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dezembro 2015

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+2 e muito mais

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sonoridades_2015

Neste sábado tem show do +2, depois de sei lá quantos anos, e ainda tem Azymuth com Marcos Valle. Só pedrada. Grátis no Parque Lage.

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dezembro 2015

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Invasão Novas Frequências: entrevista com Bemônio

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bemonio_novasfrequencias2016

Oitavo post da série Invasão Novas Frequências, organizados pelo idealizador do festival Novas Frequências, Chico Dub.

Vi o primeiro show do Bemônio  em 2012 e a cada vez que vejo a experiência é totalmente diferente. Tem vezes que gosto mais, tem vezes que gosto menos, mas é absolutamente impressionante como eles podem soar diferente dependendo do lugar onde tocam e da vibe que circula naquele dia específico.

A gente sempre faz shows inéditos de artistas nacionais no festival. No caso de artistas cariocas, pedimos shows especiais, que nunca aconteceram, muitas vezes conversando e propondo coisas. Daí o Bemônio resolveu tocar por cima de um filme polonês de 1961 vencedor do Júri em Cannes. O tema do filme? Exorcismo, claro.

Chico Dub – Qual foi a sua ideia inicial ao criar o Bemônio, como foi a concepção da proposta? Você já tinha feito música antes do projeto, mas como se deu o click do tipo, “cara, é isso que quero fazer, me dedicar, criar uma carreira musical?”

Paulo – Sempre quis fazer música ou participar de alguma forma do meio. Nunca tive uma banda propriamente dita, havia sim um projeto experimental de música eletrônica que simulava um kiks graves dando a impressão de uma sonoridade meio tribal, que no caso se chamava Creep Diets, isso lá pra 98… Meu gosto musical não batia com a dos meus amigos de punk e hardcore da época, por isso nunca tive banda… E não sabia, e nem sei, tocar algum instrumento.

Mas sobre o tal projeto, nunca tinha pensado em levar a sério, era apenas uma forma inicial de se expor. Mas não durou muito pois não havia equipamento para realizar shows e dependia de um PC Pentium para fazer…Os equipamentos na época era absurdamente caros para o que eu queria fazer (MPC, Synth)…

Em 2008, em Teresópolis na casa dos meus pais, eu revi (pela vigésima vez) o filme A Profecia. Durante a abertura eu tive um estalo, algo que me veio a recordar uma sensação que tinha no passado, e de certa forma até hoje, do medo e da impressão de certo modo obscura da Igreja e seu entorno. Digo isso focando principalmente na acústica, reverberação que há no canto gregoriano em conjunto ao ambiente decorado com as imagens e vitrais religiosos. Sempre achei isso muito denso, assustador um pouco, porém extremamente denso. Isso foi a minha relação ao filme, ou seja, de que um filme de terror pudesse ter como trilha inicial algo extremamente religioso e soturno ao invés das trilhas normalmente utilizadas pra esse gênero de filme.

Em 2009, comecei a adquirir tais equipamentos, mas o processo até surgir o bemônio demorou 2 anos, isso porque precisava achar uma sonoridade, algo que me agradasse. Muitas vezes o equipamento por si só não era suficiente, necessitava incorporar uma sequência de pedais pertinente ao que que queria.

Em Janeiro de 2012, consegui atingir um ponto de partida para esse projeto e seu nome: bemônio (sim com B para gerar um ruído de comunicação) o mesmo ruído que há num canto gregoriano sendo interpretado como algo assustador.

Sendo assim, a idéia é de gerar esse desconforto, algo que traga o religioso mas de forma incômoda, que seja uma experiência sensorial na qual o ouvinte entre numa espécie de transe, imersão.

Minha meta sim, é poder viver de música, mas isso apenas um dia após o outro e dedicação pra se tornar realidade…

Continuo sem saber tocar instrumento, sou apenas um pseudo-músico, no quesito prática músical, no que toco…

Chico Dub – Pra quem foi feita a música do Bemônio?

Paulo – Não tem como rotular um público, pois não considero bemônio uma banda, mas sim um projeto musical de imersão. Cada ouvinte terá sua interpretação e experiência vivida ao ouvir. Não tocamos músicas do álbum. Não temos uma forma tradicional de banda. Apenas buscamos o que o público “entre” em tal imersão.

