Little Dragon Archive

sexta-feira

24

janeiro 2014

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Little Dragon, Ritual Union (Sango remix)

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Sango_by_Atikh Bana

foto: Atikh Bana (via Facebook)

Já falo mais do Sango, curte esse remix enquanto isso.

Dica da Manu.

segunda-feira

23

julho 2012

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Transcultura #88: Discos do 2º semestre // Strausz

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Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Ouvido atento para alguns dos discos mais esperados do segundo semestre
Transcultura chama atenção para músicas de trabalho de álbuns recém-lançados ou que ainda vêm por aí
por Bruno Natal

1. Tame Impala — “Apocalypse dreams”: Se a “síndrome do segundo disco” já é uma fonte de pressão, imagina a responsabilidade de gravar o sucessor de um dos melhores discos de 2010. Os australianos do Tame Impala parecem ter sobrevivido ao teste, com sobras. Antes de “Elephant”, música oficial de lançamento do novo álbum, “Lonerism”, eles soltaram esse sonho apocalíptico que mostra que a psicodelia continua.

2. Frank Ocean — “Thinking about you”: O integrante do Odd Future dedicado ao R&B tem tido dias agitados desde que tornou pública sua orientação sexual num texto no Tumblr e, mesmo em meio à fofocada que se formou, Frank Ocean colocou seu disco para audição por alguns dias e arrancou declarações de “disco do ano” por toda rede. Essa “Thinking about you” saiu no fim do ano passado e é um hit.

3. The Xx — “Angels”: Demorando à beça para dar um gosto do aguardado segundo disco, o trio inglês mostrou mais do mesmo. Só que mais do mesmo do The Xx é mais do muito bom. Frases de guitarra delicadas cantando sobre uma programação de bateria minimalista, apoiadas em $ções do baixo e cobertas por sussuros.

4. Dirty Projectors — “Gun has no trigger”: Abre-alas do “Swing Lo Magellan”, disco que acabou de sair, os vocais de soul e os vocais de apoio de coral têm como base apenas numa batida funkeada e uma linha de baixo dançando pra lá e pra cá. É basicamente isso e não precisa de muito mais. Vindo do Dirty Projectors estranheza é qualidade, e eles não decepcionam.

5. Ariel Pink’s Haunted Graffiti — “Only in my dreams”: Com os pés nos anos 1960, o Ariel Pink apresenta um lado mais pop e lapidado, coisa rara para uma banda conhecida pelas experimentações lo-fi. Talvez esse seja o caminho do disco novo, “Mature themes”, já que antes eles tinham soltado uma versão de “Baby”, do Donnie & Emerson, nessa onda.

6. Little Dragon — “Sunshine”: Uma receita quase certa para a ruindade é aguardar o resultado de uma música encomendada a uma banda legal por alguma marca. Se for de bebida, então, sai de baixo. Contrariando tudo isso, o Little Dragon atendeu aos desejos de uma vodca e manteve a pose, sem concessões, soando exatamente como o Little Dragon, como se fosse uma sobra do bom disco “Ritual Union”. Mesmo que estejam pensando num drink de frutas.

7. Major Lazer — “Get free”: Do terrível projeto dos produtores Diplo e Switch (que abandonou o barco), Major Lazer, surgiu essa fofura de chapação, com vocais de Amber Coffman (Dirty Projectors), referências orientais e uma lentidão contagiante, forte candidata a música do ano. Diplo enfim conseguiu sua nova “Paper planes”, hit que produziu com M.I.A.

Tchequirau

O menino Strausz continua sua série de remixes, dessa vez dando uma torcida em “Where Have You Been”, da Rihanna, que já tem pegada pra pista, mas fica mais pesada e levemente quebrada.

terça-feira

3

julho 2012

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segunda-feira

14

maio 2012

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James Blake & Little Dragon para poucos no Circo Voador

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Já dizia Tony Wilson, mostrado no filme “24 Hour Party People”, em referência estréia nos palcos do Sex Pistols, quanto menos gente num show, maior sua importância histórica. Pois bem. Domingo a noite, as 320 testemunhas da noite de pior venda de ingressos da história do Queremos! assistiram, se não o melhor, certamente um dos três melhores já promovidos pelo projeto.

Some isso a crescente fama desse escriba de não gostar de show nenhum (exigência para uns, chatice e velhice para outros, faça sua escolha) e não pode ser coincidência essa ser, desde já, uma das apresentações do ano. James Blake deixou os presentes que “enfrentaram” a chuva (e bota aspas nisso) de queixo caído com a sutileza, elegância e aparente simplicidade dos arranjos de suas canções. E as porradas dos graves, ah, os graves..

