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quinta-feira

8

maio 2008

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Café Tavuba de fiesta

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URBe TV: Café Tacvba, “Como te extraño”

Os sinais de que o público do comportado Barbican Centre no dia 03 de maio seria um tanto diferente estavam claros desde a entrada. Era noite de show do Café Tacvba, um dos maiores nomes do México e um imã para comunidade latina.

Em vez da tradicional pontualidade britânica (que, aliás, é papo sério), a quantidade de gente chegando em cima da hora, cantando, conversando alto e bebendo, não deixava espaço para dúvidas de que seria uma noite um pouco mais caliente que o habitual.

Os brasileiros radicados em Nova York, Forró in the Dark abriram a noite. Mesmo com um pouco mais de água na mistura do que o necessário, o grupo conseguiu agradar o público que estava lá mesmo para ver os mexicanos.

O Café Tacvba esteve no Brasil em 1997, sem muito alarde, no Festival Tordesilhas, organizado pela MTV, que trouxe também os colombianos Aterciopelados e os argentinos do Illya Kuryaki. A barreira da língua provavelmente explica porque a banda não faz o mesmo sucesso na terrinha comparado com o resto da América Latina.

Liderados pelo carismático vocalista /guitarrista Rubén Albarrán, o Café Tacvba, junto coma platéia, quebrou todos os protocolos do Barbican. Flashes eram disparados sem parar, as pessoas dançavam nos corredores e ficavam em pé nas cadeiras.

Não vai ser surpresa se o grupo nunca mais puder tocar na casa. Não bastasse o descontrole dos fãs com a avalancha de éxitos, enfileirando “No controles”, “Ingrata”, “Esa noche”, “Eres”, “Las flores”, “La locomotora” (cata no YouTube, estão todas lá), o vocalista resolveu convidar a turma para subir no palco. Obviamente, foi a senha para a invasão.

No final, com todos mais calmos, encerram a fiesta com “Como te extraño”, seu maior sucesso e a música que talvez melhor ilustre o título de “Paralamas do Sucesso mexicano”.

Na platéia, pipocavam bandeiras da Argentina, Venezuela e, claro, México. Só faltou a do Brasil.

sexta-feira

2

maio 2008

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Saída pela esquerda

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Video do evento, feito com uma câmera fotográfica digital.
A tosqueira desse formato cada vez fica mais divertida.
Daqui uns anos vira estética.

vídeo: URBeTV

No sábado passado aconteceu, no Victoria Park, o festival gratuito Love Music Hate Racism Carnival, com a presença de Hard-Fi, The View, Get Cape.Wear Cape.Fly, Dennis Bovell, Don Letts, entre outros, coma presença de mais de 100 mil pessoas, segundo os organizadores.

O encerramento ficou com The Good, The Bad and The Queen. Foi uma escolha simbólica, pelo fato do baixista da banda, Paul Simonon, ter sido um dos integrantes do The Clash, atração principal do Rock Against Racism, no mesmo parque, 30 anos antes.

No RAR, o alvo das manifestações era a escalada ao poder do partido nazi-fascista National Front, que perseguia principalmente imigrantes e irlandeses. Passados 30 anos, a situação é parecida, mudam apenas os nomes.

Os atores principais agora são a British National Party (BNP) e os imigrantes dos países árabes (chamados, numa generalização, simplesmente de muçulmanos) e do leste europeu, principalmente os poloneses, recém-integrados a União Européia.

Num clima muito politizado, as atrações transcorreram, sem sustos, entre muitos discursos. O evento é uma maneira de sinalizar, tanto para sociedade, quanto para os imigrantes, que, apesar da forte propaganda, a maior parte dos britânicos não concorda com o pensamento da BNP.

Um pouco estranho, tem-se que dizer, um evento que prega a tolerância, trazer a palavra “odiar” em seu nome. Mesmo que seja odiar o racismo, porque odiar não pode ser bom. A palavra foi repetida diversas vezes durante o dia, nos discursos inflamados.