Chico Dub – Como o som do projeto foi mudando e se adaptando a partir da – cada vez maior – participação do Gustavo Matos e do Eduardo Manso?

Paulo – Eu não pensava em ter ninguém além de mim. Não queria que o bemônio se tornasse uma banda tradicional, e ainda por ser algo pessoal seria muito difícil conseguir orientar ou fazer o outro entender o som e o que queria expor.

Tanto o Manso quanto o Matos não foram chamados pra entrar na banda. Mas eles pediram pra ingressar exatamente pelo interesse e compreensão do projeto. Sendo assim, muita coisa mudou e evoluiu muito graças a eles 2 e ao talento deles.

Chico Dub – Como vc tem percebido o público do bemônio e da cena de música experiemental como um todo? Aumentou? Se manteve?

Paulo – Acho que aumentou, ainda estamos num começo e ainda temos muito chão pela frente… Mas, sim, o público vem aumentando e criando maiores interesses pelo tipo de som e experiência de shows.

Chico Dub – Qual vai ser o clima do show no Novas Frequências? Porque a escolha do filme “Madre Teresa dos Anjos”?

Paulo – Vai ser o objetivo do bemônio, fazer o público, ou a quem escuta, entrar profundamente em um transe, em uma imersão de sensorial: tristeza, dor, arrependimento, paz, compaixão, ódio, agonia, fé e devoção… Por isso do filme escolhido.

quinta-feira

3

dezembro 2015

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The Chemical Brothers no Rio: o final apoteótico para um ano catártico

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Chemicalbrothers_rio_2015_queremos_01

2015, essa besta em forma de ano, vai chegando ao final, deixando lições e aprendizados. Falando especificamente do Queremos!, foi um dos anos em que mais fizemos shows e corremos mais riscos.

Pensando em retrospecto, a hashtag #Queremos5anos serviu internamente mais para que mantivéssemos a sanidade e o foco em tudo que realizamos, do que para comemorar o aniversário de 5 anos de shows (que incluiu até um livro de posters).

Nesse cenário, o show do The Chemical Brothers foi um final apoteótico, para um ano catártico. Para lavar a alma e começar 2016 limpo, pronto para outras – porque sempre vem mais coisas, boas e complicadas. Nada melhor do que um show imperdível. Onde tiver Chemical Brothers, estou lá (Creamfields Liverpool e Pacaembú em 2004, Londres e Rock Werchter em 2008, Coachella em 2011…). É um dos melhores shows da praça.

Com 10 toneladas de equipamento de luz e som, um estúdio inteiro em cima do palco, com sintetizadores, sequenciadores, e samplers, a apresentação foi um massacre áudio-visual. Pilhas de sub-woofers amassaram o peito dos presentes, silenciando até os eventuais críticos da acústica do Vivo Rio.

Enquanto dois robôs gigantescos atiravam lasers pelos olhos, camadas de raios complementavam as imagens do telão, que mesmo resvalando na breguice noventista, escapava pelo contexto e história estética construída pela dupla nas duas últimas décadas. Entre hits do passado, as músicas do disco de 2015 se inseriam sem perda de qualidade, comprovando a qualidade das produções do The Chemical Brothers. Os caras arrebentam em qualquer estilo que se proponham se aventurar.

Se visualmente a pirâmide do Daft Punk continua reinando absoluta entre as apresentações de música eletrônica, sonoramente o que os irmãos químicos fazem ao vivo deixa praticamente todos os outros para trás. Operando o hardware ao vivo, tocando mesmo, eles montam e desmontam as músicas com uma precisão admirável. Quem fica perdido olhando pra uma tela de computador é o público, não os artista, na tentativa de registrar um pouco da psicodelia.

Não estava lotado, longe disso. O prejuízo foi grande, o aprendizado ainda maior. Mesmo entendendo a situação econômica atual (e o ingresso não era barato, por conta dos custos também altos), uma pena uma cidade receber um show desse porte e a casa estar vazia (fazia 16 anos que não se apresentavam por aqui). Um show que transcende o rótulo “música eletrônica”. É uma instalação artística, coisa pra ser vista por qualquer um que aprecie esse tipo de coisa, independente do gosto musica. Quem viu, viu.

Felizmente,  para cada pessoa que só vai se for de graça (VIP é quem paga, ô conceito difícil de implementar nessa cidade…), que reclama das tentativas de salvar um show do prejuízo, tem outras 10 que apoiam, que fazem acontecer e valorizam o esforço que é botar shows como esse de pé.

