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segunda-feira

23

maio 2011

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Transcultura #047 (O Globo): Eltron John, Chet Faker, Com Truise, Trabalhe 4 horas por semana

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Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo (vou publicar também a íntegra das entrevistas com Chet Faker e Eltron John):

A diferença está nas letras
De Tom Cruise a Michael Jackson, artistas famosos se embaralham com homônimos bizarros
por Bruno Natal

Não dá pra contabilizar quantas vezes escreveu-se ou falou-se Obama no lugar de Osama (e vice-versa) nas últimas semanas. Uma letrinha faz toda diferença. Falando de nomes de banda a coisa também não anda fácil pra ninguém. No witch house a situação é crítica. Prince na fase o-artista-antes-conhecido-como-Prince, quando trocou o nome por um símbolo, fez escola e nomes impronunciáveis (e ingoogláveis) pipocam: oOoOO, pyr▲mids of ▲▲, Gr†ll Gr†ll, ℑ⊇◊⊆ℜ ou †33†H. E tinha gente achando complicado os títulos dos discos do Justice e da M.I.A., respectivamente “†” e “/\/\ /\ Y /\”.

No universo chillwave (e do jeito que o termo vem sendo colado em tudo, bota universo nisso) as coisas não são tão radicais. O que impera é a sensação de dislexia ao ler o nome dos artistas: Com Truise, Jichael Mackson e Hype Williams são alguns deles.

Responsável pelo Chet Faker, cuja versão do hit dos anos 90 “No Diggity” (Blackstreet) ocupou o topo da parada do Hype Machine essa semana, o australiano Nick (pra completar assina os emails com James Murphy), se inspirou no cinema para escolher seu nome artístico:

– Chet Baker é o James Dean do jazz, muito talentoso, porém mais interessado em manter a fama de bad boy do que em tocar trumpete. O nome é para me lembrar de fazer uma música que atenda uma imagem, o que é uma piada para mim mesmo. Sou fã de música orgânica e sem amarras, iniciar um projeto com o objetivo oposto soa um pouco falso pra mim, por isso o “faker” (fingidor).

O polonês Marek, mais conhecido como Eltron John, tirou seu nome de antigos amplificadores onipresentes em praças e escolas nos tempos do comunismo, o Eltron 100. Abandonados em depósitos após o fim do regime, eram utilizados por jovens para embalar suas festas, mesmo com a qualidade duvidosa do som. Fã de dub, adotou o nome Eltron John Soundsystem antes de simplificar e se tornar um quase homônimo do artista inglês.

– Sou fã do Elton John e se tivesse que fazer comparações, seria a pegada soul e funk. Ele criou algo próprio, sem tentar soar como os artistas negros, gostaria de criar uma sonoridade pessoal também. Ao contrário dele, não sou inglês, não sei tocar piano ou cantar muito (apesar de que gostaria) e não tenho um marido.

Para Marek, a chuva de nomes estranhos não passa de coincidência:

– Quando adotei esse nome, não era ligado em internet, acessava muito pouco, não pensei nisso como nenhum tipo de estratégia para ser notado ou encontrado facilmente online. Quando descobri outros artistas com nomes parecidos com outros mais famosos não dei muita atenção a isso. Os nomes remetem a outros artistas, mas não necessariamente a música. Não vejo um comportamento interligando esses artistas.

Com a quantidade de bandas que surgem todo dia, os bons nomes vão rareando. Nick oferece uma explicação para a escolha de nomes tão estranhos pela safra de artistas atuais, baseada no excesso de informação de hoje em dia:

– A música pop tem uma conotação tão negativa atualmente que é uma progressão natural as pessoas evitarem a acessibilidade, dificultando ser encontrado. No entanto, acho que é uma onda que vai passar rápido.

Tchequirau

O comentado livro “Trabalhe 4 Horas Por Semana”, do Timothy Ferris, promete ensinar a organizar o seu fluxo de trabalho nesses dispersivos tempos digitais, de maneira a restar tempo de sobra para todo resto. Resta saber se dá pra ler em 4 horas.

segunda-feira

16

maio 2011

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Vida digital, trabalho, otimização e desperdício de tempo

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“Existe uma epidemia nos EUA de abuso de informação, vício em informação. As pessoas acreditam que checar seus emails 200 vezes por dia é o caminho para se tornar mais produtivo e bem sucedido. [Isso não é verdade porque] dar a todas pessoas do mundo acesso imediato a você é um convite para interrupções e minúcias invadirem sua vida completamente, o que está acontecendo com todo mundo.”

Palavras de Timothy Ferriss, autor de “Trabalhe 4 horas por semana”, leitura que está na fila (muito embora tenha certeza de que muito do que ele vai sugerir abolir faz parte do meu trabalho).

Por aqui, Silvio Meira fala sobre falta de locais de trabalho definidos sob uma perspectiva um pouco diferente:

“Se estou conectado o tempo todo, se estou respondendo email o tempo todo, então em tese trabalho 24h por dia (…) Nós estamos entrando numa região efetiva de atenção parcial contínua a todas as coisas ao nosso redor e também ao negócios que envolvem o trabalho. (…) Então as coisas tem as suas simetrias. Se você não me deixa olhar pro mundo enquanto estou no trabalho, também não vou olhar pro trabalho enquanto estou no mundo. Mas aí perdemos todos. (…) O cérebro, felizmente, não entra em coma quando saio do local de trabalho”