death magnetic Archive

quarta-feira

17

setembro 2008

5

COMMENTS

Eles não entendem

Written by , Posted in Resenhas


Metallica, “One”
vídeo: Zarapas

A frase do título bem poderia ser de um adolescente, trancado num quarto, reclamando dos pais e de como ninguém entende seus discos de metal. Mas não. A surpresa é que quem não entede nada são os próprio caras do disco de metal rodando no suposto quarto.

O Metallica anda tentando tirar o atraso com a internet, se reaproximando dos fãs, após ter inaugurado a perseguição legal aos usuários que baixavam suas músicas, ao processar o Napster, oito anos atrás. E continua bem longe de atingir esse objetivo.

Como parte do lançamento do novo disco, “Death magnetic”, o grupo fez um show a 5 libras, na O2 Arena, com venda somente mediante cadastro no Mission Metallica.

Pode se questionar o simples fato de cobrar por show para fãs entitulado “festa de lançamento do ‘Death magnetic'”, porém ser mesco e exigir as 5 pratas, como quem diz “paga pelo menos alguma coisa aí”, é um direito deles. Parece que a renda era revertida para alguma caridade.

A total falta de sintonia com os novos tempos ficaria mais evidente quanto, lá pelas tantas, o vocalista James Hetfield olhou para platéia e disse (com base no que anotei imediatamente):

“Tenho algo para falar… Guardem a merda das câmeras, guardem os telefones. Vamso aproveitar o metal, ok? Vocês podem ligar para mamãe mais tarde. Colocar um vídeo de merda de algum momento do Metallica no YouTube não vai te deixar famoso. Aproveitem esse momento, certo?”

Constrangidos, as luzes azuis das telinhas da câmeras dos fãs sumiram do horizonte na hora, reaparecendo logo em seguida, em “One”.

Apesar de parte do ponto ser válido — a preocupação em guardar o show pra posteridade caseira muitas vezes faz com que se perca o momento enquanto ele acontece — seria de se pensar que após tantos fiascos o Metallica teria aprendido alguma coisa.

Do que será que eles tem tanto medo? Porque a internet os assusta tanto? O desconhecimento é tanto que eles sequer entendem que a maior parte daqueles vídeos sequer vai sair dos cartões de memória, são feitos para uso pessoal. Para atingir a meia-dúzia que tanto os irritam, esses malditos seres conectados, alienam o resto do fãs.

O Zarapas, autor do vídeo que ilustra essa resenha, apontou que o Metallica não está tão alheio ao mundo on line assim. “Eles tem um saite bom pra cacete, com conteúdo fresco quase diariamente, fizeram uma estratégia de lançamento do disco na internet legal, foram pioneiros na distribuição de shows ao vivo (antes mesmo do Pearl Jam), enfim, tem um business bem feito”.

Verdade, tem mesmo. O que pega é que eles só se interessam pelo aspecto de negócios (novamente, um direito deles), desconsiderando o fator social, o mais importante da revolução digital. Ao dar esporro em fãs que estão simplesmente compartilhando informação, se isolam das novas gerações, que quando querem ouvir barulho, certatmente não procuram pelo Metallica. Tá mais fácil irem atrás do Justice.

É triste ver uma banda se comportando dessa maneira, principalmente porque a música tem sido um dos principais fatores na transformação social provocada pela internet, sempre a frente nos experimentos de novas formas de distribuição de conteúdo ou de relação com o público.

Produzido por Rick Rubin, “Death magnetic” tem sido exaltado como um retorno a boa forma da banda que levou o metal ao grande público. Uma boa notícia depois do desastroso “St. Anger”, que de bom mesmo, rendeu apenas o documentário “Some kind of monster”.

A primeira metade de “Death magnetic” soa mesmo como se pudesse ter sido gravado em seguida a “Ride the lightning” ou “Master of puppets”, nos anos 80. O único problema são os 20 anos de atraso. A ausência da molecada no show lotada ilustra o quanto a banda envelheceu.

Como um pastiche deles mesmos, enfileiraram músicas menos óbvias — supostamente para agradar aos fãs — ao lado dos clássicos, sem nunca conseguir fazer o show embalar. Parece tudo muito falso, embora escutar “For whom the bell tolls” ou mesmo “Of wolf and man” ao vivo dificilmente possa ser ruim.

%d blogueiros gostam disto: