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sexta-feira

13

abril 2012

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Transcultura #077: Guia Coachella 2012 // Figure

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Meu texto de hoje da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

A farra do deserto
Dez atrações menos disputadas que podem surpreender no Coachella

por Bruno Natal

Esse ano o Coachella vem em dose dupla: os três dias de shows que acontecem de hoje a domingo, se repetem no final de semana seguinte, de 20 a 22 de abril, dando chance de se assistir quase tudo do festival. Com a pressão de lotar duas vezes o campo de polo no deserto, esse ano a escalação tendeu mais para o pop. Além das atrações principais Black Keys (surpreendente escolha), Radiohead e Snoop Dogg & Dr. Dre, das voltas do At The Drive In e Mazzy Star e shows do The Rapture, Miike Snow, Justice, Feist, Explosions in the Sky, Flying Lotus e até Jimmy Cliff, quem se organizar direito poderá também conferir algumas atrações menos disputadas – e de onde, muitas vezes, vem os melhores momentos.

Real Estate – Formada em Nova Jersey e com um som ancorado no baixo marcado pela guitarra melódica de Matthew Mondanile (Ducktails), o Real Estate está, com seu segundo disco, “Days”, começando a experimentar algum sucesso. É um guitar pop que induz ao transe. Os melhores momentos são os intrumentais, algo que deve crescer ao vivo.

Ouça: “Out Of Tune”

SBTRKT – O produtor mascarado fez o que muita gente tentou e não conseguiu: pegou elementos do dubstep, rearranjou e construiu uma versão pop radiofônica do gênero (adicionando r&b, Miami bass, drum n bass), sem que isso signifique farofada. Repetir ao vivo produção caprichada, sem os cantores convidados é o grande desafio. Pelo que se fala até aqui, no entanto, segura ao vivo.

Ouça: “Something Goes Right”

Frank Ocean – De volta com toda força, o r&b tem sido umas das influência mais recorrentes na produção eletrônica contemporânea. Parte do polêmico coletivo de hip hop Odd Future, Frank Ocean simplificou e faz o “básico”, r&b tradicional sobre bases modernas. Sua mixtape “Nostalgia, Ultra” chamou atenção da crítica e do público, que aguarda o lançamento seu disco de estreia ainda esse ano.

Ouça: “Thinking About You”

The Weeknd – O canadense Abel Tesfaye botou seu nome no mapa há um ano, quando o disco “House of Ballons”, do seu projeto The Weeknd, caiu no gosto dos blogues e se espalou pela rede. Ao longo de 2011 vieram mais dois, “Thursday” e “Echoes of Silence”, firmando o nome do produtor como uma das novas caras, adivinha, do r&b contemporâneo, ainda que seja uma versão mais sombria e eletrônica do gênero.

Ouça: “The Party & The Afterparty”

A$AP Rocky – Rapper de Nova York em ascensão, sua mixtape cantando sobre maconha e o dia-a-dia no Harlem sobre bases chapadsa, rapidamente despertou o interesse de uma grande gravadora que, dizem, firmou um contrato milionário para garantir o lançamento do seu primeiro disco. Uma discussão online com integrantes do Odd Future, com quem é bastante comparado, e a pancadaria com o público durante seu show do SXSW só fizeram aumentar sua fama.

Ouça: “Purple Swag”

GIRLS – De um primeiro disco que voava a meia altura para vencer o desafio do segundo disco com sobras, o Girls deu uma das maiores reviravoltas da cena independente recente. Mesmo que o primeiro disco não fosse ruim, certamente não indicava o colosso que viria em seguida. Respaldado pelas críticas positivas e sucesso das músicas de “Father, Son, Holy Ghost”, Christopher Owens e Chet White retornam ao festival em condições bem diferentes: passando de mais uma novidade da vez, para uma banda que muita gente quer ver.