A recessão batendo a porta é o cenário perfeito para ascenção de partidos de extrema-direita. Os empregos começam a faltar e fica muito fácil convencer a populaçnao de que os imigrantes estão roubando o seu emprego, utilizando isso como de votos.

Por isso, apesar da aparente tranquilidade, foi um evento importante. Basta uma olhada na lavada que os Trabalhistas tomaram nas eleições locais britânicas dessa quinta.

A pior derrota eleitoral em 60 anos, fortaleceu os Conservadores (lembra da Tatcher?), sinaliza que, assustado (e infeliz com o Primeiro Ministro, Gordon Brown), o povo já está.

O encerramento foi com a versão dubstep do clássico do The Specials, “Ghost town”, com base do Kode 9 e vocais do Space ape. O tom perfeito.

sexta-feira

18

abril 2008

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"Ô, sorte!"

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Soltando seu bordão favorito, seu tradicional “ô, sorte!”, Wilson das Neves foi recebido sob aplausos durante a passagem do seu Ipanemas pelo Barbican.

Fundador e único remanescente da formação original, atualmente Wilson está sendo acompanhado por uma banda de bambas: Mamão (bateria) e Alex Malheiros (baixo), ambos do trio Azymuth, Tiago Martins, filho do Mamão (percussão), José Carlos (violão), Vitor Santos (trombone). Não tem como dar errado.

Mesmo com essa formação, o show é do Wilson. Entre músicas do Ipanemas, sambas de sua carreira solo e da Orquestra Imperial, ele canta, samba, toca bateria, berimbau, pandeiro e tamborim, faz piadas e leva a platéia na palma da mão.

Bonita noite de música brasileira pra deixar gringo babando. Sorte foi de quem estava lá.

sexta-feira

18

abril 2008

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Cuba e Jamaica

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Ska Cubano, “Big Bamboo”
vídeo: URBe

Cuba e Jamaica, ambas mundialmente conhecidas por sua música, são tão próximas fisicamente, que é até estranho que seus caminhos sonoros não tenham se cruzado muitas vezes.

O auto-explicativo Ska Cubano é uma dessas misturas. O contra-baixo acústico, os timbales da percussão e as letras em espanhol são mescladas a batida sincopada do ska como se nunca tivesse sido diferente.

Em disco a mistura soa mais tradicional e respeitosa, talvez a timbragem cubana com mais destaque do que a estrutura jamaicana. No show, é o contrário, uma pulação alucinada.

quarta-feira

16

abril 2008

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Bobagem

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URBe TV: Chromeo

Com tantas músicas boas — “Bonafied lovin”, “Needy girl”, “Tenderoni” — do divertido disco “Fancy footwork”, é uma decepção descobrir que o Chromeo não consegue transpor para o palco suas camadas de sintetizadores oitentistas de maneira convincente.

Resumindo bastante, o show no Koko foi praticamente um playback. A dupla simplesmente despe suas produções de alguns elementos para poder reproduzi-los ao vivo, para assim ter o que fazer no palco.

Um riff de guitarra, uma batucada no agogô, um tecladinho e o vocal é tudo que eles tem a oferecer. O resto é base pré-gravada e apertar play (no caso do Chromeo, saindo sem pressão nenhuma). Ah, com longas interrupções entre todas as músicas.

Não tem uma virada diferente, uma mudança e, principalmente, não tem carisma nenhum. Pode botar a culpa na conta dessa mistura — praticamente obrigatória atualmente — entre rock (ou os preceitos de um show de rock) e eletrônica.

Parece que hoje todo artista de música eletrônica tem que ter um live pa, uma formação de palco minimamente semelhante a de uma banda (segurar uma guitarra ajuda bastante), maquiados com um cenário esperto, para justificar um show.

Está dando saudades de ver alguém simplesmente levando uma pista, sozinho (o que não é tarefa fácil).

Nem tudo se encaixa nesse formato. Ou melhor, nem todos conseguem se encaixar nesse formato. O Chromeo não consegue, talvez porque levem a brincadeira a sério demais.