Esse ano a cobertura do Coachella (a sétima!) foi um pouco diferente dos outro anos. Em vez de relatar em tempo real no Instagrame Twitter do URBe, escrever uma crítica para algum veículo impresso, seguido por um longo relato aqui no blog, fui convidado pela Farm para cobrir ao vivo para o blog da marca carioca, o adoro! Farm, através do Stories da marca.
Abaixo reproduzo o post pós-Coachella que escrevi pra eles.
Como complemento, de 2006 pra cá, a grande diferença esse ano foi a grande quantidade de shows assistidos nos palcos abertos e pouquíssimos nas tendas. Isso tanto tem a ver com uma mudança na pegada da curadoria do festival (as apostas normalmente feitas nas tendas mais longe do meu gosto pessoal), quanto pelo fato de uma geração inteira de bandas surgidas na segunda metade dos anos 2000 terem se consolidado, crescido e estarem agora nos espaços maiores. E tendo sido também a primeira vez no segundo final de semana, talvez pelo clima extremamente seco, o gramado estava bem castigado.
O anúncio da escalação do Coachella é uma das mais aguardadas do calendário mundial de festivais. Ainda que seja impossível agradar todas as expectativas, sempre altíssima, todos os anos a lista de artistas está caprichadíssima, dando oportunidade de conferir o que algumas das mais promissoras novidades, e também nomes já estabelecidos, andam fazendo.
Com uma oferta tão grande do que assistir, é fácil bater o desespero de não poder conferir tudo. Normal. O que pode ser ainda pior é de fato tentar ver tudo. Ainda que em alguns casos valha a pena pular de um show pro outro, ver um pedacinho de um show aqui, outro ali, é muito mais importante conseguir abstrair do que está perdendo e focar noque está vendo. As vezes um show inesperado está tão bom que vale mais a pena conferir inteiro do que tentar correr pra ver o finalzinho daquela banda imperdível. Numa escalação dessas, conseguir decidir o que não ver é a verdadeira tarefa.
E assim, no segundo dia, após o o transe eletrônico do Floating Points, os shows do Car Seat Headrest e Chicano Batman foram substituídos por uma visita à instalação “Chrysalis” com projeção de 360 graus e uma volta na roda gigante, respectivamente. A obra de arte mais comentada esse ano foi “The Lamp Beside The Golden Door“, do brasileiro Gustavo Prado, uma torre de espelhos côncavos e convexos que gerava um efeito espetacular.
Sem problemas, porque logo na sequência o Thundercat veio sacudindo tudo com seu free jazz pop (pode isso?) enlouquecedor. Conhecido pelos muito remixes que tocam em quase todas as festas, o Mura Masa fez um ótimo show, bem dançante, logo antes do Bon Iver ninar a plateia no palco principal.
Nas tendas ao lado, os fãs de música eletrônica se dividiam entre idolatrar Nicolas Jaar e pular com o DJ Snake. No palco principal, Lady Gaga reuniu boa parte do público do festival pra um show que pareceu um tanto preocupado demais em agradar.
No último dia, com as energia já mais baixas e com a moleira frita do sol de 40 graus do deserto, as coisas fluíram mais devagar. O soul do Lee Fields (a caminho do Brasil) e o indie folk do Whitney sofreram com isso, já que havia pouca gente pra vê-los na hora em que tocaram.
No entardecer, Devendra Banhart (também com turnê marcada pelo Brasil) contou com o hermano Rodrigo Amarante no baixo, NAO conseguiu um dos coros maisaltos do festival com sua “Firefly” e Jack Garrat fez uma festa sozinho, tocando bateria, sintetizador, guitarra e cantando – as vezes tudo ao mesmo tempo – numa tenda.
Apontando pro final, Lorde serviu de abertura para a grande atração da noite, Kendrick Lamar. Com disco novo lançado dias antes, Kendrick mostrou porque é tido como o principal nome do rap atual, mostrando controle total do público através de suas letras poderosas.