Ouça: “Vomit”

Lissie – Com um EP produzido por Bill Reynolds (Band of Horses), o hit “Whem I’m Alone” no primeiro disco e o sucesso de versões de “Bad Romance” (Lady Gaga) e “Go On Your Way” (Fleetwood Mac) logo na sequência, Lissie se firmou como um dos principais nomes femininos no cenário folk – ou pop folk.

Ouça: “When I’m Alone”

M83 – O descendente de franceses e espanhóis Anthony Gonzales faz shoegaze tirando a ênfase das guitarras e colocando nas camadas de sintetizadores e efeitos. A banda não é nova, o disco duplo “Hurry Up, We’re Dreaming”, que trouxe notoriedade e prêmios para o M83 é o sexto da carreira. A música “Midnight City” pode ser considerada com responsável pela virada na sorte da banda.

Ouça: “Midnight City”

Neon Indian – Assim como o parceiro Com Truise, o som do mexicano radicado nos EUA Alan Polomo pode ser enquadrado no synthpop e no chillwave, fortemente influenciado pelos anos 80 embora suas músicas soem sujas demais para o primeiro caso e barulhentas demais para o segundo. Ainda assim, seu disco “Era Extraña” traz ao menos uma música com potencial de hit, “Polish Girl”.

Ouça: “Polish Girl”

Andrew Bird – Seja com o folk, indie, rock ou misturando todos esses, Andrew Bird tem nas letras seu forte. Seu sexto disco, “Break It Yourself”, saiu esse ano e o show de Andrew pode propiciar a trilha pra um belo pôr-do-sol.

Ouça: “Lazy Projector”

—

Tchequirau

http://youtu.be/gLLjRH6GJec

Desenvolvida pela Propellerhead, responsáveis pelo programa de edição de música Reason, o aplicativo Figure transforma programar uma música eletrônica num jogo, possibilitando, para o bem e para o mal, qualquer um criar uma base eletrônica .

terça-feira

14

fevereiro 2012

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Transcultura #070: Bass // Sun Araw

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Meu texto de sexta passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

A coisa tá grave, viva o grave!
por Bruno Natal

A explosão comercial do dubstep foi um dos fatos mais inesperados da história da música eletrônica. Poucos previram que os graves cavernosos e a atmosfera sombria das batidas quebradas de bpm lento, tocado em festas soturnas no sul e leste de Londres, poderiam chegar ao grande público.

Vampirando o estilo com seu pastiche, ressaltando o que há de pior (como as torrentes de wobble bass, um grave modulado, distorcido e oscilante), Skrillex atingiu o status de super DJ, saiu na capa da Billboard e passou a régua no dubstep. Skrillex, no entanto, apenas cristaliza o fim de um processo longo de pasteurização do gênero, uma metamorfose que se deu aos poucos, com elemento do dubstep sendo emprestados e misturado a outras correntes musicais.

O fato da produção de seus elementos “essenciais” serem ensinados em tutoriais no YouTube era um indicativo de que havia virado uma fórmula, o que é o fim para relevância de qualquer gênero. Era preciso fazer uma curva. O que poderia ser uma má notícia se gerando algo positivo, incentivando mudanças de direção por produtores mais preocupados com os sons que saem das caixas do que o tilintar das caixas registradoras.

http://youtu.be/uDblKjCIRjI

Desde os idos de 2007 produtores fiéis aos conceitos independentes do dubstep, como Burial e Kode 9 (dono do essencial selo Hyperdub), buscaram fugir da mesmice para qual tudo sem encaminhou, inaugurando o que que ficou conhecido como pós-dubstep, re-aproximando o estilo do clima experimental de onde surgiu. Essa fase 2 criou o ambiente para nomes como James Blake ou sua versão mais radifônica, Jamie Woon, despontarem, trazendo outros elementos para equação, notoriamente o R&B, outro gênero que sofreu com a comercialização, esse nos anos 90.

