solar de botafogo Archive

quarta-feira

8

maio 2013

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A descoberta de Clarice Falcão

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A timidez de Clarice Falcão é perceptível mesmo para quem a tenha visto poucas vezes. Retraída, é surpreendente que ela se exponha tanto, seja através de seus textos e roteiros, como atriz (com a carreira potencializada através do canal Porta dos Fundos) ou agora como cantora e compositora.

A reboque do sucesso online, seu disco de estreia, “Monomania”, passou dias no topo da lista de mais vendidos do iTunes, onde foi lançado. Os ingressos para série de cinco shows de lançamento no pequeno Solar de Botafogo evaporaram (e o mesmo aconteceu para os shows de SP, BH e Curitiba, batendo recordes do Queremos!) e o teatro ficou lotado de fãs querendo ver de perto a atriz.

Sim, porque Clarice ainda está se descobrindo cantora, passando por esse processo em frente ao público, como se tornou a norma nos dias de hoje. O show, bem ensaiado e cheio de marcações, reflete essa transição, a atriz e a cantora dividindo o mesmo palco. O fato dos shows serem num teatro reforçam essa metamorfose, porém são as composições que tornam essa mistura mais evidente.

Há um pouco de todas as facetas de Clarice nas músicas. A contadora de histórias, o personagem gauche que declama o texto, o humor que invariavelmente vem a tona e, claro, a compositora, fagocitando as outras personas, numa aglutinação que explica a monomania do título do disco:

Monomania s.f. Alienação mental em que uma única idéia parece absorver todas as faculdades mentais do indivíduo.
P. ext. Paixão, idéia fixa, mania exclusiva.

Enquanto equilibra-se num lugar imaginário entre um musical e um show, Clarice se esconde atrás do humor por timidez, ao mesmo tempo que oculta a transformação da atriz em cantora com o mesmo humor. Cronologicamente, é perto do final do show, já no bis, que ela e o quarteto que a acompanha (dividindo-se entre bateria, percussão, celo, baixo elétrico e acústico, guitarra e teclado), enfim, se libertam.

A banda toca com mais força e Clarice descola os pés do centro dos tablado, abre os braços e se solta. Pronta para ser cantora, um show de cada vez.

quinta-feira

14

junho 2012

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Mallu mulher (desculpa, escapou…)

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Grande ideia essa de transformar o lançamento de “Pitanga” numa série de shows no intimista Solar de Botafogo. Melhor para todo mundo: para Mallu, estreando a turnê com calma e esquentando aos poucos, e para o público, que pode assistir uma apresentação mais calorosa.

A faceta artística da vida de Mallu vem acontecendo como um “The Truman Show” musical. Apresentada aos 15 anos e observada de perto, pro bem e pro mal, a menina hoje tem 19 anos. É uma mulher, que do palco faz declarações de amor para o namorado, Marcelo Camelo, na primeira fila (na estreia da temporada, no Dia dos Namorados, ele participou em “Janta“, parceria dos dois), canta ameaçando se insinuar, sem ir tão longe.

A menina ainda está lá; no nervosismo declarado da estréia, nas risadas tímidas, num certo embaraço ao cantar “quero tirar sua roupa” (em “Sambinha Bom”), na delicadeza da postura de palco, na fragilidade da voz. Letras densas como “Porque Você Faz Assim Comigo” ou “Cais” rapidamente sinalizam o amadurecimento de quem já diz sentir-se “velha e louca”.

Camelo se faz presente em diversos momentos. Mallu utiliza uma de suas guitarras mais rodadas (uma Fender Jazzmaster, se não me engano) e ele se envolveu diretamente nos arranjos e concepção do show. Porém, mais que isso, mais até que constante referência ao muso nas letras, foi nas melodias de Mallu que Camelo se entranhou – e ela na dele, um influenciando o outro.

Ladeada por uma pitanga inflável gigante, Mallu passeia pelos muitos instrumentos que utiliza no show, de guitarras e violões, ao teclado e percussão, além de simplesmente cantar, sem tocar nada. A vontade, conversa com a banda, pede ajustes de som ao técnico, agradece o público e dedica músicas (“adoro dedicar músicas”, disse, rindo) a amigos e parceiros.

De fora do repertório próprio, Mallu relê “Me Gustas Tu” (Manu Chao) e “Xote dos Milagres” (do Falamansa, que ela já vinha tocando), ambas funcionando bastante bem. No terceiro disco, Mallu começa a encontrar o seu caminho, sua onda.