Já era tarde da noite quando a fila de saída do estacionamento tomava mais de uma hora. Ninguém se importava. Todos riam de orelha a orelha, felizes com um dos mais divertidos finais de semana do ano. Como é todo ano.
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Co-fundador e diretor criativo do Queremos! e WeDemand, Bruno Natalé documentarista e jornalista, com mestrado em Goldsmiths,University of London. Dirigiu e produziu filmes como “Dub Echoes”,sobre a influência do dub jamaicano no surgimento do hip hop eda música eletrônica, além de ter registrado alguns dos maiores artistas brasileiros, de Chico Buarque a JotaQuest. É consultor do canal Multishow e colabora no desenvolvimento de projetos, como o Prêmio da Música Brasileira. Escreveu por 5 anos uma coluna semanal sobre música e cultura digital no jornal O Globo e edita o blog URBe há 14anos.
Santo Spotify que não deixa eu me perder. No ritmo que vamos, já daria pra fazer lista de melhores do mês mais extensa que essa aqui com alguns destaques de 2016. A cada ano as listas de preferidos de cada pessoa vão ficando mais diferentes entre si – e isso é ótimo. Faz cada vez mais sentido a abordagem adotada aqui no URBe há alguns anos: em vez de “melhores”, os “bons discos”. Afinal, essa lista tem se tornado cada vez mais pessoal e tido cada vez mais a ver com o que bateu e o que não bateu, medido não apenas por critérios técnicos (embora eles sigam sempre fundamentais para uma boa audição).
O disco é quase bobo. Traz quase nenhuma inovação e exatamente por isso agarra por dentro. Como pode mais um disco de inspirações folk ressoar tanto? É simples (com trocadilho): boas composições, boas melodias e boa execução. É muito cedo pra dizer se daqui alguns anos esse vai se tornar o disco mais memorável de 2016. Mas em pleno 2016 foi o que mais rodou por aqui.
2015, o ano em que menos resenhei shows na vida. Foi quase tudo na base da legenda das fotos no Instagram. Faltam palavras, ficam as memórias evocadas pelas imagens.
“A escalação está muito fraca”. “Virou um festival de hipsterismo”. “O Coachella já era”. Todo ano quando é anunciado o Coachella toma uma pancada de críticas. Com o destaque que tem no cenário mundial, é natural que o evento vire vidraça pra todo tipo de hater.
O que também acontece, entra ano, sai ano, é que após os três dias de paz, amor e música no deserto, os que lá estiveram voltam pra casa com sorrisos de orelha a orelha, já com saudades e contando os dias para a próxima edição (sem falar nos mais fissurados que ficam para os dois finals de semana).
Escrevo no avião, a caminho de Miami, escala para o Rio (e vou publicar sem revisar, então desculpe pelos erros, avisa nos comentários se puder, por favor). O vôo está cheio de gente vindo do festival, ainda com as pulseiras no braço, bronzeados e felizes.
Não ia desde 2012, pelo mesmo motivo: preguiça e falta de empolgação com a escalação. Sim, já falei todas as frases ali em cima no começo do texto.
Esse ano já estaria em Los Angeles (praticamente uma segunda casa a essa altura) na época do festival, para mais uma rodada de reuniões do Queremos! / WeDemand. Vários amigos a caminho, ingresso na mão, não tinha porque não ir.
Saiu a escalação e, como todo ano, a princípio não entusiasmou. Saíram os horários e piorou: tudo embolado na sexta, sábado morno e domingo fraco. Xiii… Será que esse ano iria, finalmente, dar ruim?
Que nada. A graça do Coachella está principalmente em duas coisas e nenhuma delas está diretamente relacionada as expectativas sobre a escalação de cada pessoa que faz essa jornada para o deserto.
Primeiro, o ambiente criado é mágico. O cenário, o alto nível da produção, a educação de todos que trabalham e também dos frequentadores, tudo conspira para um final de semana inesquecível.
A música, veja só, as vezes fica até em segundo plano, literalmente servindo de trilha para bons papos e risadas ao pôr-do-sol enquanto lagartas gigantes passeiam pelo gramado, pessoas se divertem dançando, bebendo, comendo, se fantasiando. É muito alto astral.