O principal legado do dubstep e, principalmente, sua viabilidade comercial, foi bem além dos novos gêneros que surgiram a partir dessa problemática (UK Funky, o próprio pós-dubstep): sua ascensão deu coragem para produtores colocarem o grave novamente no centro das atenções. No atual estado de DavidGuetização da música eletrônica, com sirenes por toda parte e o agudo tomando conta até onde menos se espera (o show de horrores proporcionado pelo Major Lazer é um exemplo), isso por si só é um alento. Mais grave é sempre um alegria, mesmo em música ruim. O grave é o alho sônico, deixa qualquer coisa melhor.

Conversando com o pesquisador Chico Dub, curador do festival Novas Frequências, ele observou: o grave se tornou o denominador comum da música urbana contemporânea. Seja em artistas tendendo ao r&b (The Weeknd), hip hop (A$AP Rocky), ao house (Lone), techno (Martyn), breakbeat (Mosca), drum n bass (Joy Orbison), 2-Step e Garage (Redinho, Julio Bashmore) ou até mesmo a um pós-pós-dubstep de olho no grande público (SBTRKT).

A impossibilidade de rotular cada um dessas misturas (uma prateleira para cada artista iria ficar complicado…) fez surgir mais um gênero, a bass music, um guarda chuva pra lá de bobo, por ser demasiadamente abrangente. Atendendo essa demanda, dois selos despontam: o escocês Numbers (por onde até Kieran “Four Tet” Hebden e o Modeselektor andam ciscando), nascido a partir de uma festa, e o inglês Night Slugs.

A coisa tá grave. E isso é ótimo.

–

Tchequirau

http://vimeo.com/34926849

Muito influenciado pelo dub, ano passado o Sun Araw (que recentemente esteve no Rio para participar do festival Novas Frequências) foi a Jamaica atrás do The Congos, do clássico “Heart of the Congos”, produzido por Lee Perry e tido em algumas listas como o melhor disco da história do reggae, para produzirem material juntos. Enquanto o disco não vem, tem um vídeo mostrando um pouco da viagem.

sexta-feira

6

janeiro 2012

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Melhores discos internacionais de 2011

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Ano muito bom de discos e de músicas. O critério é o mesmo da lista de melhores discos nacionais de 2011 (e de sempre): a ordem dos discos é baseada no volume de audições. Sem falar que ao longo de 2012, sempre se pode encontrar um disco de 2011 que não conhecia e a lista mudar, como já aconteceu com o Tame Impala.

Deixe suas dicas nos comentários.

—

10.

Radiohead, “The King Of Limbs”

 

9.

The Weeknd, “House of Ballons”

 

8.

James Blake, “James Blake”

 

7.

Girls, “Father, Son, Holy Spirit”

 

6.

Real Estate, “Days”

 

5.

Toro Y Moi, “Underneath The Pine”

4.

The Rapture, “In The Grace Of Your Love”

3.

Metronomy, “The English Riviera”

2.

SBTRKT, “SBTRKT”

1.

Peaking Lights, “936”

—

Bônus: outros bons discos de 2011 que merecem ser mencionados:

Ducktails, “Arcade Dynamics III”

Danger Mouse & Daniele Luppi, “Rome”

Mayer Hawthorne, “How Do You Do”

Lykke Li, “Wounded Rhymes”

Com Truise, “Galactic Melt”

Youth Lagoon, “The Year Of Hibernation”

Mark McGuire, “A Young Person’s Guide”

Shit Computer, “”

2562, “Fever”

Seun Kuti & Egypt 80, “From Africa With Fury: Rise”

Cerulean Crayons, “_Batch2”

Frank Ocean, “Nostalgia/Ultra”

quinta-feira

22

dezembro 2011

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O terceiro EP do The Weeknd, “Echoes of Silence”(2011)

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E você aí, achando que o ano tinha acabado. Vem o The Weekdnd e solta mais um EP, “Echoes of Silence”, o terceiro do ano, fechando a trilogia. Só baixar na página deles.

Vi lá no Bracin, um dos novos vizinhos. O quê? Não vai dizer que você ainda não está entrando na página inicial d’OESquema todo dia e tem visitado os outros blogues do portal? Espero que esteja.

sexta-feira

19

agosto 2011

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