estetica digital Archive

quarta-feira

14

setembro 2011

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Tour de France no iPhone

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O fotógrafo Gregg Bleakney trocou sua câmera profissional por um iPhone durante a cobertura do Tour de France e transformou a experiência num projeto. Seria bobeira, se não demonstrasse o quanto a ferramenta pode influenciar no olhar e na estética final do trabalho.

domingo

3

abril 2011

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LCD Soundystem, 2001-2011

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Foi histórica a transmissão ao vivo online do último show do LCD Soundsystem, no Madison Square Garden feita pelo Pitchfork.

Com boa qualidade de áudio e imagem, a experiência de assistir o fim da banda com pessoas ao redor do mundo se tornou um marco nas transmissões de shows na rede, superando de longe (não sei dos números, mas em expectativa, seguramente) a do Arcade Fire, no mesmo MSG.

Foi um encerramento de gala, numa arena esportiva que recebe jogos de basquete e lutas de boxe (o que fez James Murphy, fã de MMA, pedir para as autoridades de Nova York liberarem as lutas na cidade). Um tanto fora do seu ambiente normal, Murphy quase pediu desculpas pelo tamanho da festa, ao explicar que os quatro shows no Terminal 5 durante a semana foram tão importantes quanto.

Longe de atrapalhar, as imagens pixeladas e as pequenas travadas contribuíram para esquentar a transmissão, sublinhando o imediatismo. Os ruídos digitais são a estética do ano 00 tanto pela questão visual, quanto pela sensação de “agora!” que transmitem. Mesmo em tempos de hi-def até na palma da mão, o tempo real não tem adversário.

O LCD é a primeira banda da geração 00 a encerrar a carreira com essa repercussão. Num papo após o show da banda no Rio, em fevereiro,Murphy explicou o motivo da decisão, basicamente uma necessidade de levar uma vida normal. Justo.

A quantidade de gente que vivenciou o momento, no local ou a distância, foi digna da relevância da banda. Saber a hora de parar mostra que James Murphy tinha perfeita noção da importância do LCD. Ainda bem.

Set 1:
2:10 – “Dance Yrself Clean” (with “I’m Not In Love” by 10cc intro)
12:40 – “Drunk Girls”
17:09 – “I Can Change”
23:45 – “Time To Get Away”
28:16 – “Get Innocuous!”
35:18 – “Daft Punk Is Playing At My House”
41:45 – “Too Much Love”
46:53 – “All My Friends”
55:30 – “Tired” (with “Heart of the Sunrise” by Yes snippet)

Set 2:
“45:33 Part One”
“45:33 Part Two” (w/ Reggie Watts)
“Sound of Silver”
“45:33 Part Four”
“45:33 Part Five” (w/ Shit Robot)
“45:33 Part Six”
“Freak Out/Starry Eyes”

Set 3:
“Us v Them”
2:04:00 – “North American Scum” (w/ Arcade Fire)
“Bye Bye Bayou” (Alan Vega cover)
“You Wanted A Hit”
“Tribulations”
“Movement”
“Yeah (Crass Version)”

Set 4:
“Someone Great”
“Losing My Edge” (With “Da Funk” by Daft Punk snippet)
“Home”

Set 5:
“All I Want”
“Jump Into the Fire” (Harry Nilsson Cover)
“New York, I Love You But You’re Bringing” Me Down (with “Twin Peaks Theme” by Angelo Badalamenti intro)

terça-feira

29

março 2011

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Hypnagogic Pop. Hein?

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Toro Y Moi

Você acorda, anda até o banheiro, pega a escova de dente e fica olhando para o espelho, aguardando seu corpo iniciar os movimentos, enquanto tenta lembrar o que estava sonhando, organizar mentalmente as tarefas e começar o dia. Esse estado entre o acordado e o desperto, tem sido utilizado para descrever uma parte da produção musical independente recente, principalmente dos EUA.

Marcado pela estética lo-fi, o uso de efeitos, sintetizadores, filtros, saturações, melodias minimalistas, ecos de ambient, new age, embaladas por uma nostalgia oitentista imaginada (visto que muitos dos músicos sequer tenham idade para terem de fato lembranças concretas da década), o som de bandas como Washed Out, Toro Y Moi, Sun Araw tem sido chamado de shoegaze sem guitarra, dance music não dançavel, é música chapada, pra se espreguiçar. Música feita sem recursos, em laptops, baseadas em samples, com climas otimistas e melancólicos, a trilha sonora para crise financeira nos EUA, alguns dizem. Escapista, dizem outros.

