vozes “funky” melodiosas.

4) “No doy nada” (Live Acid Version) – Daniel Maloso – “Uma re-interpretação de uma das minhas músicas preferidas para tocar ao vivo.

5) “Coliseos” – Daniel Maloso – “Essa só saiu como bonus digital do EP “Hijos de Jose”. Música com vida forte no meio de synths monofásicos e vocais rítmicos e viscerais”.

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quinta-feira

10

setembro 2015

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Transcultura #169: Zoeira // Tame Impala

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zoeira_ziphophop
DJ Negralha, Marcelo D2, Aori e Marechal na Zoeira, em 1999

Texto originalmente publicado na “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

Marco do hip-hop carioca no fim dos anos 1990, festa Zoeira ressurge, sábado, no La Paz
Edição especial acontece no mesmo bairro que ajudou a revitalizar, unindo DJs e MCs da nova e velha guarda
por Bruno Natal

Falar da festa Zoeira, catalisadora da cena de hip-hop carioca citando a letra do hino “Melô da Zoeira” (“Hip-hop Lapa Sábado Zoeira/ Levanta a poeira, não tô de bobeira/ Se quiser zoar, esse é o lugar/ Riachuelo 19, L.A.P.A.”) é um clichê inescapável. Tanto as rimas quanto o time envolvido nas batidas (Marcelo D2, Marechal e Aori, sobre bases dos DJs Babão e Negralha) resumem em poucas palavras os encontros na extinta Sinuca Palácio dos Arcos, a partir do fim dos anos 1990, que também foi cenário da foto da capa e do clipe de estreia do Planet Hemp.

— Eu fazia o festival SuperDemo, no Circo Voador, quando o Cesar Maia mandou fechar a casa. A Lapa ficou deserta — lembra Elza Cohen, idealizadora e produtora da festa, que volta amanhã, em edição especial, no La Paz — . — Após o SuperDemo virar selo da Sony, trabalhando na produção do disco “Usuário”, do Planet, e procurando locações para o clipe de “Legalize já”, encontrei a Sinuca com o D2. O lugar era muito interessante. Gravamos o clipe e na semana seguinte fui lá agendar a Zoeira.

Para marcar a volta, atrações clássicas, como os DJs Pachú, King Mack, Castro, Woo e o MC Aori juntam-se a crias, diretas e indiretas, como Stephan Peixoto, Marcão Baixada, Lil Mila e Nacho Garcia e Nicole Nandes. Dedicada à fotografia e morando em São Paulo, Elza fará retratos dos frequentadores para uma série.

A primeira Zoeira, em 1998, contou com o próprio D2, Kassin e BNegão nos toca-discos. A partir de uma nota convidando artistas para a festa publicada na seção Rio Fanzine, do GLOBO, principal veículo da cultura alternativa da cidade na época, chegaram os grafiteiros Binho, Fabio Ema, Eco, Akuma Crespo, Ment, Mackintal e grupos de break como GBCR e Atari Funkers. Ao reunir num só lugar uma cena que estava dispersa pelo Rio, a festa se consolidou como a casa do hip-hop.

— Conheci o MC Marechal numa loja comprando discos. Ele foi à Zoeira, pegou o mic e mandou um freestyle, de cabeça baixa e olhos fechados, todo tímido. Quando terminou, estava todo mundo vibrando — recorda Elza.

Daí em diante, todo sábado MCs como Black Alien e D2 e outros ainda desconhecidos, como Aori, De Leve, Shawlin, Dom Negrone e Mahal passaram a bater ponto ali. E a eles juntaram-se DJs como Castro e Pachú.

Praticamente todos os principais nomes do hip-hop nacional e algumas estrelas internacionais passaram por lá: Madlib, JRock, Eric Coleman, Negralha, Tamenpi, Babão, KLJay, Primo, Nuts, Zegon, Fleshbeck Crew. A festa, que seguiu na Sinuca até 2001, rendeu ainda uma coletânea para revista “Trip”, “Zoeira”, onde o hino foi lançado.

