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quarta-feira

24

abril 2013

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Mais uma: Opala, “Come Home”

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arte de Luíza Jobim sobre foto de Lucas Bori

Segunda música do Opala (a primeira foi “Two Moons”), “Come Home” inclina-se em direção ao The Xx, se a cantora inglesa fizesse mais do que sussurrar. Luiza Jobim, que faz dupla com o produtor Lucas de Paiva, enviou a música e falou um pouco do processo de gravação:

“É um trabalho indendente, tudo feito na minha casa e na do Lucas. Vozes no closet, com direito a peneira como pop filter. Usamos tanto equipamentos analógicos quanto digitais, plugins e sintetizadores, como Prophet por exemplo. Quando a gente começou a fazer essa música, queríamos algo suave, mas com punch. Dançante devagar. Tenho apreço especial pelo sinth desafinado do final. Desafinar no tom certo é uma arte!”

Sobre influências do projeto, a lista é grande: Annie clark do St. Vincent, Jai Paul, New Look, The Knife, Nite Jewel, Nicolas Jaar, Jessie Ware, Animal Collective, Tune Yards, Dirty Projectors e timbres japoneses.

O EP de cinco músicas será lançado dia 14 de maio, aqui mesmo no URBe.

sexta-feira

22

fevereiro 2013

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Lançamento: “Mahmundi & Silva, do fundo de um baú raso)

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A leitora Anna Morceli enviou um email com duas faixas da Mahmundi e SILVA, de sessões de 2010 e 2011, quando ainda eram Marcela e Lucio.

Sem se falar hoje em dia, cada um seguiu seu caminho. Bom porque daí surgiram dois projetos, pena porque a dupla era boa. Subi as duas, uma demo de “Amor Pra Depois”, nunca lançada, e uma versão de “Balada do Amor Inabalável”, do Skank. Bota ironia nisso.

Abaixo, a foto original da capa desse “EP”, pescada no Orkut, como as outras aqui. É, Orkut.

terça-feira

22

maio 2012

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Lançamento: Maga Bo, “Quilombo do Futuro” (2012) [Transcultura #81]

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Quando o Joca escreveu perguntando o que achava de lançar o disco novo do Maga Bo aqui no URBe respondi “vamos nessa!”. Armamos uma entrevista para minha coluna no Globo, com um link pra pré-audição no Soundcloud (abaixo), antes do dia oficial do lançamento: hoje.

É só baixar na página do Maga Bo no Facebook e ouvir as viagens do produtor americano pelos ritmos afro-brasileiros, repleto de participações especiais, de Yuka a Funkero, de BNegão a Buguinha Dub. Parada quente.

[soundcloud url=”http://api.soundcloud.com/playlists/1898970″ height=”200″ iframe=”true” /]

Segue então a íntegra do texto, sem cortes, que escrevi semana passada na coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo, baseado na entrevista com Maga Bo e que explica bastante o disco.

Maga Bo faz experimentações com ritmos afro-brasileiros
“Quilombo do Futuro” já pode ser ouvido na internet

por Bruno Natal

A história é a clássica, repetidas diversas vezes: gringo visita o Brasil, se apaixona por alguma cidade e decide nunca mais voltar. Foi o que aconteceu com Maga Bo, em 1999, quando trocou os EUA pelo Rio de Janeiro e se jogou nos sons do país. Foi aqui que o músico e técnico de som se tornou um produtor e DJ respeitado, é tido com um dos maiores conhecedores da batidas produzidas de maneira independente mundo afora, tendo passado por mais de 40 países em suas pesquisas, do Marrocos, Índia e Etiópia ao Senegal, Zanzibar e África do Sul.

Adaptado e considerando-se um local – “toda minha carreira internacional foi construída em cima dessa base que criei aqui no Rio”, diz- Maga Bo sente-se suficientemente a vontade no Brasil para fazer um disco inteiro, “Quilombo do Futuro”, de experimentações eletrônicas com os ritmos afro-brasileiros. O disco só sai no dia 22 (para ser baixado de graça no fb.com/magabodj), porém Maga Bo disponibilizou, com exclusividade para Transcultura, o disco todo para audição no Soundcloud.