Na segunda, dia seguinte ao show, Facebook e Instagram estavam abarrotados de relatos de fãs muito felizes com o show. E também mensagens de apoio ao Queremos! após as polêmicas, como esse comentário, na foto que a dupla fez com o poster do show (único registro oficial, já que são reservados não deram entrevista nem pro vídeo oficial – a única que já consegui com eles, foi na marra).

Chemicalbrothers_rio_2015_queremos_2

 

Ou essa:

Chemicalbrothers_rio_2015_queremos

Ainda essa rolou essa belezura, como um presente para fechar o ciclo. Vem 2016, vem que vai ser ainda melhor.

chemical brothers queremos print facebook

quinta-feira

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Invasão Novas Frequências: entrevista com Pigmalião

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Sétimo post da série Invasão Novas Frequências, organizados pelo idealizador do festival Novas Frequências, Chico Dub.

O Pigmalião é um dos codinomes do Daniel Lucas, produtor carioca que está por traz da Frente Bolivarista, um selo que reune uma turma muito boa de produtores daqui e da América Latina. É um movimento que me faz lembrar do portenho ZZK Records e consequentemente da Dancing Cheetah. Vejo agora, em 2015, uma integração muito maior (mas que ainda precisa aumentar!) entre nós, de lingua portuguesa y nuestros amigos, e isso me deixa bem contente. Avante, Daniel!

Chico Dub – Pigmalião e a Frente Bolivarista têm papel fundamental no impulso de todo um novo movimento musical. O que você espera dessa nova identidade visual e sonora que está surgindo?

Pigmalião – Acredito que é o inicio de uma nova geração de artistas que buscam em suas raízes inspiração para criar modelos estéticos que fogem do obvio e do mainstream. O volume de conteúdo que vem sendo criado por artistas do Brasil, Argentina, Mexico, Chile, Colombia entre outros é enorme.

Chico Dub – Quais são as maiores influências do seu trabalho?

Pigmalião – Hoje as influencias mais relevantes são aquelas com texturas sonoras desconhecidas, feitas com amor, com vontade. A musica africana, do oriente e o folk da america latina tem muito disso, você sente a emoção real expressada.

Chico Dub – Suas músicas são misturas intrincadas de influências distantes. Como funciona seu processo de composição?

Pigmalião – Tenho mesclado referencias latino americanas às sonoridades mais distintas como tailandesas, iranianas, de Mali etc. A ideia é de uma forma aproximar pela musica estas culturas tão desconexas exaltando seus pontos de interseção e as infinitas combinações de timbres nunca antes exploradas.

Chico Dub – Qual a importância da mensagem política no seu som? E qual você acha que é a importância dela na música em geral?

Pigmalião – O caráter politico deste mix de referencias das minhas produções é o de quebrar fronteiras, aproximar as culturas e buscar mais tolerância e paz entre as pessoas a partir da musica. É um dos papéis da musica também.

Chico Dub – O que você pretende para essa festa do Novas Frequências?

Pigmalião – Para o Festival Novas Frequencias apresento meu projeto Pigmalião (www.soundcloud.com/piglion) que norteia o meu selo Frente Bolivarista nesta busca incessante pelos timbres do mundo. A performance é feita com controladores, drum machine e muita musica minha, edits etc.

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Invasão Novas Frequências: entrevista com Marginal Men

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Sexto post da série Invasão Novas Frequências, organizados pelo idealizador do festival Novas Frequências, Chico Dub.

A Wobble é a melhor festa do Rio e o Marginal Men equivale a 2/4 dela. Conseguiram melhor do que ninguém integrar o funk carioca e paulista dentro do guarda chuva da tal bass music (dubstep, juke, trap, grime, 2-step…). Além de ótimos DJs, começaram a produzir tracks recentemente e foi aí que me fisgaram de vez. As duas que encomendei para a Hy Brazil (Vol 7) e para a The Wire (Especial Novas Frequências) são das melhores coisas que ouvi recentemente. Vai ser um luxo só vê-los logo depois do The Bug! Ainda mais com as participações especiais do DJ Sydney e do Pininga.

Chico Dub – O trabalho de vocês, e de outros nomes como Leo Justi e OMULU, é mesmo uma tentativa de desestigmatizar o funk ou é mais sobre fazer as pessoas dançarem e curtirem?