A missão agora, diz Elza, é encaixar a Zoeira — de volta à mesma Lapa que ajudou a revitalizar — no novo momento do hip-hop, que passou de underground a um dos estilos mais bem-sucedidos do planeta. Orgulhosa, ela ressalta que todos que participaram da festa e da coletânea continuam ativos.

— Aori está lançando EP, Marechal finaliza seu primeiro álbum, De Leve e Shawlin gravaram discos e fazem shows pelo Brasil, Pachú é um dos mais requisitados DJs do Rio, Castro toca com Black Alien e BNegão, João Woo e Nepal, do Apavoramento, também viraram DJs na Zoeira — lista Elza. — Tudo é um ciclo, mas a proposta de evolução da festa continua.

Tchequirau

Chegou o terceiro disco do Tame Impala. “Currents” é bem diferente dos outros, focado no synthpop dos anos 80 em vez do rock psicodélico dos anos 70, sem perder a personalidade da banda. Ouça “Eventually”.

quarta-feira

9

setembro 2015

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Transcultura #168: Os Ritmos Digitais // Marker Starling

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osritmosdigitais

Texto originalmente publicado na “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

Marco da noite carioca do começo dos anos 2010, trio Os Ritmos Digitais prepara volta à pista
Os DJs Yugo, Millos Kaiser e Salim se reúnem, após três anos, em festa na Casa Daros, na próxima quinta
por Bruno Natal

Em maio de 2009, após o fim da marcante festa W (ou Dáblio, como era conhecida), três dos DJs residentes — os amigos Hugo Braga (Yugo), Millos Kaiser e Rafael Salim — resolveram continuar tocando. Nascia, então, o trio Os Ritmos Digitais, que se tornaria um dos mais ativos na noite carioca do começo dos anos 2010, chegando a ser uma das atrações do festival Back2Black em 2011.

Dissolvido no ano seguinte, após uma festa no Cais da Imperatriz, o grupo de DJs volta a se encontrar, após quase três anos, na próxima quinta-feira, numa festa com seu nome, na Casa Daros. Dessa vez, porém, seus integrantes tocarão, em princípio, separados, cada um à frente de uma identidade ou novo projeto: DJ Yugo, Selvagem (Millos) e Equipe Diabo Louro (Salim com Antônio Simas).

Das farofadas dos primeiros encontros, quando chegou a ser multado após uma agitada festa em um condomínio no Leblon, o trio foi aprofundando sua seleção musical, em direção a disco, r&b, krautrock, synthpop oitentista e ítalo, levando Os Ritmos Digitais a ser convidados a se apresentar em diversas festas, começando numa do blog “URBe” (editado por esse escriba) e evoluindo para festas como Discoland e Moist, além de produzir edições próprias com participações internacionais de DJs como o inglês Chris Todd (do Crazy P) e os escoces do Optimo.

— A Moo, Combo e Calzone eram as festas de que mais gostávamos na cidade e também as nossas principais influências — lembra Millos.

Apesar de citar as mesmas referências, Salim achava o clima das outras festas meio sério demais ou divertido demais e acreditava haver um espaço entre as duas coisas.

— Meu interesse maior era descobrir sons dançantes, independente de ritmo, gênero ou época. Se você realmente gosta de música dançante, não fica fazendo cara feia para as diferentes manifestações disso — diz ele.

Com o tempo, com as tarefas da vida, a coisa foi naturalmente desacelerando. Millos se mudou para São Paulo, virou editor da revista “Trip” e foi também repórter da “Folha de S.Paulo”. Salim concentrou-se no trabalho como fotógrafo e videomaker. Pouco tempo depois, Hugo, que naquela época também era editor de conteúdo do site de cultura independente “PartyBusters”, conhecido também por suas fotos da noite, mudou-se para Londres. Em 2012, o trio se dissolveu.