– Para ter um conhecimento profundo de música, é preciso estudar, pesquisar, treinar – ninguém nasce sabendo sambar. Acredito que a minha visão dos ritmos afro-brasileiros é diferente porque conheço bem do ponto de vista local, mas ao mesmo tempo sempre tive essa visão de fora ao mesmo tempo. Sou capoeirista e lembro dos treinos ao som de um som portátil e de como o CD pulava com frequência. Fquei inventando batidas na minha cabeça em cima desse ritmo maluco que foi gerado aleatoriamente, tudo ragga, jungle… Essa idéia virou uma música com o BNegão. Essas viagens que fazem parte do meu dia a dia – explica Maga Bo.

Pela participações no disco, Maga Bo já está mesmo enturmado. Além de BNegão, estão lá Biguli, Funkero, Buguinha Dub, Yuka e alguns outros. Para ele, conhecer os músicos foi muito fácil, difícil mesmo é conquistar o público.

– Como faço em qualquer lugar do mundo, procurei pessoas fazendo música que gosto, admiro, respeito, me apresentei e mostrei o meu trabalho. Os músicos foram muito abertos, mas o público, não. Sempre procurei pessoas trabalhando com música de DNA africano, jamaicano, do hip hop, dub, ragga… Assim encontrei o MC Marechal, ele me apresentou pro BNegão, que me apresentou pro Marcos Suzano. Encontrei o Marcelinho da Lua, fui pra primeira festa do Digitaldubs quando o amplificador queimou e estragou a festa. Fui fazer um programa de rádio na casa do Yuka com o transmissor portátil dele e fomos ficando amigos e gravando juntos, agora estamos fazendo um disco. Conheci o João Hermeto e começamos gravar na casa dele, fui frequentando as escolas de samba tocando tamborim e o Junior da Mangueira me convidou pra ensaiar com a bateria, tocando nos blocos. Me apresentei pro Buguinha Dub, queria conhecer esse maluco fazendo barulho com os efeito de guitarra em cima da mesa de som nos shows da Nação Zumbi…

O processo de pesquisa e produção do disco se mistura com essas histórias de amizade criadas na cidade.

– No caso das músicas com os caras da Baiana System, conheci o disco deles e fui pra Salvador especificamente pra conhecer eles e as gravações são os resultados disso. Ouvi a música que a Rosângela Macedo canta no disco do Kiko Dinucci na casa de um amigo e pirei. Tenho planos de gravar mais com todas essas pessoas.

Outro artista que participou do disco foi Speed Freaks, rapper morto em 2010.

– Era um amigo de muito tempo. Era um maluco beleza. Gostei muito dele. Não acho que seja a ultima gravação dele – ele sempre gravava muita coisa, batida, letra, gravação, mixagem, até o clipe, tudo num dia só. Ele me sacaneava muito porque sou mais certinho na minha maneira de trabalhar, gosto de dar mais tempo pro processo. Mas, bom, ele era o SPEED freaks…

Parte do disco foi financiada via crowdfunding. Produzindo, compondo, gravando e mixando sozinho (sem falar no agendamento das apresentações, divulgação, site, produção das viagens…), Maga Bo convidou um time poderoso para remixar as faixas do “Quilombo do Futuro”. Frikstailers, Stereotyp, Uproot Andy, El Remolón são dos nomes que entortaram as faixas.

– Quando toco em outros países, toco com essa galera, que é um som mais internacional. Frequentemente recEbo convites pra tocar em festas de música brasileira (hoje recebi um convite pra tocar na festa do Sergio Mendes na Holanda), mas geralmente recuso. As festas lá fora costuma vir com uma visão do Brasil como país exótico, do futebol, samba e mulher, não tenho a menor vontade de contribuir ou participar nisso. A música é grande demais pra ser limitada a uma coisa só. Como que você vai contar a história de baile funk sem falar do funk americano ou Miami bass, por exemplo? A música pode ser uma coisa que junta as pessoas.

