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segunda-feira

24

maio 2010

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Transcultura #002 (O Globo): Digitaldubs, Gil Scott-Heron

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Meu texto da semana para coluna coletiva que publico as sextas no jornal O Globo:

Digitaldubs em estado grave
por Bruno Natal

A situação do Digitaldubs Sound System era grave. Gravíssima. Para dar conta da gravidade da situação, só mesmo construindo seu próprio sistema de som. Cansados da magreza sonora encontrada na maioria das casas onde toca do Rio (o problema recorrente da cidade), o grupo honrou o nome e a tradição jamaicana e fez justamente isso. Desde então, as caixas de som são as estrelas das apresentações.

As baixas frequências são uma questão central no reggae. São elas que pontuam os lamentos, amaciam as pancadas da vida e emprestam peso ao discurso. Ouvir reggae sem a força dos graves é perder mais da metade da mensagem. Nesse sentido, o sistema de som do Digitaldubs presta um serviço maior que simplesmente incrementar o próprio show. Elas possibilitam ao público ouvir reggae e dub como foram pensados: com o grave bombando no peito, numa experiência tão auditiva quanto fisíca.

Projetada por eles mesmos e feita sob encomenda, as caixas cospem 4 mil watts de potência só pro grave, mais 2 mil e pouco para médios e agudos, feitas especialmente pra tocar reggae. Enquanto na Europa é normal os grupos de reggae e dub terem suas próprias caixas de som, por aqui ainda são poucos os que tem. Além do Digitaldubs, o Dubversão (de São Paulo) e o Interferência SS (também do Rio), tem as suas.

Só mesmo presenciando isso ao vivo para entender a diferença que isso faz. As ondas de grave amassam o público, atraído passo a passo, cada vez para mais perto para fonte. Próximo das caixas a pressão é tão grande que faz tremer os ossos, a pulsação chacoalha seus órãos internos, não dá pra aguentar muito tempo. Esse poder de atração e repulsão impulsiona um ciclo que movimenta a pista de dança: quem está longe quer chegar mais perto, quem está no epicentro precisa se afastar.

Até outro dia, ouvir reggae e dub de maneira apropriada era complicado. Tem que se aproveitar noites como a de hoje, em que as caixas de som se apresentam no Bar da Rampa, em Botafogo. Com participação do Digitaldubs.

Tchequirau

O disco “Bridges”, do Gil Scott-Heron e Brian Jackson, de 1977 emperrou por aqui há semanas. Uma aula de funk soul, só groove violento, Rhodes na maciota e um Scott-Heron mansinho, alviando até no discurso político.

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