— Fizemos um set pro (site) “deepbeep” que foi um marco de fim, sem que soubéssemos — relembra Salim.

Logo começaram os novos projetos de cada um. Millos iniciou sua bem-sucedida empreitada com a dupla de DJs Selvagem (ao lado de Augusto Oliviani, o DJ Trepanado) e com a festa homônima que chegou a gerar uma mixtape para cultuada revista “Wax Poetics” e uma turnê pela Europa.

— Faz um ano que deixei o jornalismo e resolvi me dedicar apenas à Selvagem — explica Millos sobre a festa, que acontece em SP (duas vezes por mês) e no Rio (uma, a próxima é no dia 18 de julho, no Cais da Imperatriz).

Hugo chegou a produzir outras festas, como Yes We Chaka Khan e Gluck, e em 2012 se mudou para Londres para estudar engenharia de áudio e produção musical. Da capital inglesa, apresentou por dois anos o programa de rádio on-line “Super Nova”. De volta ao Rio, o retorno às pistas foi inevitável.

— Sempre quis ser DJ, desde criança, e quando voltei pro Rio me vi querendo tocar de novo. Meu objetivo hoje é trabalhar com áudio e produzir música. Quero começar uma festa nova ainda este ano — garante.

Salim continua fazendo frilas de foto e vídeo, mas tem dedicado seu tempo principalmente à pintura. Ainda assim, não abandonou as pistas e formou, com Simas, a equipe Diabo Louro.

— Durante alguns meses, chegamos a ter os domingos fixos na Comuna, que ainda contavam com Guerrinha e Diogo Reis. Não ia ninguém, mas era bem legal — admite ele. — Mas aos poucos estamos estruturando melhor o Diabo.

O reencontro surgiu a partir do convite do Mira!, restaurante da Casa Daros, a Hugo para participar da Countdown, série de eventos promovidos até o fechamento do museu, no fim do ano.

— Achei legal reunir todo mundo e chamar de Os Ritmos Digitais, nem que seja pela última vez, nem que seja um rito de passagem — diz Hugo

— Não sei se vamos tocar juntos na festa, mas isso poderia ser legal — completa Millos. — Vou tocar o que rola na Selvagem: músicas dançantes de todas as épocas e origens. E continuo não me levando muito a sério, algo que aprendi com Os Ritmos Digitais.

Tchequirau

Conheci o Marker Starling ouvindo a sensacional edição 50 da série DJ Kicks, desse vez mixada pelo DJ Koze, que incluiu “In Stride” no set. O disco “Rosy Maze” foi lançado esse ano e mantém o nível.

quarta-feira

9

setembro 2015

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Transcultura #167: Temporada Wobble // Banguela

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djmarky

Texto originalmente publicado na “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

Festa Wobble anuncia temporada de inverno na Fosfobox
O DJ americano Spinn, um dos pioneiros do som ‘footwork’, é a primeira atração da série
por Bruno Natal

O inverno chegou, os casacos saíram do armário e a Wobble insiste em botar a galera pra suar. Seguindo a tradição de sempre apresentar convidados de respeito em suas edições especiais, a festa anuncia um julho caprichado, com alguns dos melhores DJs e produtores da cena brasileira e um convidado internacional, o DJ Spinn, de Chicago, marcando presença na Fosfobox, a partir desta quinta.

Distribuídos entre as cinco quintas-feiras do mês, Sants, CESRV (ambos do selo Beatwise), Neguim Beats (da Darker Than Wax) — todos com passagem pela Transcultura — mais DJ Marky, MCs BK e Jonas (do Nectar Gang) e o pioneiro do hip hop nacional KL Jay (integrante do Racionais Mc’s) vão se apresentar no clube de Copacabana.

— Espero que seja irado, bem mais que a última vez, que foi muito ba. A Wobble é bacana, todo mundo passa uma vibe boa — diz Neguim Beats, na expectativa para tocar novamente no Rio.