Essa diversidade o levou a tocar em alguns dos festivais e lançar músicas por alguns dos selos mais bacanas do mundo. Rótulos prontos para o seu som não faltam: transnational bass, bass globalizado, tropical bass, global ghettotech… Nenhum deles consegue de fato definir a mistura de coco, maculelê, samba, jongo e capoeira filtrados pelo ragga, dub, hip hop, kuduro, grime e dubstep. Maga Bo só não acredita em divisões de sonoridades baseadas em condições sociais.

– São músicas feito com computador por pessoas. É a manifestação de músicas folclóricas num ambiente moderno. É um novo tipo de música folclorica. Não falo que toco “música do gueto”, acho separatista e colonialista definir música assim. Não é uma critério que signifique muito pra mim. Quer dizer algo como “música do outro”. A Lia de Itamaracá falava “essa música não é minha, essa música é nossa”. Acredito na mesma coisa, o trabalho desse disco pode ser meu, mas esse som não é meu, é nosso.

Com tentáculos esplhados por todo planeta, difícil mesmo é a correria pra viver da própria música, dando voltas ao mundo pra tocar. A volta pra casa é o que motiva as andanças.

– É um desafio! Tenho vivido só de música nesses últimos anos, o que significa que passo uma grande parte do meu tempo fora de casa, em turnê pra pagar as contas. Mas também faço outros trabalhos, sou técnico de som direto, tenho feito muitos documentários em lugares interessantes, muitas vezes aproveitando pra dar uma esticada sozinho pra fazer música. Hoje em dia a prioridade é a música. Faço uma turnê na Europa em julho, EUA em agosto, India em outubro, Europa d de novo em novembro, sempre voltando pra casa no meio tempo. No arpoador.

sexta-feira

27

abril 2012

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Curumin, “Arrocha” (2012)

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Após entrevista, teasers e um aperitivo, finalmente Curumin botou seu disco novo pra rodar. “Arrocha” já vazou, mas o artista pede para que aguardem o link oficial, nessa segunda, para ele poder contabilizar – tarde demais.

Um dos favoritos da casa, participante da coletânea “OViolão” d’OEsquema, em seu terceiro disco (quatro anos após “Japan Pop Show”), Curumin envereda ainda mais pelas programações eletrônicas, sem deixar de lado as canções e o suíngue. A passagem da digital “Treme Terra” para o rock campestre “Passarinho” é a chave pra entender que não tem regra fixa na jogada.

O disco completa uma tríade imaginária com os últimos lançamentos do Lucas Santtana (“O Deus Que Devasta Mas Também Cura”) e Wado (“Samba 808”), artistas alinhados, as vezes parceiros, que transitam por caminhos parecidos, cada um do seu jeito, como Lucas falou numa entrevista aqui pro URBe outro dia.

As músicas podem não estar na melhor ordem, o disco abre bem pesado. Ou talvez estejam, exatamente por isso. Toma logo um “Afoxoque” na moleira, um pop “Selvage” no ouvido, amansa na balada “Paris Vila Matilde”, sacode devagar no hip hop “Tupãzinho”, escorrega no reggaezinho “Vestido de Prata”, no dancehall “Doce” e leva mais uma martelada de “BlimBlim” e do coaxo sleng tenguiano do “Sapo Cururu”.

[soundcloud url=”http://api.soundcloud.com/playlists/1930864″ height=”200″ iframe=”true” /]

Obs: Antes cada faixa estava publicada aqui indidualmente. Como agora tem um tocador com o disco todo, substituí e retirei o seguinte trecho do texto, que vinha após as 10 primeiras músicas: “Opa! tinham mais três músicas na segunda página do Soundcloud (tá vendo porque é importante fazer um set com toda as música, Curumin?). Vou escutar e escrevo abaixo delas logo mais.”