O segundo ponto são as surpresas musicais. Aquela banda que você não dava nada te chapa com um showzão. Uma outra que você nunca ouviu falar é boa demais ao vivo. O DJ farofa que joga a galera tão pro alto que você entra na onda. E aquelas três atrações que você queria muito ver e vão lá confirmam tudo que você esperava e tudo que você consegue pensar é “caraca, ainda bem que eu vim!”.
Não é brincadeira não, o Coachella é uma experiência que pode ser até transformadora. Como a lagarta gigante serpenteando pelo gramado nos dois primeiros dias, dando lugar a uma borboleta no terceiro, basta estar aberto pra vida e deixar vir. Entrar na onda, aceitar o tanto de fanfarronice que vem junto e simplesmente se divertir. Às vezes nem é tão difícil, indiezada xiita do meu Brasil.
Falando especificamente de música, o roteiro foi assim – ah, e essa é outra graça do Coachella, com seus seis palcos oficiais (fora os paralelos patrocinados por marcas), duas pessoas podem ter experiências completamente diferentes nos mesmos três dias, sem ver um atração sequer em comum.
Dia 01Cloud Nothings, Allah-Las, Trippy Turtle, Charles Bradley, Erol Alkan, Azealia Banks, The War on Drugs, Lykke Li, Caribou, Flying Lotus, Todd Terje e AC/DC
Sexta era o dia com mais atrações interessantes na minha lista pessoal. Cheguei relativamente tarde no festival e corri pra ver o Cloud Nothings. Porém, acabando de botar o pé lá dentro, um dia lindo lá fora, bateu como muito barulho e não durei muito lá dentro. Fui para o Outdoor Stage, meu favorito, conferir o Allah-Las, o que acabou se confirmando como uma ótima troca. Com o sol a pino, a psicodelia caiu muito bem, sintonizando o clima interior para “chapa o coco no deserto”.
De lá para ver Trippy Turtle, mais um desses DJs de multidão, que tocam um pouco de tudo, com muitos efeitos, pancadões de grave e o obrigatório breakdown dubstep genérico. O estilo é parecido com o do Cashmere Cat (que também tocou no festival, agora com mais nome depois de servir como abertura nos shows da ídola teen Ariana Grande), pipocando alguns hits aqui e ali pra balançar a pista.
Impressionante mesmo era ver a quantidade de frito lotando a tenda Sahara (a maior delas, dedicada ao EDM – mas não era assim antes, o Daft Punk tocou ali em 2006) já as 15h, enquanto todo o resto do festival ainda estava vazio. Molly (MD para os brasileiros) voando adoidado, aquele troço.
Sem nada melhor pra fazer, fui dar um confere no Charles Bradley. Já tinha visto no Lolla Chicago em 2013 e achado muito bom, só um certo exagero nas referências aos trejeitos do James Brown que davam uma cansada. Nesse show não teve nada disso. Um bandão de soul, um Hammond dando o tom, metaleira queimando e o cara botando o palco principal abaixo com músicas próprias. Beleza pura, daqueles shows que não tem erro, é sempre 100%.
Passei pelo Erol Alkan, mais pra conhecer a sexta e (pra mim ainda) nova tenda, a Yuma. Trata-se simplesmente de uma boate, breu, ar condicionado, piso de madeira, sistema de som porradão e o escambau. Teve muita coisa boa por ali e até acabei voltando, mas a experiência é tão hermética e distante do que se passa do lado de fora que é difícil animar ficar por ali muito tempo.
Azealia Banks fez um show bem agitado enquanto esperava a troca de palco pra ver a banda que mais queria assistir: The War on Drugs. Jams gigantes, solos e muita viagem, num show que é ainda melhor que o disco (topo da lista de bons discos de 2014 aqui do URBe). Tava tão afim de ver esse show que nem prestei atenção, em nada. Foi viagem pura. Assim que é bom.
