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julho 2010

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Transcultura #009 (O Globo): K7, Fifa Fan Fest

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Texto da semana da coluna coletiva que publico as sextas no jornal O Globo:

Fitas cassete voltam carregadas
Gravadoras do Brasil e do exterior se especializam em lançamentos no antigo formato

por Bruno Natal

O passado nem tão distante permite lembrar perfeitamente das fitas cassete e todo o ritual que as envolvia: carregar o (hoje) trambolhudo walkman pra cima e pra baixo, rebobinar as fitas girando-as presas a uma caneta pra economizar pilha, o prazer de fazer uma seleção pra dar de presente e a glória que era fazer as músicas caberem de maneira exatata em cada lado, sem sobrar nem faltar um minutinho sequer, tudo milimetricamente pensado. Numa época em que se pode carregar a discografia planetária dentro do bolso, é até difícil enxergar algo de positivo nessa trabalheira.

Acreditando no poder do romantismo e de olho no mercado analógico puxado pelo ressurgimento do interesse do grande público pelos discos de vinil, selos estrangeiros e nacionais especializados em lançamentos no formato K7 vem se espalhando. No Brasil a Pug Records (www.pugrecords.com), criada em Juiz de Fora pelos estudantes Amanda Dias, André Medeiros e Eduardo Vasconcelos, está operando desde janeiro desse ano. Em acordo com a mídia que elegeram, sem a pressa dos tempos virtuais, a Pug esperou até formar um catálogo próprio mínimo antes de começar a divulgar os lançamentos próprios e os títulos que distribuem de selos estrangeiros especializados nas fitinhas, como a K Records e a Elephant 6.

Por enquanto foram dois lançamentos, “Eu, eu mesmo e os vários beijos cafeinados”, da Coloração Desbotada, e “Everything Must Go”, estréia da Top Surprise, banda do André. Na fila está o “Complete Recordings” da banda Duplodeck, que acabou 2005 sem deixar nenhum material oficial. As tiragens são limitadas e as cópias são feitas na munheca, uma a uma, e metade da produção é distribuída nos EUA, pela Lost Sound Tapes (www.lostsoundtapes.com). Por aqui as vendas são modestas. Sem medo de parecer esquizofrênica, a Pug Records também lança versões em MP3 de alta qualidade (ou a melhor possível) e comemora os mais de 3 mil downloads de seus lançamentos, a maior parte feito através de blogues de MP3, os principais parceiro na divulgação. O público das fitinhas é formado por colecionadores, jovens que se identificam com o pefil do selo e alguns europeus que fazem questão de adquirir a cópia física, mesmo tendo que importar uma fita do Brasil.

Ao mirar nos internautas que baixam mp3 e ainda valorizam tiragens limitadas e cópias artesanais e estão dispostos a pagar R$ 7 por um produto exclusivo, a escolha pelas fitas cassete funcionou. Primeiro porque chama a atenção, trazendo uma visibilidade para Pug Records que de outra maneira levaria mais tempo. O diferencial também facilitou os acordos de distribuição no exterior. Tem também a questão do custo. Enquanto os CDs exigem uma prensagem alta para valer a pena, os vinis são muito caros e CD-Rs não valem quase nada no mercado, as fitas K7 podem ser produzidas de maneira caseira, de acordo com a necessidade, além de complementar a estética do selo, afeito aos sons lo-fi, gravados em quatro canais, com microfonias e ruídos vazando.

Uma das maiores dificuldades do selo, quem diria, é conseguir as fitas virgens pra fazer as gravações. Os K7 não são mais produzidos no Brasil e tem que ser importados.

Tchequirau

A Copa do Mundo da África vai chegando ao fim e a próxima é no Brasil. Pra ir entrando no clima pra 2014 vale visitar o FIFA Fan Fest, em Copacabana. Nos dias de jogos do Brasil fica bem lotado, no outros dá pra entrar tranquilamente e assistir os jogos numa boa com os torcedores de outros países. Programão.

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