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Março 2013

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Transcultura #109: Off The Tracks // “Mind Mischief”

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Versão extendida do meu texto na da semana passada da “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Cenas de cinema
Idealizado por dois blogs, o projeto Off The Tracks, faz colagem de sons alternativos e imagens
por Bruno Natal

Quando a mineira Ana Clara Matta teve a ideia de convidar diversos músicos para criarem trilhas alternativas para cenas de alguns clássicos do cinema, não acreditava que eles pudessem topar sem que houvesse algum tipo de pagamento. Ana já havia experimentado algo semelhante com o projeto I Need a Kamera, ano passado, em que convidou artistas para criarem homenagens audiovisuais às músicas do disco “Yankee Hotel foxtrot”, do Wilco, em seu aniversário de dez anos. E com a mesma surpresa que viu o primeiro projeto acontecer, Ana conseguiu desta vez a participação de SILVA, Sobre a Máquina, Leo Justi, Cambriana e outros artistas. Nascia, assim, o projeto Off The Tracks, organizado pelos blogs Rock’n’Beats e Ovo de Fantasma.

— Trilhas sonoras sempre chamaram a minha atenção na experiência de assistir a uma obra cinematográfica, e esse projeto foi pensado exatamente como uma homenagem a essa relação. É uma possibilidade de lançar conteúdo inédito em vez de covers em um projeto virtual — explica Ana, que é editora do Rock’n’Beats.

Segundo ela, a escolha de bandas e filmes e a combinação entre os dois privilegiou as misturas.

— O objetivo era conseguir uma pluralidade nos gêneros que se equiparasse à enorme variedade que existe no mundo do cinema e das trilhas sonoras. Se Trent Reznor e John Williams podem coexistir em uma mesma categoria no Oscar, o Off The Tracks devia espelhar essa diversidade.

As bandas receberam poucas instruções, podendo escolher o filme, o trecho e o como sonorizá-lo. O Sobre a Máquina escolheu “Baixio das bestas” (Claudio Assis); o Cambriana optou por “2001: Uma odisseia no espaço” (Stanley Kubrick); SILVA foi de “Tarnation” (Jonathan Caouette); e Leo Justi encarou “As Tartarugas Ninjas 2” (Steve Barron). Single Parents, Hip Hatchet, Constantina, Felipe C e The Baggios repensaram, respectivamente, “Sinedóque, Nova York” (Charlie Kaufman), “Onde os fracos não têm vez” (Joel e Ethan Coen), “L’Eclipse du soleil en plein lune” (Georges Méliès), “O inquilino” (Roman Polanski) e “E aí, meu irmão, cadê você?”.

— A única exigência era o ineditismo da faixa — conta Ana. — A proposta era dar aos músicos total liberdade artística. O objetivo era que atuassem como maestros cinematográficos.

O projeto aconteceu capitaneado por dois blogs, um de música e um de cinema, numa parceria editorial (infelizmente) rara de acontecer.

— Essa junção fez renascer o projeto. Estava com essa ideia há tempos, até o momento em que criamos o Ovo de Fantasma, para escrever sobre cinema. Ao trabalhar diariamente nos dois veículos percebi que uni-los em torno de um mesmo projeto, reunindo música e filmes, seria perfeito.

Existem projetos similares, juntando música e cinema, como a Cinematic Orchestra. Mas Ana garante que suas inspirações foram outras.

— Se algo funcionou como inspiração foi o disco “Le voyage dans la lune”, no qual o duo francês Air reinventou a trilha do clássico de Méliès. Mas o Off The Tracks surgiu de maneira bem autônoma em relação a projetos prévios. Nunca vi nada parecido no circuito dos blogs, que fica por vezes muito restrito às coletâneas puramente musicais.

Tchequirau

A original já é muito boa e ganhou um clipe sensacional, só que o que o The Field fez com “Mind Mischief”, do Tame Impala, vai além de um remix, é uma sessão de hipnose de mais de dez minutos. O Ducktails também remixou a mesma música.

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