Difícil é ter paciência para aguardar uma artista amadurecer em tempos em que se assiste sua formação em tempo real. Com tanta pressa, muita gente ainda não percebeu que Mallu cresceu. Azar. Nem foi uma espera tão longa assim. E está valendo a pena.

quarta-feira

28

dezembro 2011

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Disse o Cícero

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Cicero_aovivo_SolarBotafogo_2011

Assim que entrou em cena, Cícero se deparou com problemas no seu violão elétrico. Sem graça, pediu desculpas, disse que tinha acabado de passar o som e que tudo ia dar certo.  O público do teatro Solar de Botafogo, abarrotado em pleno recesso não-oficial de final de ano, com gente sentada pelas escadas, nem ligou. Eram todos fãs e estavam na mão do compositor.

Quando comentou sobre o coro de uma música em que a plateia participou (após insistentes pedidos do cantor), disse que em Belo Horizonte não tinha sido atendido e tinha ficado até sem graça. Um rapaz gritou “é mentira! eu estava lá!”. Desde que lançou o clipe de “Tempo de Pipa” em junho, uma viagem neo-hippie pelo bondinho de Santa Teresa, Cícero vem conquistando seguidores – de verdade, não no Twitter.

Lançado de maneira independente e disponibilizado gratuitamente em sua página, o disco “Canções de Apartamento” foi se espalhando e levando Cícero a tocar pelo Brasil, entrando em listas de melhores do ano de blogues (“não que isso seja importante”, disse após contar para o público sobre esse fato), começando a construir uma carreira. Conferir o burburinho foi o motivo da ida ao show.

Cícero gosta do palco. Pode ser somente uma empolgação inicial, fato é que a quantidade de trejeitos e gracinhas para plateia (como roer as unhas ao microfone apenas para ser repreendido por uma fã mais entusiasmada) beiram a afetação. O que pode atrapalhar ou ajudar, depende do público que ele estiver mirando.

Em certo momento, Cícero brincou com participação da plateia, dizendo que estava se sentindo a Maria Gadu. No ponto em que está, a comparação faz sentido, mais até do que as apontadas similaridades com Los Hermanos e Rodrigo Amarante. As boas letras estão prontinhas para as massas; “Ensaio Sobre Ela” é só botar pra tocar na novela.

Musicalmente, no entanto, tudo ainda soa bastante derivativo (Radiohead, LH): toda música inicia bossa, explode indie e fecha bruscamente, num formato repetitivo. Faria bem um despreendimento estético, experimentar mais. Caminho tem e a interessante versão de “You Don’t Know Me”, feita em cima de “João e o Pé de Feijão”, (ah, se Caetano vê…) mostra isso.

Antes do final, Cícero agradeceu aos fãs pela divulgação no Facebook e na internet (nessa ordem) e num discurso altruísta, convocou o público a ajudar mais artistas a aparecer publicando músicas de novos nomes em seus perfis, dividindo a própria audiência sem nem saber com quem.

Entre as canções o compositor sentia-se obrigado a se comunicar com o público, repetindo o agradecimento por todos estarem ali, emcerrando o papo com um “não tenho mais o que dizer”. Engano dele.

Ainda no começo da jornada, Cícero já tem um número relevante de fãs dispostos a ouvi-lo. Só isso deveria ser motivo para sentir-se seguro para arriscar mais e explorar o próprio talento. Em tempos de carreiras relâmpago, em que artistas se descobrem e amadurecem na frente do público, não dá para esperar muito tempo pra isso.

segunda-feira

29

agosto 2011

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Kassin metendo a vara

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O lançamento de um disco é mesmo algo para se celebrar. Mesmo em tempos de fúria contra a industria fonográfica, com sentimentos quase revanchistas em relação a sua derrocada, uma coisa não pode se perder ou se confundir nisso tudo: independente do suporte, o que se celebra é a música. Se o CD deixou de ser importante, a junção de pessoas para criar música nunca deixará. Sobretudo se for boa música.

Semana passada, Kassin fez o show de lançamento do “Sonhando Devagar” no Solar de Botafogo, no Rio. Após o show, ele falou sobre as diferenças entre seus trabalhos de artista e produtor, fez comparações entre os dois discos, +2 e falou de seus planos para o futuro.

Obs: filmada com celular, o áudio da entrevista ficou baixo, por isso coloquei legendas.

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