Marginal Men – É fazer as pessoas dançarem. A gente cresceu ouvindo, então nossa trajetória pessoal é muito ligada ao Funk. O Pedro começou a gostar de música eletrónica ouvindo o DJ Malboro na extinta Manchete FM e ia vê-lo tocar nas matinês. O Gustavo, antes de entrar na Wobble, era DJ do Truculência Crew, um grupo de Funk carioca com mais 5 cabeças – dentre eles o Fabio Heinz, que era o mascote e hoje é residente da Wobble e uma das cabeças da RWND Records.

Chico Dub – Vocês ficaram muito famosos depois de uma série de remixes de funkeiros emergentes, como o MC Brinquedo e MC Bin Laden. Porque essa arte do remix é tão atacada e menosprezada nos meios mais tradicionais de música?

Marginal Men – Os remixes para MC Bin Laden com Pesadão Tropical e MC Brinquedo com Ruxell, foram feitos para KL Produtora de São Paulo, casa dos dois MCs. Os “ataques” recentes são contra os bootlegs, remixes não oficiais e de grandes gravadoras. O DJ Sliink de Nova Jérsei pediu que mandássemos para ele a versão completa de “ Scylla no Antares” assim que subimos a prévia no Soundcloud.

Chico Dub – Vocês ainda tem pouco material autoral lançado. O que é possível esperar de um possível primeiro disco?

Marginal Men – Nós começamos a focar mais na produção de som autoral esse ano. Depois das parcerias com Branko, Omulu e várias demos com o Sants. Pro ano que vem, pretendemos fazer um EP só de autoral. Recebemos um convite de um selo de fora mas ainda não podemos contar.

Chico Dub – Como foi trazer nomes de peso da música internacional, como o (recentemente falecido) DJ Rashad, para o Brasil, através da festa de vocês, a Wobble?

Marginal Men – Foi foda. E continua sendo. Com tantos artistas que já passaram pela Wobble durante esses 4 anos, acreditamos estar próximos do que desejamos há tanto tempo: uma cena local posicionada globalmente. Em 2014, 73 artistas, entre nacionais e gringos, tocaram na festa.

As visitas de gente como Addison Groove, Machinedrum e DJ Rashad da Teklife, ano passado, ajudaram a formar uma audiência pro Footwork, gênero que já estava presente nos sets dos residentes. Com isso, em 2015, recebemos mais 2 da Teklife: DJ Spinn, que veio na turnê de lançamento de seu EP no Hyperdub, e o jovem Taso que, em entrevista na Radio Magma, comparou a pista da Wobble na Fosfobox com as da sala 1 do Fabric em Londres e do Berghain em Berlim.

O Plastician, dono do selo Terrorhythm, veio tocar no clube e a na rua durante a Copa do Mundo e voltou pra Londres elogiando a pesquisa dos DJs do Rio no programa The Grime Show; até tocou nosso set na Rinse FM!

Outros gringos fizeram mais que tocar e deram workshops para a nova geração de produtores da cidade. Como Mr. Carmack em novembro de 2014 na Casa Nuvem e Swindle em outubro desse ano na Audio Rebel.

Chico Dub – O que vocês pretendem para essa festa do Novas Frequências? Podem explicar como será a parceria com o Sydney? O Pininga acabou entrando de última hora na festa também, certo?

Marginal Men – Queremos apresentar nossas produções, remixes e mashups no NF, além de testar umas inéditas. O Sydney é do Ceara, mas mora no Rio. Conhecemos o trabalho dele em 2013, através das montagens que ele fez junto com o DJ Mibi. Ele estava usando uns kits de bateria bem diferentes do outros produtores do Rio. E a gente já se esbarrou algumas vezes tocando nas mesmas pistas. Curtimos o live dele, que celebra a era de ouro das montagens, então convidamos ele para apresentar esse trampo no NF.

O Pininga, que veio do Recife, mas mora São Paulo, só foi confirmado tardiamente por causa da agenda dele. Ele é residente da festa Muscles Cavern, tem programa na Radar Radio, da Inglaterra, já tocou tantas vezes na Wobble e, esse ano, lançou sua primeira produção na coletanêa do Hy Brazil. O live dele é um “Baile de corredor hardcore”.