Antes dele, contrariando a lógica do BPM, os suecos do Little Dragon sacudiram a tenda.

ABBA e excessões como Roxette, Cardigans e Ace of Base a parte, já foi o tempo que bandas pop vindas da Suécia estourarem mundo a fora eram uma exceção. A lista hoje em dia é extensa: Miike Snow, Lykke Li, Peter, Bjorn and John, Robyn, Fever Ray, Jens Lekman, The Knife, Radio Dept, The Tallest Man on Earth, Studio, JJ, nomes o suficiente pra inspirar um festival chamado Invasão Sueca em Recife.

O Little Dragon não fica atrás de nenhum de seus pares. Na real, fica a frente, principalmente quando pesa a mão nos graves e deixa de lado as batidinhas dançantes mais manjadas 2×4. A formação colabora, baixo e bateria (com pads) são cortadas pelo teclado, alma da banda, com modulações que adicionam a aspereza que dá personalidade e faz da banda algo mais que um synth pop básico.

E tem a animada vocalista Yukimi Nagano, claro. É daqueles shows que fazem você voltar ao disco e gostar ainda mais – e esse pode ser o grande ponto de contato entre o Little Dragon e o James Blake, o poder das suas apresentações ao vivo.

Listar as influências de James Blake (soul, folk, r&b, gospel, [des]amarrados pela espacialidade do dubstep) não chegam perto de descrever o som. Isso porque, tudo que ele pega dessas referências é reprocessado por alguma outra, de maneira que o resultado final se torna uma sombra da matriz, o que é ótimo. O que ele faz com o dubstep, por exemplo, é paralelo ao que faz Skrillex, láááá na outra ponta: aplicar o conceito, não replicar o som.

O piano clássico é entortado por timbragens pesadas; batidas sincopadas de dubstep ecoam fora do grave; reverbs abertos emulando os ecos de uma catedral são filtrados por vocoder, potencializando o alcance vocal e afastando-os de simplesmente remeter a uma igreja. Você ouve Blake e pensa: o problema é a ferramenta ou quem não sabe usá-la? Pois é.

Acompanhado por guitarra e bateria, os arranjos são tão perfeitos que faz pensar quantas horas de ensaio se levou até chegar aquele formato. Um formato muito original, vale ressaltar. Com a cena inundada de bandas com formações idênticas (guitarra + bateria + baixo + sintetizador), é um alento só ver alguém ousando nesse sentido.

É um trio em que nenhum dos instrumentos faz feijão com arroz, pelo contrário, são esticados, distorcidos, reimaginados. Ousadia que vem desde o formato das composições, sem medo de explodir ou soar barulhentas quando desemboca nessa solução. O que poderia ser tanto um projeto mela cueca (bom, é um pouco), quanto um dubstep erudito (o que também é um pouco), flutua entre as duas coisas, criando um terceiro lugar.

Ouvindo os discos se pode ter uma ideia da proposta, porém ao vivo a coisa muda totalmente de figura. Visualizando as músicas serem executadas a mão inverte, fica mais difícil imaginar o processo solitário de gravação de composição e gravação de Blake.

Não é tarefa fácil transpor um som tão delicado para o palco. Além das dificuldades técnicas, há que se contar com a participação do público, ou melhor a não-participação do mesmo. Não é show pra tomar uma cervejinha, bater um papo ou mesmo cantar junto. É uma experiência de transe coletivo, onde o silêncio mais do que uma necessidade, é um elemento essencial.

Exigência da banda, os sub-woofers extras gigantescos colocados a frente do palco são apenas parte disso. Cada pancada, cada sacolejo das sub-frequências eram a certeza de que sim, você estava ali e, sim, a banda também e que aquela experiência era impossível de ser repetida em casa, com fones de ouvido ou qualquer outro auxílio orgânico.

A pegada steppas de “Limit To Your Love”, da Feist, poderia ter sido o encerramento perfeito. Ou a linda “”Wilhelm Scream”, que fechou a primeira parte de um show normalmente sem bis. Feliz da vida com a apresentação (“a segunda melhor da turnê, atrás de Buenos Aires”, contou ele depois), Blake voltou para o bis, tocando “A Case of You”, da Joni Mitchell (grato pela info, Seiler), parte do EP “Enough Thunder”.

Não precisava, mas se ele quisesse poderia ter tocado o show todo outra vez e ninguém iria embora. Tirando um grupo de tagarelas bêbados perdidos ali (talvez procurando outro James, o Blunt?), a entrega da plateia foi total, podendo se ouvir o tilintar da chuva do lado de fora. Como se fosse uma noite londrina, azul, melancólica. Como se fosse um sonho, de chorar de tão lindo.

domingo

13

maio 2012

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