vincent moon Archive

segunda-feira

11

abril 2011

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Transcultura #043 (O Globo): LCD Soundsystem // Friday

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Eles não estavam lá sozinhos
foto: Alexander Stein (Pitchfork)

Texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Show de despedida do LCD Soundsystem transmitido pela rede reduz a fronteira entre online e offline
por Bruno Natal

Sábado passado, o LCD Soundsystem fez seu último show, em Nova York, num Madison Square Garden lotado. Os ingressos se esgotaram em minutos, muitos indo parar na mão de cambistas, o que desagradou o líder da banda, James Murphy. Decidido a dividir o momento com os muitos fãs espalhados pelo mundo que ficaram de fora, Murphy topou a transmissão on-line ao vivo e gratuita proposta pelo site Pitchfork.

O resultado foi histórico, tanto em termos musicais quanto tecnológicos. Principalmente porque a transmissão desafiou a constante diferenciação entre a vida real (das ruas) e a vida conectada (“dentro” do computador). Apesar dos números da audiência não terem sido revelados, o comentário foi intenso nas redes sociais antes, durante e depois das 3h40m da apresentação, levando, por exemplo, o nome da banda à lista de assuntos mais comentados no Twitter.

O LCD é a primeira banda da geração 00 cujo fim teve tanta repercussão, e a comoção provocada pela dissolução do grupo foi comprovada na madrugada do show. Os relatos em texto e fotos de fãs se reunindo para conferir a apresentação em bares ou em casa, ligando o computador em televisores e aparelhos de som para melhorar a experiência, mostraram que “assistir na internet” não é mais uma experiência menor, muito menos solitária.

As imagens pixeladas e as pequenas travadas, em vez de atrapalhar, contribuíram para a sensação de imediatismo do momento. Cerca de 12 horas depois, arquivos com o áudio e o vídeo do show apareceram na rede. Não é a mesma coisa, mas a sensação de “eu estava lá” já estava impregnada no evento. Mesmo para quem assistiu a milhares de quilômetros de Nova York.

Conhecido pelos vídeos da série “Take away shows”, divulgados na rede, o diretor Vincent Moon fez um caminho aparentemente inverso com seu filme “An island”. Em vez de buscar salas para exibir o registro sobre a banda dinamarquesa Efterklang para o público em sessões para 300 pessoas, Vincent descentralizou o processo ao oferecer a possibilidade de qualquer pessoa baixar o filme em alta definição e produzir uma sessão, desde que fosse gratuita, aberta ao público e para ao menos cinco pessoas (mesmo que isso significasse apenas os seus amigos). Ao pulverizar as sessões, o projeto, encerrado no dia 31 de março, contabilizou 1.178 desses encontros, em diversos países.

A relação entre o mundo on-line e off-line nem sempre é tão fácil. O documentário “Catfish” retrata um jovem que resolve desmascarar uma família quando descobre que o perfil de uma menina com quem estava se relacionando no Facebook não era real. O filme fala mais sobre as relações digitais do que “A rede social” jamais conseguirá, ao revelar quão delicadas e frágeis são essas redes. Mesmo quando os encontros se dão prioritariamente on-line, o “mundo real” está sempre rondando, cercando, derrubando a barreira invisível que separa os dois planos.

Nos três casos vemos o mundo on-line e off-line se fundindo, gerando histórias que não poderiam existir há alguns anos, discutindo, cada um a seu modo, a importância e necessidade de se estar presente para vivenciar algo. Inegavelmente, a realidade mudou. Vidas on e off-line não estão em conflito, são complementares. Nada vai substituir o olho no olho, porém cada vez mais o que importa são os encontros, aconteçam onde acontecerem.