De lá para matar saudades da Lykke Li. A loirinha anunciou recentemente que vai dar um tempo dos palcos pra descansar, então havia um boato até de que esse show talvez fosse cancelado. A sueca não só apareceu como largou a alma no palco, interpretando com sofrimento as letras do seu último disco, todinho sobre um coração partido.
Dá até pra entender porque ela precisa dessa pausa. Do figurino a iluminação, tudo preto e branco, o show fica um pouco pesado, assustando quem esperava “Dance, Dance, Dance” e sorrisos. Até sua versão de “Hold On, We’re Going Home”, do Drake (e como faz versão bem ela), pesou pra baixo.
O Caribou fez o trabalho oposto e jogou pra cima com uma banda tocando as músicas do excelente “Our Love”. Ao vivo a pegada de pista aumenta, confirmando o que o próprio Caribou já havia dito, sobre ter feito um disco inspirado no que percebeu que funcionava durante sua turnê anterior e fazendo músicas para agradar seus fãs. Deu bem certo.
Presença constante no festival, Flying Lotus montou um dos palcos mais elaborados da sua carreira, tocando dentro dum cubo formado pro telas translúcidas. Por entre as projeções, apenas a silhueta de FlyLo e seus olhos brilhando com óculos iluminados por uma luz amarela.
Em relação as outras vezes que já tinha visto, fez falta justamente o que Caribou tem feito, que é jogar um pouco mais pra galera. Sem discussão, FlyLo é genial. Porém, em pé, a noite, com som vazando de outras tendas e vai e vem de gente, ficou um pouco complicado entrar nos cabecismos.
Quem fez a festa mesmo foi Todd Terje. Numa das raras apresentações com banda, o norueguês esculhambou. Com um palco kitsch, com drinks e golfinhos no cenário, membros da platéia subindo no palco para dançar coreografias com roupas de led, o cara foi da disco ao latin jazz, sem errar nada, progredindo e fazendo sentido.
Uma das apresentações mais divertidas de música “eletrônica” que já vi, belo trabalho de transposição de um disco pro palco.
Fechando a noite, AC/DC. O que falar além de uma banda que tem tanto hit que “Back in Black” é tocada no meio do show, “Thurderstruck” é só mais uma no set. É aquele negócio, um teatro de si próprio, como o Rolling Stones, tudo marcado, todos trejeitos do Angus Young coreografados. Mas… e daí? Vai falar que é ruim? Você tá doido.
Depois descobri que perdi uma boa banda, Sylvan Esso, que tocou num horário morto, entre dois shows, mas só fiquei sabendo da existência deles já na segunda, ouvindo no rádio.
Dia 02Gramatik, Milky Chance, Chet Faker, Jungle, Glass Animals, Hozier, alt-J, Father John Misty, Jack White, Flosstradamus, FKA Twigs e SBTRKT
Comecei o dia perdendo o St. Paul & The Broken Bones, que tocou muito cedo. Logo veio uma boa surpresa com o Gramatik, dica de amigos. Um trio de DJs tocando hip hop, com direito a muitos hits, um re-edit matador de “Superstition” (Stevie Wonder) e baixo e sax tocados ao vivo. Animadão, som pra festa, sacudiu todo mundo mesmo estando de dia.
De lá vi o Milky Chance e que perda de tempo foi isso… Não apenas porque a apresentação ficou bastante prejudicada porque o vocalista estava sem voz, mas muito mais porque todas as músicas parecem uma versão rejeitada do sucesso “Stolen Dance”. Tocada por último, o cantor, visivelmente arrasado de estar doente bem no dia de tocar no festival, não conseguiu cantar uma linha da letra.
Corri para ver o Chet Faker (perdi no Rio por já estar viajando) e conferir de perto o show com a banda. Já tinha visto no SxSW em 2014, quando ele ainda se apresentava sozinho, com um laptop e duas controladoras.
Tinha achado muito bom antes e ainda melhor com banda. Não concordei nem de longe com o blá blá blá que chegou até aqui de que o show era “muito devagar” e “baixo”. Um show introspectivo, isso sim, e que depende muito do silêncio pra acontecer.
