domingo

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maio 2007

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Um pra trás, dois pra frente

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fotos: URBe Fotos

A 8a edição do Skol Beats será lembrada por uma decisão difícil: se retrair para poder expandir. Após os exageros do ano passado, quando quase 60 mil pessoas foram espremidas no sambódromo paulista, gerando inúmeros incidentes, não havia outro caminho a seguir.

A nova estrutura resultou num evento menor, em todos os sentidos. Com uma divulgação bem menos agressiva do que se viu em outros anos, e sem nenhum grande chamariz de público, em 2007 as atrações do Skol Beats foram divididas em duas noites, que receberam cerca de 14 mil pessoas cada, segundo as primeiras estimativas.

Se a decisão de diminuir para poder crescer (ou simplesmente poder continuar existindo) foi acertada ou não, só o tempo dirá. O que pode se dizer é que, certamente, foi o correto a se fazer.

Outra certeza é de que “Gravity’s rainbow”, do Klaxons, remixada pelo Soulwax foi a música da noite. Tocou pelo menos três vezes, em sets diferentes.

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Telão do VJ Bijari

Lembrando a edição 2005, quando Sasha deu um bolo, o fato mais comentado da primeira noite, na sexta, não foi um set, mas exatamente a falta de um dos nomes mais aguardados do festival, o MSTRKRFT, impossibilitado de embarcar em Buenos Aires, de acordo com as informações divulgadas.

No sábado, Cuban Brothers e Bonde do Rolê tocaram para um Campo de Marte vazio, no novo local do Skol Beats (ao lado do sambódromo). Quando a dupla AddictiveTV entrou, as 23h30, as coisas não estavam muito melhores.

Resumindo bastante, os VJs do AddictiveTV montam músicas utilizando samples retirados de imagens em movimentos (filmes, programas de televisão) colados sobre bases eletrônicas. A mistura vai de Antonio Banderas estalando os dedos à Willie Nelson soltando a voz. O grande barato é que você pode literalmente ver a fonte dos sons utilizados.

O remix de Cidade de Deus, trechos do filme “Italian job” original (com Michael Caine), “Blue Monday” (New Order) com Franz Ferdinand, The Doors e locuções do Sportv (demonstrando a agilidade da dupla, sampleando localmente) divertiram durante um bom tempo.

Se isso é interessante, não é o suficiente para segurar um set de uma hora. As bases muitas vezes são pobres e de gosto duvidoso, soando datadas. A parte musical teria que estar a altura das intrincadas montagens visuais, e não simplesmente servir as imagens, para a brincadeira funcionar redonda.

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Mixhell

Formado por Iggor Cavalera e Laima Leyton, o Mixhell chama a atenção primeiro, claro, pela presença do ex-baterista do Sepultura atrás dos toca-discos.

Uma vez começada a discotecagem, a música ganha destaque. Tocando disco punk, eletro e faixas com o baixo e bumbo distorcido marcantes das atuais produções francesas, Iggor filtra e acrescenta elementos as faixas através de sua MPC.

Justice, Nine Inch Nails, Klaxons (“Gravity’s rainbow”, Soulwax remix). LCD Soundsystem misturavam a frases no telão como “this is gonna hurt you” (“isso vai te machucar”). O momento mais bacana é quando Iggor assume as baquetas e faz as batidas eletrônicas ao vivo, utilizando também pads eletrônicos na montagem da bateria.

Enquanto isso, Laurent Garnier congelava o público na tenda The End com um set esquisito, emendando o hit disco “You make me feel (Mighty Real)”, doSylvester, com drum ‘n’ bass pesado. Bem estranho.

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Crystal Method

Tidos como o “Chemical Brothers norte-americano” nos longíquos tempos em que “Busy child” (aquela música do Fifa Soccer) era uma novidade, o Crystal Method transformou-se numa pálida versão do que um dia quase foi.

Mesmo com alguns bons breaks e pegada robótica, até hoje o Crystal Method não conseguiu produzir uma música sequer próxima do que foi seu único sucesso. O resultado disso é que, dez anos depois, a faixa ainda é guardada para o final da apresentação.

Utilizando o sucesso dos outros, a dupla tocou “Smack my bitch” (Prodigy), “Gravity’s rainbow (Soulwax remix)” (Klaxons) e fechou, surpreendentemente, com “Killing in the name” (Rage Against the Machine) em versão original e na íntegra.

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Simian Mobile Disco

Dos poucos nomes atuais na escalação do Skol Beats, o Simian Mobile Disco tocou com o dia clareando, devido ao atraso acumulado de uma hora dos shows o palco. Começando devagar, a dupla foi embalando na metade final.

O SMD enfileirou vários remixes próprios (“Windowlicker”, do Aphex Twin; “Whoo! Alright…”, do Rapture; “Magick”, do Klaxons), kuduro, colagens com trechos de Cansei de ser Sexy (“Let’s make love…”), Daft Punk (“The prime time of your life”), além das próprias “Hustler” e “I believe”, fechando a apresentação, com o dia claro.

Embora tivessem direito, afinal a música original é deles, a dupla não apelou para o remix do Justice para “We are your friends”. Mas também tocaram a música número um da noite, o remix do Soulwax para “Gravity’s rainbow”, do Klaxons, banda rpoduzida por James Ford, metade do SMD.

A impressão geral do Skol Beats foi de fim de festa, uma longa festa que já dura oito anos. O formato, dedicado somente a música eletrônica produzida por live PAs e DJs, mostrou-se esgotada. É hora de se renovar, para se manter relevante.

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