Tchequirau

Interpretada pelo apresentador Stephen Colbert, acompanhado pelo The Roots, no programa do Jimmy Fallon, o hit mais grudento do ano,”Friday”, da Rebecca Black, ganha sua versão definitiva.

quinta-feira

21

outubro 2010

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Transcultura #024 (O Globo): Vincent Moon, Lil' Wayne

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Texto da semana passada da coluna “Transcultura” que publico todas as sextas no jornal O Globo:

O antidiretor de clipes
Vincent Moon faz vídeos inovadores para nomes como Phoenix, Arcade Fire e The National
por Bruno Natal

O primeiro contato com Vincent Moon foi estranho. Responsável pelo início (e por boa parte do acervo) da elogiada série de vídeos “Take Away Shows” do saite francês La Blogotèque, iniciada em 2006 e com a qual ainda colabora esporadicamente, o sujeito recusou a entrevista por e-mail, pedindo para procurar as respostas “pela rede”, antes de propor um papo via Skype pra falar da sua visita ao Brasil para ministrar oficinas em São Paulo, conhecer o Rio e viajar pelo nordeste por dois meses. Enquanto falava, era possível escutar do outro lado o estalar do seu teclado, respondendo emails e conversando ao mesmo tempo, sem perder a atenção.

A hiperatividade ajuda a explicar como esse francês conseguiu, em poucos anos, realizar vídeos com alguns dos principais nomes do pop contemporâneo, numa lista de respeito: Phoenix, Yo La Tengo, Fleet Foxes, Yeasayer, Animal Collective, Tom Jones, Sigur Ros, The National, Arcade Fire, The Shins, Of Montreal, Sufjan Stevens, Bon Iver… Iniciada por acaso, a série já retratou mais de 100 artistas mostrando suas músicas em situações intimistas e pouco usuais, como o Phoenix tocando num ônibus de turistas por Paris ou os artistas da argentina ZZK Records se apresentando em sequência nos cômodos de um casebre em Buenos Aires, realizando uma mixtape visual.

– Não gosto de vídeoclipes, a interação com a banda não é interessante – explica Vincent.

Falando sobre o mais recente projeto da Blogotèque, “Le Soirés de Poche”, do qual também participou no início, Vincent não demonstra muita empolgação:

– É muito ruim, totalmente oposto a filosofia do que eu que gosto, é muito formal, um formato muito parecido com o da TV. Não tenho falado mais muito com eles, não estou focado em indie rock e folk, não quero ficar preso a isso, quero mudar. Estou fazendo coisas com outras pessoas. Ainda envio alguns filmes para eles, mas vou parar em breve. É bom demais para eles.

Mudanças parecem mesmo fazer parte do processo de Vincent. Em sua página no Vimeo vai publicando os filmetes com os artistas que conhece nos países que visita. Falando do Brooklyn, em Nova York, a caminho do país para a série de oficinas na Academia Internacional de Cinema, o cineasta não faz planos. Adepto do improviso, nem mesmo o que vai filmar no Brasil está definido. Utilizando a rede de contatos construída com a exposição de seus vídeos na rede, a forma de trabalho tem tudo a ver com a própria internet, onde a informação circula livre, sem fronteiras ou impeditivos comerciais.

– Trabalho na base da troca com os artistas. Estou há dois anos viajando pelo mundo a convite de festivais e oficinas, não tenho casa. As pessoas me convidam para comer ou beber porque são minha amigas, basicamente, dinheiro não está envolvido. Embora as vezes receba por palestras e exibições, pra mim não é trabalho, é diversão, aprendo muito nesses eventos. Tento manter meus filmes longe dessas questões financeiras, trabalho com poucas pessoas, não preciso de muito. Dinheiro é um pé no saco. Mas se eu for pago, melhor, pois me possibilita realizar mais coisas.

Fissurado na Tropicália, Vincent quer filmar Tom Zé, Caetano e também Hermeto Paschoal. De novos nomes, citou Kassin +2, Garotas Suecas, Orquestra Imperial e Holger. Ao ouvir que um encontro com Caetano não era algo impossível, ficou empolgado:

– Sério? Cara, se você conseguir armar essa podemos fazer esse filme juntos!

É o método de Vincent em resumo, agregando colaboradores oferecendo participação em suas ideias. Funciona que é uma beleza.

Tchequirau

Chamado pela revista Variety de “‘Don’t Look Back’ do rap”, em referência ao clássico do cinema direto de D.A. Pennebaker sobre Bob Dylan, o documentarário “The Carter”, de Adam Bhala Lough, esmiuça o rapper Lil Wayne, um dos principais nomes do gênero.

sexta-feira

15

outubro 2010

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