Única atração estrangeira, Spinn (dos selos Teklife e Hyperdub) inicia a temporada, na próxima quinta.. Ele é um dos representantes da cena de footwork/juke de Chicago e incluiu o Rio em uma turnê que passa também por São Paulo e pelo México, Argentina, Chile e Peru. Um dos fundadores da festa, Rodrigo S acredita que a temporada de férias escolares serve para fazer um panorama do que está rolando até aqui em 2015.

— Tirando o DJ Spinn, temos quatro noites apenas com atrações nacionais: a volta do Marky, do Sants e a primeira visita do KL Jay. Pro publico que frequenta a Fosfobox vai ser a oportunidade de ter edições mais confortáveis, com sets mais longos dos residentes e dos convidados — diz.

No Fosfobar, no primeiro andar, várias festas convidadas darão conta da pequenina pista. Além da Riquelme, Beatwise, Eletrônico Verão e RWND Records, na última noite se apresentarão os vencedores do concurso de mixtapes promovido pela equipe da Wobble . A mistura entre novas promessas como Sants e mestres do calibre da lenda do drum’ n’ bass Marky está alinhada com o público da festa.

— O público da Wobble está em constante mudança e percebemos que está surgindo uma nova geração de DJs e produtores de bass music e isso é ótimo — diz Rodrigo S sobre o concurso de mixtapes, transformando frequentadores em atração da festa.

É dessas interações on-line que surgem colaborações entre novos produtores, como Ruxell, Dorly e Swinga, mostrando que as camadas que separam público e artista vão cada vez fazendo menos sentido. De Jacarepaguá, Ruxell toca na última festa da temporada e vai aproveitar pra lançar o EP “Kaozada”, misturando clássicos do funk com produções de bass music atual e com colaborações com Flying Buff, Marginal Men, Heavy Baile e seu próprio irmão caçula, Atman, que também produz.

Tchequirau

Com a ascensão de Chico Science, Planet Hemp, Rappa, Raimundos,mais uma pancada de outros nomes, 1994 foi um ano chave no ano brasileiro. Dirigido por Ricardo Alexandre, o documentário “Sem Dentes: Banguela Records e a Turma de 94” conta essa história a partir da perspectiva do selo fundado pelos Titãs, Banguela Records. A estreia é no 04 de julho, no festival In Edit.

terça-feira

8

setembro 2015

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Transcultura #166: Andy Shauf

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foto: divulgação/Chris Graham

Texto originalmente publicado na “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

O folk solitário do canadense Andy Shauf
Músico emociona em seu segundo álbum, ‘The bearer of bad news’
por Bruno Natal

O título não é lá muito convidativo, porém “The bearer of bad news” (“O portador de más notícias”), segundo disco cheio de Andy Shauf — e o primeiro que ele realmente gosta, de acordo com o próprio, que já havia lançado três EPs antes dos 20 — é uma belezura só. Como o título sugere, os temas vão da solidão ao arrependimento, contados sob a perspectiva de um canadense da remota província de Sascachevão.

Com uma formação de guitarra, baixo, bateria, teclado, clarinete e violino, o som espaçoso dos arranjos reflete a imensidão das planícies geladas onde Shauf cresceu. Citando Dashboard Confessional e Elliot Smith como referências, o estilo introspectivo remete também ao escocês King Creosote. As melodias complexas resultam num folk de mentalidade pop, por vezes fazendo lembrar um Tame Impala, se esse fosse desplugado, seja nos quase nove minutos de “Wendell walker” ou na batida quase fúnebre de “Covered in dust”.

Composto ao longo de quatro anos e gravado no porão da casa dos pais, onde Shauf tocou tudo sozinho, “The bearer of bad news” é daqueles discos pra ouvir só, que vai crescendo a cada rodada, sempre revelando novos segredos. Trilha boa pro inverno que se aproxima.

 

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