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sexta-feira

6

novembro 2009

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Faith No More e os outros tempos (ao vivo no Rio)

Written by , Posted in Música, Resenhas


foto: -ferrr

O significado da passagem da turnê “Second Coming” do Faith No More pelo Brasil vai além de simplesmente matar saudades dos fãs ou arrecadar alguns tostões.

A visita da banda marca também (o início) da despedida de uma era em que a TV e rádio tinham um força que cada vez tem menos e bandas tornavam-se denominadores comuns em um corte social horizontal e contínuo.

Para constatar, bastava olhar a sua volta no Metropolitan, ouvir os papos ou notar as bandas estampadas nas camisetas (de Slayer a Daft Punk, de ícones do Reggae a blusas sociais dobradas). Tirando a faixa etária, flutuando nos 30 e poucos, o público tinha pouco em comum além do gosto pelo FNM.

Durante seu auge, o FNM encontrou no país sua verdadeira casa, com uma base de fãs que não tinha em nenhum outro lugar. O fato impressionou a própria banda, que chegou até a gravar partes em português na música “Caralho Voador”.

Mesmo assim, tocaram no Brasil apenas três vezes e somente em uma delas numa turnê própria (as outras tendo sido nos festivais Rock in Rio II e o Monsters of Rock).

Com o retorno da banda anunciado em 2009, a expectativa era de que finalmente voltassem ao Brasil era grande. Catorze anos depois da última visita, finalmente o FNM veio outra vez.

— Voltemos no tempo, 18 anos para ser exato —

Dois anos após o lançamento do disco que os botou no mapa do pop — “The Real Thing” (terceiro da banda, o primeiro com Mike Patton nos vocais) — o Faith No More veio ai Brasil pela primeira vez,participar do Rock in Rio II, em 1991.


“Epic”

Apesar do clipe de “Epic” rodando forte na recém-nascida MTV, eram uma incógnita na noite que tinha como grande atração o Guns N Roses. O FNM surpreendeu e foi apontado como a grande revelação do festival, mesmo tocando músicas de um disco lançado dois anos antes — eram outros tempos e novidade era um conceito menos apressado.

A consagração do FNM no Brasil se deu num palco gigantesco. Não o montado no Maracanã, mas sim as telas, uma vez que a Globo trasmitia ao vivo os shows do Rock in Rio.

Camisas de flanela transformaram-se num item da moda, antes mesmo do estouro do grunge. O corte de cabelo de Patton, longo em cima e raspado embaixo, apareceu na cabeça da garotada (quem? eu?). A exposição massiva criou quase uma base de fãs quase automaticamente.

Tanto foi que a banda voltou para uma mini-turnê nacional no mesmo ano, tocando em diversas cidades além do Rio.

— Pausa. De volta a 2009 —

Cantando letras feitas há mais de vinte anos, comunicando-se em português o tempo todo, ao ponto de mandar uma versão brazuca de “Evidence” (“eu não senti nada / não tem significado algum”), Mike Patton continua com o carisma de sempre e a banda com o mesmo peso.

Tanto tempo e andanças depois, influências dos muitos projetos paralelos de Patton encontraram espaço na nova formação do FNM, como a versão jazz de “Midlife Crisis”, ruídos e doideiras pós-Fantomas ou o uso de efeitos via kaoss pad por Patton, ampliando a sua já vasta paleta vocal.

Os tempos são outros, alguns integrantes da banda beiram os 50, não seria justo esperar um repeteco exato do que foram os outros shows do FMM no Brasil. Esperava-se apenas que no quesito tecnologia o passar dos anos tivesse ajudado o Metropolitan.


“Falling to Pieces”, cheia de erros, especial para o Rio, segundo Patton

A qualidade de som MEDONHA do Metropolitan (com direito a caixa estourada, fritando sem parar desde antes do show) e uma área vip ocupando exatamente a melhor área da platéia, quase põe tudo a perder. Os agudos descompensados estão rasgando meus ouvidos até agora.

Nada que atrapalhasse a celebração dos conformados trintões na platéia. Nesse quesito, o túnel do tempo funcionou que foi uma beleza e a turma se esbaldou.

Quando um show dessas bandas parecem perder o sentido e essas reuniões ressoam como meros caça-níqueis, surge um outro fator. Servem também pra lembrar que um dia também fomos novos. E tome air-guitar (para os que já tinham parado, né), sacudida de cabeça e soco no ar.

Dos anos 2000 pra frente tudo mudou, e não apenas porque hoje você precisa desviar tanto de pessoas altas quanto de câmeras digitais pra enxergar o palco.

Com tanta diversificação e nichos proporcionados pela i nternet, é difícil dizer qual vai ser o denominador comum das novas gerações, se é que isso vai existir — o que pode ser bom inclusive.

Uma coisa não deve mudar. O carinho que se tem pelos sons que moldaram sua cabeça na adolescência é igual amor de mãe, dura pra sempre. Mesmo que você não ouça a banda desde então.

Taí o Faith No More pra confirmar.

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