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quinta-feira

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julho 2010

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O manifesto digital de Fernando Meirelles (O Globo, Julho/2010)

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Versão não-editada da matéria que publiquei no Segundo Caderno do jornal O Globo no domingo passado.

Fernando Meirelles lança manifesto contra a farra digital
Diretor condena o excesso de material que vem sendo filmado desde o fim da película
por Bruno Natal

Em meados de junho, um e-mail assinado pelo diretor Fernando Meirelles e enviado para os funcionários da sua produtora, a O2 Filmes, foi reproduzido no blogue da empresa (www.blog.o2filmes.com) e rapidamente espalhou-se, sendo discutido por produtoras de conteúdo de todo país. Intitulado apenas como “O Método”, o texto propunha uma nova organização de trabalho nos sets de filmagem, de certa forma decretando o fim da farra digital.

Filmar em película é um processo caro, envolve revelação, telecine, transferência e tem um limite físico bem definido, uma quantidade pré-estabelecida de filme disponível, exigindo uma organização rígida. O surgimento de câmeras digitais de alta definição extinguiu esses custos e mudou a forma de trabalho. Diretores sentiram-se livres para filmar a vontade, aumentando a quantidade de câmeras utilizadas e de material produzido. Demorou-se a perceber que esse comportamento teria um preço. Após captado, todo esse material teria que ser processado e armazenado.

– Tenho sentido que rodar muito material piora a qualidade do trabalho – diz Meirelles ao GLOBO. – Primeiro porque o diretor que deve estar acompanhando a câmera principal, onde está seu fotógrafo oficial, se dispersa tentando controlar todas as outras câmeras espalhadas e corre o risco de perder seu foco. Na montagem então nem se fala, tanto material acaba com o montador antes mesmo dele começar seu trabalho – diz Meirelles.

Com tanto material sendo gerado, o que motivou o texto sobre “O Método” foi uma constatação impressionante. Os servidores da O2 completaram um petabyte de capacidade de memória, equivalente, segundo Meirelles, a ¼ da memória do Google mundial. Isso tem um custo financeiro e de processamento gigantesco.

Qualquer pessoa que tenha uma câmera digital passa por um problema parecido após alguns meses de uso, em menor escala: solucionar como guardar tanta foto. Em bem pouco tempo a alegria de não precisar comprar mais filmes e poder clicar a vontade dá lugar a preocupação de como armazenar esses arquivos na memória do seu computador, criando a necessidade de adquirir HDs externos. Pior ainda é administrar esse conteúdo, sempre com a preocupação de não fazer besteira, pois sem o negativo para se fazer novas cópias das suas imagens favoritas, qualquer bobeada pode ser definitiva.

No mundo do cinema e da publicidade esse problema é amplificado. Lidando com orçamentos na casa dos milhões de reais e com equipamentos mais sofisticados, os custos sobem. Na qualidade máxima de resolução, a RED, câmera sensação do mercado publicitário, desenvolvida pelo fundador da fabricantes de óculos Oakley, consome 1 gigabyte por minuto gravado. Arquivos tão pesados são uma aberração quando se fala de trabalhos que chegam a rodar mais de 12 horas de material para gerar os míseros 30 segundos de uma peça publicitária padrão. Some a isso a nova geração de câmeras da Canon, 5D e 7D. Capazes de gerar imagens em alta definição com lentes de fotografia e resultados estupendos, tem sempre ao menos uma em qualquer set, engordando a conta de arquivos a ser copiados.

Múltiplas câmera, múltiplos formatos, filmagens menos criteriosas – não era de se estranhar que isso tudo fosse dar em confusão. Visando organizar essa bagunça, Meirelles propôs um método para diminuir a quantidade do que ele chamou de lixo imagético. O texto é simples e direto, propondo um modo de trabalho em que em vez de se filmar aleatoriamente, cada tomada seja pensada com antecedência e avaliada logo após, para saber se vale a pena ou não ser aproveitada.

A bem da verdade, não é nenhuma novidade, é simplesmente uma volta ao método de trabalho utilizado na época da película, quando o diretor era obrigado a pensar bastante antes de filmar, escolher quais tomadas deveriam ser reveladas, ficando a cargo do assistente organizar o material valendo que seria repassado ao editor. Porém, é uma mudança muito importante, pois assim evita que tomadas claramente ruins ou muito longas, onde somente um trecho ficou bom, atravessem todo o demorado processo de conversão e cheguem até a ilha de edição, sobrecarregando o montador.

– Eu me sinto esquisito defendendo método e rigor em filmagens já que sempre fui um defensor e praticante da improvisação no set – diz Meirelles. – Os velhos diretores, nos quais me incluo, são treinados para irem para um set onde há um cenário montado, esperam o fotógrafo iluminar a cena, ensaiam com o elenco e figuração, com a câmera e com o pessoal de efeitos para, todos juntos, tentar conseguir aquele momento mágico na hora em que o assistente grita “ação”. Nesta escola nova, do filme digital, os diretores pensam por camadas. Se a figuração não fez o que deveria, corrige-se na pós-produção, se a câmera não chegou no enquadramento certo, reenquadra-se depois e assim por diante. ‘Deus é pós’, esse é o slogan. É outro raciocínio, talvez mais barato no set, mas muito mais caro depois – continua.

