terça-feira

18

maio 2004

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Ufa!

Written by , Posted in Música, Resenhas

Primeiro veio o falatório, sempre elogioso. Saiu o disco e o todo o burburinho pareceu verdade. Ainda assim, o fato da bolacha ter demorado dois anos pra ficar pronta fez pensar se não sera uma banda de estúdio. Junte a isso uma matéria na MTV com um trecho duvidoso do show no Abril Pro Rock e o hype crescente em torno dos sete rapazes (Marcelo Camelo, BNegão, Gabriel Muzak e Nelson Motta estavam lá pra conferir) e dá pra entender a importância da apresentação de ontem no Ballroom. A noite era decisiva pra mostrar qual nome faz jus a banda: o original, Mombojó, ou o apelido maldoso, Mombojovens.

As dúvidas começaram a desaparecer logo na primeira música. Eles entraram rasgando com “Deixe-se Acreditar”, melhor faixa do disco (sabe-se lá porque não foi a escolhida pro clipe). O coro do público, berrando o refrão (esse é o reino da alegriaaaa!), deixou claro: o Mombojó – pela primeira vez no Rio – estava em casa.

As músicas da banda são marcadas por quebras de andamento e nuances que poderiam facilmente se perder ao vivo. No entanto, o som bem passado, coisa rara no Ballroom, garantiu a riqueza de detalhes e as incursões psicodélicas características da sonoridade do grupo. Qualquer semelhança entre as “sirenes” disparadas pelo teclado e o secos e zumbidos nos ouvidos aditivados com loló deve ser mera coincidência.

Interessante ver como caras tão novos (não custa lembrar, o mais velho tem 21) têm tantas referências bacanas e são seguros no palco. Os moleques são umas figuras. Samuel se contorcia junto com suas linhas de baixo e o vocalista Felipe S mostrou boa presença. Se o nome do disco de estréia, “Nadadenovo”, inicialmente sugere a falta de novidade, o que se viu ontem foi exatamente o contrário. Não teve nada do que já foi feito, nada repetido, nada de novo.

Difícil destacar alguma coisa na apresentação impecável. A versão de “Faaca”, ainda melhor do que no disco, foi matadora, assim como “Cabidela”, que ganhou uma introdução mais longa, com um solo ressaltando a melódica. As músicas de levada Jovem Guarda também caíram bem e as quatro ou cinco músicas que não fazem parte do disco, uma delas inédita, mantiveram o nível.

A interação com a platéia foi tímida, típica do começo de um relacionamento. Felipe agradeceu a recepção e aproveitou pra avisar que as músicas do “Nadadenovo” continuam disponíveis online, gratuitamente. Mesmo assim, pediram para o público comprar o disco encartado na revista OutraCoisa, justificando: “a gente pede dinheiro pra vocês pra não ter que pedir pra gravadora”. Perto do final, dando a impressão de que estavam mesmo alheios a tudo que se passava na platéia e concentrados apenas em tocar, o vocalista quis saber: “e aí, foi bom?”. Nem precisava perguntar.

O bis – de verdade, repetindo “Deixe-se Acreditar”, em vez de salvar uma do repertório pra tocar depois – teve a participação do “padrinho” China, o que não foi exatamente uma surpresa ou algo inusitado. O ex-Sheik Tosado, do qual o Mombojó era fã, é parceiro em cinco músicas. Só faltou mesmo o violonista Marcelo Campello. Ele sofreu um acidente de carro recentemente e não pode acompanhar o grupo na turnê pelo sul e sudeste.

A banda confirmou ao vivo o que ainda permanecia uma dúvida. Um alívio. O show de ontem deve repercutir, de maneira que não será surpresa se, na próxima vez que aportarem por aqui, tocarem num lugar maior.

O recado foi dado em alto e, principalmente, bom som: sem essa de Mombojovens, eles são o Mombojó.

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