Na sequência tocou o Glass Animals, que eu sequer sabia que fazia shows, muito menos que tinham uns três hits e gente a beça querendo ver. Demorou pra embalar e depois ficou bem bom. Saí antes do fim pra ver o Hozier. Não sei quem foi que me deu essa dica furada, então aproveito pra “agradecer”.
Esperei mais um pouco pra dar uma chance pro alt-J, banda que volta e meia aparece com uma música que surpreende, só que quase sempre no conjunto não convence. É assim gravado, foi assim ao vivo.
Tinha que registrar o Jungle antes do show deles no Rio, dia 14 de maio (Queremos! #jabá), então não deu pra ver o Chet Faker até o final. Os ingleses já estavam quebrando tudo na tenda, bem cheia. Como eles tocaram de dia, a parte visual do espetáculo perdeu bastante e, talvez por isso, fez o show soar com o bpm lento. Agora, o pau canta e vai ser bem interessante ver isso num lugar fechado e escuro.
Na falta do que assistir, resolvi ver qual era do Father John Misty. Rapaz… Lembra que falei das surpresas do festival? Pois bem. Showzaço-aço-aço. Banda bala, o cara com um domínio de palco absurdo, músicas muito boas, espaço para o humor (como no cenário de neon escrito “no photography” dentro de um coração).
Fiquei curioso pra voltar ao disco, porque estou desconfiado que pode ser um daqueles casos de banda pra ver ao vivo. Portanto, se tiver chance, veja.
Já a noite, Jack White arregaçou no riffs, misturando músicas de todos seus muito projetos. Assinando o show sozinho fica claro que já era óbvio: ele deveria ter chamado tudo de Jack White desde o início – e ao tocar as do White Stripes, a certeza de que tudo que faltava ali era um baixo.
Fechando a noite, já em clima de “festa rave eletrônica”, o Flosstradamus falou “paçoca” três vezes com a boca cheia de farinha (se é que dá pra entender) e o SBTRKT continua tendo muito sucesso no seu projeto de arrasar todas suas músicas ao vivo.
O cara erra tudo, o que é bom fica ruim, o que é ruim piora. Chega a ser avançado. A tenda que começou lotada foi esvaziando, esvaziando e não vi quem ficou até o final, porque eu mesmo também parti. Já tinha quebrado a cara com ele uma vez, deveria ter visto o Ratatat que tinha mais chance de dar certo.
Antes dele quem fez um bom show, porém meio deslocado, foi a FKA Twigs. Gostaria de ver aquilo num lugar menor e sentado. Aliás, preciso falar disso alguma hora. Que maravilha é ver show sentado, não é mesmo? E deitado? No Coachella rola deitado, é de outro planeta.
Não tive forças pro Swan e também descobri só hoje que deveria ter visto o Philip Selway, depois de outra vez escutar no rádio na segunda. Fica pra próxima.
Dia 03Saint Motel, MO, Panda Bear, John Talabot, Vance Joy, Maria and the Diamonds, Ryan Adams, Kaskade, Jamie XX, J.E.S.+S e Drake
O terceiro dia era o mais fraco de todos, então a boa era chegar ainda mais cedo pra andar de roda gigante, comer sorvete de casquinha, taco vegano, churros, frozen de limonada, água fresca de melancia, cachorro-quente, manga desidratada… Sim, comi isso tudo, no mesmo dia, um pouco depois das 4h20, se me lembro bem (não lembro).
Chegar cedo valeu muito a pena pra ver o Saint Motel. Divertido demais, pra cima, metais esquentando e banda animadona de estar tocando no palco principal, mesmo ainda sendo 13h.
Emendei na MO, que também está a caminho do Rio (30 de maio, alô Queremos! #jabá). Ela é uma espoleta e vai tocar o grandissíssimo zaralho na cidade maravilhosa.
Como logo ela toca em casa, aproveitei pra finalmente ver o Panda Bear. Implico com o Animal Collective até amanhã de manhã, porém parece que o problema do Panda Bear é só mesmo má companhia.