Washed Out

Encontrar um termo para resumir o equivalente sonoro das polaroids fake do Instagram virou motivo de piada. O blog Hipster Runoff, debochando do ar misterioso e aparentemente artístico desses projetos, como que para mascarar suas intenções pop, fez uma enorme lista de possíveis nomes para o “estilo”, como shitwave, post-bloghause, wave, freakgaze, no-fi. Um deles acabou pegando, sem querer.

Chill wave tem sido fartamente usado para descrever bandas que não necessariamente tem afinidades musicais. Englobando referências tão diversas, o termo baseado nas características técnicas e estéticas – e não nas geográficas, como se costuma fazer com movimentos (algo que também ocorre com o ghetto tech, culpa da internet e dos blogues de MP3, criando movimentos globais) – foi rechaçado pelos artistas, mesmo que tenha sido bastante utilizado na imprensa.

Além de muitas vezes presunçosos e desnecessariamente cabeçudos (vide o Pitchfork), termos para definir sons são uma muleta, uma desastrada forma de se ensacar juntas bandas bem diferentes entre si. Num caminho inverso, sub-gêneros as vezes aplicáveis apenas a duas ou três bandas, irritam ainda mais.


Com Truise

Buscando um denominador comum para unir esses sons distintos, ainda que reunam características oníricas, empoeiradas e fujam da perfeição digital, em um artigo na revista The Wire, David Keenan cunhou o termo hypnagogic pop. Pegou. Ao longo de 2010 pipocaram artigos sobre o h-pop (como esses do Poptones ou Play Ground Mag, de onde vieram algumas das informações desse texto, enviados pelo Chico Dub).

Fenômenos hipnagógicos são alucinações visuais que ocorrem quando estamos de transição entre o estado desperto e de sono, momentos antes de adormecer ou assim que acordamos. Entre sobressaltos, clarões e caleidoscópios coloridos, diz-se que esse estado mais profundo que a hipnose, é um momento de profunda criatividade. O guarda-chuva hipnagógico é ainda mais amplo, engloba o próprio chill wave, o witch house o nu dub e uma boa parcela das música chapada do século XXI.


Deerhunter

Novidade não é. De Tangerine Dream a discos da virada dos anos 90 do Boards of Canada, Bugskull, Broadcast passearam, sonâmbulos, por esses caminhos. Nos anos 2000, Atlas Sound, Panda Bear, Hail Social e Ariel Pink’s Haunted Graffiti foram alguns dos pioneiros nessa onda retrô. O suposto gênero é tão amplo que pode englobar inclusive os brasileiro mario maria e Dorgas, mesmo que eles não façam ideia do que seja hypnagogic pop.

O sucesso do “estilo” pode também ser seu próprio fim. Com a crescente atenção, os artistas podem ter mais sucesso e passar a ter acesso a equipamentos melhores, interferindo no aspecto caseiro dos sons. Quando isso acontecer, alguém certamente vai bolar um outro nome e começar a ladainha novamente. Enquanto isso, bons músicos fazem boas músicas. Só isso.

Pra escutar dormindo acordado:

Broadcast
Ariel Pink
Atlas Sound
Deerhunter
Sun Araw
Duck Tails
Emeralds
Pocahaunted
Peaking Lights
Forest Swords
Com Truise
Toro Y Moi
jj
Neon Indian
Washed Out
Memory Tapes
Best Coast

segunda-feira

13

dezembro 2010

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quinta-feira

2

dezembro 2010

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Estética digital

Written by , Posted in Música, Urbanidades

“O Wayne Coyne, dos Flaming Lips, filmou um clipe pra música ‘Round and Round’, do Ariel Pink, em seu iPhone – e ainda reclamou, online, que tanto o YouTube quanto o Vimeo tentavam ‘melhorar’ a resolução da imagem na marra, mesmo que ele quisesse que o clipe ficasse intencionalmente tosco.”

Li a história acima no Matias. É mais um exemplo prático, perfeito, do que falava outro dia, sobre a estética digital começar a tomar forma, baseada nos defeitos (como foi com a película, o super-8, etc), tornando-se a assinatura visual dessa nossa época.

Dá mais pilha ainda de botar em prática o documentário “Glitch, the digital aesthetics”, explicada quando comentei um clipe do Ok! Go.

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