Esse vídeo é o estudo de caso da ação bolada pela Droga5 para Ecko. Dá pra assistir no saite da agência ou clicando aqui (não há como inserir no blogue).
Olha o tamanho da repercussão que isso teve. A partir de agora só respeito viral daí pra cima. Hahaha!
No dia 26 de janeiro, surgiu um vídeo no YouTube que supostamente devendava os segredos do Google TV, ainda em versão beta, serviço que transmitiria a programação de três das maiores redes de TV americanas, gratuitamente.
A história estava bem contada e, principalmente, bem montada. Tão bem montada, que gerou desconfianças. Uma das pistas capazes de entregar a farsa do “Infinite Solutions”, ademais do próprio histórico de vídeos absurdos do programa, foi justamente o excesso de zelo com o dizáine.
A Fatal Farm, produtora do vídeo, deve ter se empolgado com a oportunidade de criar um visual tosco, tão em voga atualmente, e exagerou na dose.
Do apresentador, um tipo que lembra um Napoleon Dynamite mais velho e de cabelo alisado, ao logo do programa, o capricho no clima retrô-tosco tem como objetivo criar uma atmosfera caseira e, com isso, imprimir credibilidade.
Essa estética está na moda e mandar um dizáine retrô bem feito assim, tão bom que parece natural, não é brincadeira. É coisa de profissional. O cuidado em cada escolha é perceptível. Ator, locação, objetos de cena, tudo milimetricamente pensado para parecer verdadeiro. Feito para se tornar — atenção, marqueteiros, para a palavra do momento em 10 entre 10 agências — viral.
Alguns incrédulos questionaram, “mas fazer um viral desses pra promover o que, se o serviço (ainda?) não existe?”. Ora, para promover a Fatal Farm, o ator, eles mesmos, enfim, o que não é pouca coisa. Imagina-se que tenha dado certo, um “Tapa na pantera” em proporções maiores.
A fixação com os virais aqueceu após a bem sucedida campanha da Virgin, “Exercise you music muscle, que escondia 75 bandas codificadas numa figura. Segundo consta, a expectativa dos criadores não era que tomasse a proporção que tomou.
Daí pra frente, toda empresa está a trás do seu viral, a ação de marketing perfeita, que se espalha sem fazer força, em alguns casos confundindo o simples ato de despejar propaganda na rede com a troca espontânea de um bom vídeo entre os usuários.
Converse com algum publicitário ou gente de departamento de marketing de alguma empresa grande e é só isso que você vai ouvir. Trazendo o exemplo pra perto, do ano passado pra cá, absolutamente todos os vídeos que venho produzindo vêm com a observação para “prestar atenção nos possíveis virais escondidos no material”.
Essa obsessão tem consequências que merecem ser discutidas. Tateando o novo caminho, agências especializadas no chamado marketing de guerrilha, vem alternando boas idéias com outras péssimas.
Os virais começaram a se tornar um festival de pegadinhas, apontada para os desavisados e, em alguns casos, abusando da boa fé das pessoas. Parte deles, hoje, consistem em mentiras bem contadas, sem um fundo de verdade sequer.
O assunto está presente também no cinema, muito antes do sucesso de Borat. De “Vérités et mensonges”, de Orson Wells, também conhecido como “F for fake – verdades e mentiras” (1974), à “Mera coincidência” (1997), o poder das verdades midiáticas é constantemente debatido.
É cedo pra dizer se o uso desses atalhos, pra não dizer trapaças, pode diminuir o mérito do sucesso de algumas dessas campanhas ou mesma fazê-las ter efeito contrário: repulsão no público alvo, seja por questionamentos éticos ou por sentir-se enganado.
Enquanto o Google TV não vem pra valer (se é que já não veio), o SopCast, apoiando-se nas redes P2P, faz suas transmissões.
Complicado é conseguir alguma informação concreta sobre o saite. Na Wikipedia, por algum motivo, o verbete referente ao SopCast foi deletado pela administração do saite, que aproveitou pra imperdir que ele seja recriado.
Apesar do sucesso do YouTube, TV na internet continua um mistério.
Cultura digital, música, urbanidades, documentários e jornalismo.
Não foi exatamente assim que começou, lá em 2003, e ainda deve mudar muito. A graça é essa.