Recebi essas fotos de uma amiga. Foi assim que ela encontrou seu carro na terça de manhã em Copacabana, de onde ela saiu na segunda a noite de táxi, fugindo do tiroteio entre polícia e traficantes na ladeira dos Tabajaras.
Que cidade legal, que situação razoável você voltar para buscar seu carro, no dia seguinte a um gigante enxame de bezouro sem asas ter te expulsado do trabalho, e encontrá-lo crivado de balas.
Pior é ter que ficar alegre com a “sorte” de não ter ninguém dentro.
Escangalhado, Chico Bala, Gaguinho, Seu Delson… Essa é a turma que Batman, líder do grupo de milícia Liga da Justiça, que comanda diversas comunidades da Zona Oeste do Rio, cita em uma série de depoimentos postados no YouTube.
Do nome do usuário (batmanvoltou) ao teor das declarações (repletas de contradições), tudo indica não se tratar de uma entrevista, mas sim de um comunicado de Batman, respondendo a perguntas que lhe interessam, interpretando os fatos que lhe convém.
Batman diz que a Liga é criação da imprensa, mas minutos depois responde a questões sobre a mesma Liga sem titubear, se vangloria de saber usar as armas que pegou do tráfico, e fala em recuperar “o que é seu”. Pra fechar, veja só, cobra agilidade da justiça antes de se entregar a polícia.
Sua principal fonte de renda vem da exploração das linhas de transporte alternativo. Fica cada vez mais difícil enxergar as vans (e suas bandalhas, desrespeito as regras de trânsico) como algo positivo.
O que necessário é coragem para organizar o transporte público, não fugir do problema fingindo oferecer uma alternativa a algo que deveria funcionar. Da maneira que funcionam (e como surgiram), as vans não passam de um remendo mal dado.
Lembro de quando estive na Bolívia, em 2000, e como fiquei impressionado com esse tipo de transporte, que até então não existia no Rio. A cena dos auxiliares pendurados na janela, berrando destinos era um caos que parecia distante.
Quanta ingenuidade, como se fôssemos nos aproximar do modelo de transporte europeu, não dos nossos vizinhos – hermanos em mais aspectos do que gostaríamos de admitir.
O trecho abaixo — assim como a imagem acima — não está na versão digital da reportagem do Globo (cujo saite anda cada vez pior, cheio de erros bobos, tomando banho até dentro de casa, da Globo.com):
“(…) até agora não localizaram a minha marmita. É frango com quiabo e macarrão. Só que o molho é de tomate e vai acabar estragando – reclamou o trabalhador que, até as 14h30 ainda não tinha feito qualquer refeição.”
Quanto espírito de porco… Lá vou eu repetindo a ladainha: cada um tem que fazer a sua parte e assumir suas responsabilidades ou esse lugar aqui não vai pra frente. De jeito nenhum.
Independente de qualquer ilegalidade que cerque esses bailes, mesmo os que são (eram?) oferecidos pelos traficantes, uma coisa é certa: a culpa não é da música.
Cultura digital, música, urbanidades, documentários e jornalismo.
Não foi exatamente assim que começou, lá em 2003, e ainda deve mudar muito. A graça é essa.