Bom demais o show, chapadão, ele no laptop fazendo um som bem viajandão. Só que um viajandão bom, não aquele troço bobo que o Animal Collective faz. Não gosto de Animal Collective, não sei se já falei isso.
Além do mais, estou escrevendo essa resenha gigantesca numa sentada só e estou começando a ficar cansado (podia estar dormindo, mas estou aqui resenhando), de forma que (a falta de) humor começa a invadir essas linhas.
Será que volto lá pro começo e rescrevo tudo? Lembro que o Faith No More dizia que fazia isso nos discos, regravava todas as primeiras sessões, depois que a banda já tava quente. Mas não vou fazer isso, porque, como disse, estou cansado. Peço desculpas. Toca o barco.
Vi o bom show do Mac DeMarco e tentei pegar um pouco do John Talabot, mas a tenda boate escura realmente não encaixou na parte diurna o festival. Tentei ver o Vance Joy e tava cheio e muito lento.
Acabei assistindo Marina & The Diamonds esparramado no gramado do palco principal (não disse!), curtindo o por-do-sol e assim, sem ver nada e ouvindo como trilha de bate-papo, digo que gostei.
Ainda acabei escutando boa parte do show do Ryan Adams, sem saber que era ele. Não conheço nenhuma música do Ryan (que eu saiba) e sempre confundo ele com o John Mayer (a quem, por sua vez, confundo com o Jason Mrazz, não sei porque). Tava bom, vou ouvir algo. Pode ser uma daquelas surpresas.
O Kaskade arrastou uma multidão pro palco principal e não fez feio não. A galera pirou. De todos os super DJs que já vi (Guetta, Skrillex, Afrojack, o que vi em Vegas e esqueci o nome), foi o melhorzinho no sentido de que ao menos dá pra dançar.
A coisa melhorou muito, mas muito mesmo, logo depois, com o Jamie XX.
Cérebro e corpo do The xx (porque, numa boa, os outros dois ali…), Jamie é um geninho. A ponto de lançar seu primeiro disco solo (e pular fora do The xx antes que afunde, porque de bobo ele parece não ter nada), o inglês tocou as músicas já lançadas (tem no Spotify), incluindo a muito boa “Loud Places” (com a vocalista do The xx nos vocais ), uma do seu ótimo disco de remixes do saudoso Gil Scott-Heron e até o que pareceu um re-edit da nova do Tame Impala, “Let It Happen” (tema subliminar do festival, o bom e velho “deixa rolar”). 4×4, quebradeira, disco, o moleque esculachou.
Ainda deu tempo de pegar o J.E.S.+S., projeto conjunto do Jackmaster, Eats Everything, , Skream & Seth Troxler, de novo na boate Yuma, dessa vez de noite e fazendo mais sentido. A bagunça é boa demais, deep house pra cozinhar as multidões. Engraçado ver o Skream, que já foi o garoto poster do dubstep moleque, matreiro, indo pra esse lado.
E aí chegou a hora de uma das atrações mais esperadas do festival. O canadense Drake subiu no palco e… É, ele subiu no palco e era só ele mesmo lá em cima, mandando vocais em cima das bases soltas pelo DJ. Tirando uma aparição non-sense da Madonna, que pegou o rapaz (a Madonna já tá topando qualquer coisa pra ter mais 5 minutos de atenção – e ela nem precisa disso, porque já marcou o lugar dela faz tempo), não teve nada de especial. Seus hits são quase todos muito lentos e a verdade é que apesar de divertido, o show não decolou não.
Não deu tempo de ficar pra ver o Kaytranada, tinha que pegar a estrada pra LA e chegar a tempo de estar nesse avião de onde batuco essas mal traçadas linhas.
Ano que vem tem mais. Mas eu não vou não. Você vai? A escalação vai estar uma merda, esse Coachella já era…
Cultura digital, música, urbanidades, documentários e jornalismo.
Não foi exatamente assim que começou, lá em 2003, e ainda deve mudar muito. A graça é essa.