Leonardo Edde, sócio da Urca Filmes e trabalhou como produtor em “Tropa de Elite” concorda. – O problema do digital é que a postura no set fica quase displicente, ficou muito barato filmar. É quase um “vamos filmar bastante proque temos espaço pra isso”, então o cuidado com a imagem diminui e também com o figurino, etc. Uma produção em vídeo deve ter o mesmo tratamento de uma produção em película. Muda apenas o suporte.

A maior quantidade de material gerado gerou problemas bem além do espaço para armazená-lo. A encrenca recaiu na turma da pós-produção, sobretudo os montadores, gastando até 100 vezes mais tempo para importar o material e separando o que presta do que não presta na ilhas de edição. Tempo é dinheiro e no mundo da publicidade isso é ainda mais verdade, assim a conta ficou preocupante.

O diretor de pós produção da O2, Tamis Lustre explica:

– Produzir digital em relação a custo não é muito mais barato o custo apenas mudou de lugar dentro do processo. A grande questão agora é o tempo de processamento do material, como escolher o que digitalizar e arquivar.

Para ilustrar: quem tem uma conta no YouTube sabe que entre transferir um vídeo da sua câmera digital, subir no saite, aguardar a conversão do arquivo e finalmente poder assiti-lo online, leva algum tempo. E isso com arquivos leves. No caso das filmagens profissionais, o processo de transferência dos arquivos é infinitamente maior.

Antonio Carlos Accyoly, sócio executivo da Margarida Filmes aponta outro aspecto:

– De fato os diretores estão filmando mais já que não tem o limitador dos negativos. O problema são as horas extras que as filmagens passaram a ter em função disso. Acaba que se economiza em negativo e gasta-se mais em hora extra de equipe no set de pós-produção.

A questão da quantidade de material gerado afeta outras áreas das artes, da fotografia a música, postergando decisões que poderiam ser tomadas antes. O fotógrafo Lucas Bori conta:

– O processo de trabalho com filme exigia um rigor de pré-produção e planejamento muito maior, o valor, real e subjetivo, de um clique tinha mais peso, exigia mais do fotógrafo antes de sair apertando o botão. A banalização e falta de objetividade pode render bons resultados pessoais, maior chance de tentativa e acerto, mas também tira um pouco da alma, da magia resultado. Se por um lado o digital soluciona questões, elimina etapas e modifica outras, por outro cria seus próprios problemas, novos métodos de trabalho, novas demandas, novos cargos e novos profissionais especializados

O formato digital realmente está forçando o surgimento de novos cargos e adaptações das funções atuais. Nesse contexto, uma das profissões mais comentadas é a de logger, responsável por organizar digitalmente o material que é gerado no set, separando as melhores tomadas de acordo com as instruções da equipe de direção.

Diz uma máxima do meio que cinema não se faz sozinho. Apesar dos holofotes focarem invariavelmente o diretor e de todo glamour, sua principal tarefa é justamente coordenar e direcionar o trabalho de uma equipe de especialistas. A quantidade de comentários de profissionais no blogue da O2, de assistentes de direção, a montadores e produtores, além de mostrar que o assunto é uma preocupação geral, imediatamente trouxe algo de positivo: a aproximação entre os profissionais que estão no set de filmagem e os que trabalham nas ilhas de edição e finalização, geralmente separados.

Diretor da produtora Mixer, Fábio Soares abre dúvidas nessa questão:

– Pensar em se organizar novamente como na época da película pode resolver o problema da administração do processo de uma grande produtora que faz isto há anos com excelência. Adorei o texto do Fernando, mas vejo um certo desespero do administrador. Um método tão rigoroso e estabelecido há tanto tempo, apesar de sua eficiencia pode acabar sufocando a ousadia e a inventividade. Sou a favor da pesquisa, da adaptaçao. São novos métodos que estabelecem novas abordagens.

A liberdade digital não traz só problemas. Em um e-mail comentando “O Método” e publicado no blogue da O2, a assistente de direção Flavia Zanini contou como foi beneficiada numa filmagem com crianças:

– Sem cortar, íamos fazendo “mais uma e mais uma”. Nesse caso, utilizar-se da tecnologia ao seu favor, faz sentido. É melhor não cortar e não perder a concentração da criança do que o inverso.

Outra grande vantagem do sistema digital é que os efeitos e tratamentos de pós-produção são facilitados. Fernando Meirelles faz restrições:

– Concordo que atualmente a tendência é deixar tudo para ser resolvidos depois. O problema deste hábito é que os filmes vão ficando cada vez mais perfeitos e sinceramente não há nada mais chato do que a perfeição. Não podemos nos esquecer que esse troço todo do mundo digital é apenas ferramenta, o que encanta mesmo ainda são os atores e as histórias.

quinta-feira

18

dezembro 2008

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HD de bolso

Written by , Posted in Música

Tenho andado viciado em filmar utilizando a minha câmera fotográfica digital. Perde-se em qualidade (como registro histórico também pode perder valor, pela baixa resolução — apesar de que vai acabar tornado-se estética), ganha-se em mobilidade, leveza e discrição. Como dizem por aí, “a melhor câmera é aquela que estiver a mão”.

Bem práticas, principalmente pelo tamanho e pouca quantidade de botões, as mini-filmadoras Flip sempre foram mais atraentes visualmente do que por questões técnicas. Perdem em qualidade e preço para a maior parte das câmeras fotográficas digitais, que além de filmar, tiram fotos.

Isso até surgir essa Flip HD, menor câmera de high definition do mercado. O preço é que tá meio enjoado, 200 doletas.

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